Ibaneis diz que Lázaro faz polícias do DF e GO “quase como de bobas”

Suspeito de ter cometido uma chacina no DF na quarta-feira da semana passada está foragido. Há 200 policiais em busca dele

atualizado 16/06/2021 11:45

O governador Ibaneis Rocha lança o programa Renova-DF, em Samambaia0Hugo Barreto/Metrópoles

Após assinar o Termo de Compromisso para a regularização fundiária do Condomínio Privê Morada Sul – Etapa C, no Jardim Botânico, na manhã desta quarta-feira (16/6), o governador Ibaneis Rocha (MDB) comentou sobre as buscas por Lázaro Barbosa de Sousa, 32, autor da chacina de deixou quatro pessoas mortas no Incra, 9, Ceilândia.

“Essa caçada nos impressiona muito. São quase 300 homens da polícia do Distrito Federal e de Goiás que estão atrás desse marginal e que não conseguiram ainda localizá-lo. Espero que isso aconteça o mais rápido possível, para que a gente possa tranquilizar as famílias daquela região e dar a punição devida a esse marginal que vem causando tanto mal e que vem fazendo a polícia do Distrito Federal e do Goiás quase como de bobas”, disse o governador.

Lázaro tem aterrorizado moradores de chácaras do  Entorno do DF. Ele invadiu fazendas, fez caseiros e proprietários reféns, trocou tiros com a polícia e segue foragido. Nesta quarta-feira (16/6), completa-se 8 dias de busca, que conta com  mais de 200 policiais de diversas forças de segurança, como as  polícias militar do DF e de Goiás, Polícia Civil de ambas as localidades e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Está passando da hora de ele ser preso e vir para a Papuda para curtir a sua pena durante longos anos”, afirmou o governador do DF.

Outra fazenda foi invadida por Lázaro Barbosa, 32 anos. A casa fica a cerca de 8km de Edilândia (GO) e estava vazia. Informações preliminares apontam que ele arrombou a porta, preparou comida e abandonou o local. O dono da propriedade informou aos vizinhos sobre a invasão na madrugada desta quarta-feira (16/6).

“Ele entrou lá para fazer comida. Ainda quebrou a porta, mas não tinha ninguém. Ele pegou o que quis, a casa estava abastecida de comida. Dá a entender que ele estava muito tranquilo. Agora, está cheio de polícia. Helicóptero pousando lá em casa”, afirmou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

Com medo, a família deixou a casa temporariamente.

Na tarde dessa terça-feira (15/6), Lázaro baleou um policial durante troca de tiros. O autor de uma chacina no Distrito Federal também fez três reféns na cidade de Edilândia (GO).

Na fuga, Lázaro passou por uma chácara e escondeu reféns sob folhas para que não fossem vistos pelas buscas aéreas da polícia. No fim da tarde dessa terça-feira (15/6), a polícia os encontrou com vida, e eles foram libertados. As vítimas eram pai, mãe e filha, de 48, 40 e 15 anos, respectivamente.

Procurado desde 9 de junho, o suspeito tem espalhado terror por onde passa. Os reféns foram soltos e, logo depois, Lázaro foi cercado por agentes de diversas forças de segurança em uma rodovia e abriu fogo contra a guarnição. Um policial militar de Goiás chegou a ser baleado de raspão no rosto e foi transportado para um hospital de Anápolis (GO), de helicóptero. O estado dele é estável.

O chacareiro Rosinaldo Pereira de Moraes, 55 anos, que trabalha na fazenda onde Lázaro foi flagrado por câmeras de segurança, contou ao Metrópoles que chegou à propriedade por volta das 6h e se deparou com o suspeito.

“Ele estava com uma jaqueta, bermuda, uma blusa e uma botina. Estava com uma mochila nas costas, mas não vi qualquer machucado. Não havia nada aparente. Ele dormiu na cama que eu descanso e não ficou marca de sangue. Só suja de terra. Se estava armado, a arma estava dentro da mochila”, disse o chacareiro.

Desde a noite de segunda (14/6), após Lázaro trocar tiros com um caseiro em Edilândia (GO), havia a suspeita de que o homicida poderia estar ferido.

Rosinaldo também confirmou que Lázaro disse estar com fome e pediu um prato de comida. “Pedi para ele aguardar eu prender os bezerros e trazer as vacas que iria arrumar um prato de comida para ele. Cheguei a falar que comida não se negava a ninguém. A minha intenção era dar a comida para despistar e segurar ele. Mas ele não esperou. Eu o vi saindo pela mata. É muito esperto”, acrescentou.

Na tarde dessa terça, a polícia faz um cerco ao suspeito próximo a um milharal na área de Edilândia, Entorno do DF. Lázaro tem sido visto com frequência na cidade e na área vizinha de Cocalzinho, também em Goiás.

Veja as imagens:

Também na manhã dessa terça, um caminhoneiro de frete da região de Edilândia (GO) relatou ter visto um homem atravessar a BR-070 e adentrar uma área de mata. Os policiais da base da operação montada na região e helicópteros das corporações seguiram para o possível local.

 

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Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada do dia 8/6, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo dela foi encontrado nesse sábado, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Torturada, mutilada e possivelmente estuprada. A morte de Cleonice reflete a crueldade de Lázaro. O criminoso, autor da chacina que ainda tirou a vida do marido e dos dois filhos da mulher, permanece foragido há seis dias. Caçado por uma coalização de forças policiais, o maníaco arrancou uma das orelhas e executou Cleonice com um tiro na nuca.

Família Vidal:

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Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais. Obrigou os chacareiros a cozinharem para ele e a, até, fumarem maconha com ele. Sempre agressivo, chegou a roubar um carro e incendiá-lo, próximo a Cocalzinho.

No sábado (12), ele invadiu a fazenda da família de um soldado do 8⁰ BPM, próximo à Lagoa Samuel. Ele fez o caseiro refém, quebrou tudo, bebeu e fumou maconha. Também obrigou o funcionário a consumir a droga.

Segundo a corporação, o soldado chegou à propriedade no início da noite, foi até a cancela e, provavelmente, ao abri-la, o homem fugiu, levando o caseiro como refém.

O criminoso seguiu para a fazenda ao lado, a cerca de 700 m, e baleou três homens. Havia no local uma mulher e uma criança. Testemunhas informaram que o suspeito da chacina colocaria fogo na casa e não o fez por causa das vítimas.

Troca de tiros

Na noite de segunda (14), ele trocou tiros com um caseiro na área de Cocalzinho (GO). “Acho que acertei [o Lázaro], porque ele gemeu, [disse]. ‘Desgraçado, você me atirou, eu vou te matar’, ele falou”, narrou o caseiro.

O funcionário da propriedade rural teria atirado pelo menos oito vezes contra o suspeito, que conseguiu fugir. Apesar do testemunho do trabalhador, não há confirmação oficial se realmente ele saiu ferido do embate.

Veja imagens das buscas a Lázaro:

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