"Houve um erro", diz Celina sobre bebê que morta ao ser extubada
Governadora do DF afirmou que determinou rompimento de contrato com a empresa que realiza o transporte de pacientes após morte de bebê

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse que determinou o encerramento do contrato com a empresa terceirizada responsável pelo transporte sanitário da bebê Maria Vitória de Sousa Machado, de 5 meses, que morreu após ser acidentalmente extubada durante a transferência entre dois hospitais da rede pública do DF.
A declaração foi dada neste sábado (18/7), durante o lançamento da pré-candidatura de Celina, em Ceilândia, onde a governadora se reuniu com apoiadores.
“[A empresa] não continuará [prestando serviço]. Eu determinei ao secretário [de Saúde] porque isso é muito grave. A gente precisa separar os procedimentos. O que é imprudência, imperícia e aquilo que é negligência”, afirmou Celina.
A governadora ressaltou que é preciso diferenciar situações em que a morte ocorre, apesar de todos os esforços médicos, daquelas em que há falha na prestação do serviço.
“O que é aquilo que os médicos às vezes fez tudo que era possível mesmo se o paciente tivesse em um Einstein e a pessoa viria a óbito. A gente não pode misturar essas coisas. Mas no caso dessa criança, houve um erro. Então a gente não quer trabalhar realmente com essas empresas”, acrescentou.
- Maria Vitória saiu do Hospital Regional de Planaltina (HRP) com destino ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), quando foi desligada do respirador mecânico.
- Ela morreu na segunda-feira (6/7), mesmo dia em que deu entrada na unidade especializada em estado grave, com suspeita de bronquiolite.
Apesar da determinação, Celina explicou que o contrato ainda não pode ser encerrado de forma imediata, por se tratar de um vínculo firmado por meio de licitação pública.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“O nosso secretário está tomando todos os trâmites para fazer o encerramento do contrato. Porque também a gente não pode ficar sem contrato. A gente tem que abrir uma licitação nesse meio tempo de emergência para explicar porque nós estamos com os órgãos de controle”, disse.
Na quinta-feira (16/7), o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, já havia afirmado que, caso seja confirmado que a extubação acidental ocorreu durante o transporte, o contrato com a empresa será rescindido.
Segundo o secretário, ainda está sendo apurado se a extubação aconteceu na transferência entre os leitos, durante o trajeto da ambulância ou na retirada da paciente do veículo ao chegar ao Hospital da Criança.
“Nós não podemos concluir ainda essa informação porque está em apuração”, afirmou.
Entenda o caso
Segundo a família, Maria Vitória deu entrada no Hospital Regional de Planaltina em estado grave. A menina teve uma parada cardiorrespiratória, precisou ser reanimada, intubada e encaminhada para uma unidade de terapia intensiva (UTI).
Após conseguir uma vaga no Hospital da Criança de Brasília, a bebê foi transferida de ambulância. A família afirma que ela chegou viva à unidade, mas morreu depois de ser extubada acidentalmente enquanto a mãe realizava o cadastro da paciente.
“A mãe da criança falou para mim que Maria Vitória estava na ambulância normal, com vida. Quando ela saiu de perto da criança para fazer a ficha no Hospital da Criança, o médico já falou: ‘Vamos levar de volta para Planaltina, porque a bebê morreu’”, relatou a tia da menina, Clau Alves.
Prontuário médico
O Metrópoles teve acesso ao prontuário médico de Maria Vitória, que confirma a versão apresentada pela família de que a bebê morreu após ser “acidentalmente extubada”.
O documento informa que, após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante os procedimentos de estabilização, a criança foi reanimada, intubada e colocada em suporte intensivo.
O relato final registrado no prontuário aponta que a extubação acidental provocou uma nova parada cardiorrespiratória, que evoluiu para o óbito.
Maria Vitória tinha broncodisplasia pulmonar crônica, condição decorrente da prematuridade que exigia cuidados respiratórios específicos.
Segundo a tia, a menina utilizava oxigênio durante a noite e uma bombinha ao longo do dia para auxiliar na respiração e manter a saturação.



