Hospital Veterinário da UnB registra aumento de animais baleados no DF

Cinco aves e um primata foram atendidos com projéteis alojados no corpo nas últimas semanas. Quatro não resistiram e morreram

Foto: Arquivo PessoalFoto: Arquivo Pessoal

atualizado 09/08/2019 8:29

O aumento da caça a espécies silvestres no Distrito Federal e no Entorno ligou o alerta do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB). A instituição informou ter atendido casos de cinco aves e um primata atingidos por projéteis de chumbo apenas nos últimos 30 dias, com quatro óbitos. A unidade pede à população que denuncie a prática criminosa por meio da Ouvidoria do governo, no número 162, ou diretamente à Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema), no número 197.

De acordo com a médica-veterinária Júlia Vieira Herter, residente em clínica e cirurgia de animais silvestres, os animais foram encontrados por policiais ambientais em áreas urbanas de Taguatinga, Cidade Ocidental (GO) e Valparaíso (GO), todos com membros fraturados. “Foram dois carcarás, um papagaio-galego, um falcão quiriquiri, um tucano e um sagui-de-tufos-pretos”, detalhou.

O tucano passa por tratamento após ter sido atingido na cabeça por um projétil de chumbo, que ficou alojado, enquanto um dos carcarás aguarda cirurgia para remoção de parte da asa, alvejada por um tiro. Os demais animais chegaram a ser socorridos no hospital veterinário, mas não resistiram aos ferimentos.

“Diversão”

“É possível encontrar esses animais em propriedades particulares, na área urbana. Não acho que alguém cace os bichos para comer, então só consigo imaginar que o pretexto é diversão”, lamenta Júlia.

Segundo a veterinária, vários outros casos com indícios de terem decorrido de caça irregular chegaram ao hospital, mas a instituição ainda não compilou esses dados.

Veja uma das cirurgias:

 

Em junho, o Metrópoles revelou que moradores de Águas Claras denunciaram o abate de patos e gansos no parque ecológico da região administrativa. Na época, a superintendente de Unidade de Conservação do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Rejane Pieratti, afirmou se tratar de um caso pontual a ser investigado pela polícia ambiental. A suspeita é que algumas pessoas tenham pulado a cerca da reserva para praticar o crime.

O Decreto nº 39.066, de 22 de maio de 2018, regulamenta uma lei de 2007 sobre a proibição de caça e manutenção em cativeiro de animais silvestres. O indivíduo flagrado está sujeito a multas e a sofrer um processo judicial por maus tratos.

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