De onça a gambá: DF registra 7 aparições de animais silvestres por dia

Só nos primeiros seis meses do ano, 1.273 bichos foram resgatados. O número é 28% maior do que o computado no mesmo período de 2018

atualizado 14/07/2019 21:44

CBMDF/Divulgação

Jiboia na Asa Sul, jacaré debaixo da Ponte do Bragueto, onça-parda andando por condomínios de Sobradinho e até bicho-preguiça pendurado em poste. O Batalhão de Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal (BPMA-DF) registrou, até quarta-feira (03/07/2019) sete aparições por dia de animais silvestres em áreas urbanas. O número de ocorrências até o momento já é 28% maior do que o computado no mesmo período de 2018.

De acordo com o major José Gabriel de Souza Júnior, não há uma a razão única para o incremento de casos. “Creio que a população está mais consciente da importância da preservação ambiental e, por isso, recebemos mais chamadas. Além disso, as grandes chuvas do começo do ano, aliada à proximidade cada vez maior do ser humano com áreas preservadas tem contribuído para esse fenômeno”, opina.

Já o biólogo e diretor de mamíferos da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, Filipe Reis, lembra que, além de os humanos estarem se aproximando das reservas ambientais, as próprias unidades que comportam animais silvestres já estão bem próximas do limite. “Esses espaços possuem uma capacidade de suporte. Quando ela se preenche, os novos bichos precisam de um lugar para se acomodar e acabam se deslocando para áreas já urbanizadas”, explica.

Para Filipe, somente com políticas públicas que criem os chamados corredores de fauna, que as aparições irão se reduzir. “Isso evitaria que os animais ficassem ilhados, aumentaria a diversidade genética e trilharia caminhos fora do local urbano para eles se movimentarem.”

Relembre alguns casos registrados em 2019
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O Plano Piloto apresenta, de acordo com os especialistas, todas as características para que seja a região do DF com o maior número de aparições. “Por causa da presença do Lago Paranoá, de uma boa área verde conservada e da grande presença humana, é normal que este, junto dos Lagos Norte e Sul, seja o local com mais ocorrências”, cita o major Souza Júnior.

Preservar é importante

Filipe Reis destaca o papel significativo que cada animal tem para que o ecossistema fique equilibrado. “Se o animal é nativo, o ideal é só deixá-lo onde está.” A seca, segundo ele, pode fazer com que outros bichos saiam do seu habitat em busca de alimento. “Macacos-prego e quatis, por exemplo, podem precisar de procurar comida. O alto número de incêndios também pode obrigar os animais a saírem da zona deles”, conta.

Moisés Dias/ Metrópoles

O major Souza Júnior cita, como maior exemplo de animal que deve ser cuidado, o saruê, também conhecido como gambá. Tido como um bicho indesejado, é comum ver o marsupial sendo apedrejado. “O que muitas pessoas não sabem é que ele se alimenta de escorpiões. Essa onda de picadas pode, sim, ser relacionada com um desequilíbrio na cadeia: há poucos saruês para comerem muitos aracnídeos”, afirma.

Por conta disso, o Souza Júnior faz o alerta: nunca se deve tentar capturar ou pegar qualquer bicho. “É possível nos contatar pelo (61) 99351-5736. Normalmente, pedimos para que seja enviada uma foto, se possível. Caso o animal esteja dentro de casa, o ideal é fechar a porta do cômodo e esperar que o BPMA chegue. Se estiver em quintal ou garagem, tentar acompanhar os movimentos dele”, aconselha.

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