Hospital de Base: UTI tem 87% de lotação. Em áudio, médico fala em colapso

Na gravação, o cirurgião-geral fala da chegada do pico da pandemia "nesta semana", e cogita lockdown para evitar que a crise aumentasse

Fachada hospital de BaseMike Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 28/06/2020 11:12

Na tarde deste sábado (27/06), um áudio começou a circular pelo WhatsApp de profissionais de saúde e revelou o desespero de um médico da linha de frente do combate à Covid-19 perante a perspectiva de o sistema de saúde na capital federal colapsar. O depoimento do doutor Lucas Seixas, do Hospital de Base, o maior da rede pública do Distrito Federal, alertava para a chegada do “pico da pandemia” em um momento no qual, alegava, as vagas nas unidades públicas e privadas teriam se esgotado.

Como revelou o site O Antagonista e o Metrópoles confirmou, na gravação, o cirurgião-geral traçou um panorama dramático:

“Estamos com 100% de ocupação dos nossos ventiladores. Gostaria que vocês unissem forças para dar as altas necessárias”, diz. E prossegue: “Vamos aguentar firmes, todos unidos, porque o pico chegou e esta semana será muito difícil”.

Ouça o áudio:

No áudio, o médico alega ter sugerido à Secretaria de Saúde e ao gabinete do governador Ibaneis Rocha (MDB) a decretação de um lockdown (fechamento geral, com exceção de serviços fundamentais) entre a terça-feira (30/06) e 14 de julho.

“Fizemos uma sugestão de lockdown, para que a gente tenha uma diminuição gradativa dos leitos com ventilação e a segunda semana de julho seja mais tranquila, mesmo que a gente postergue um pouco mais a crise intra-hospitalar. Mas é necessário, porque se esgotaram as vagas privadas, as públicas, e nós estamos criando mais.”

Neste sábado, o Hospital de Base estava, segundo os dados oficiais, com ocupação de 87% em seus leitos, o que é um índice que não é considerado confortável pelas próprias autoridades no contexto de uma pandemia que se espalha rapidamente. Outros hospitais públicos com taxas elevadas de leitos tomados eram o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), com 81%; e o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), com 70%.

Na rede como um todo, segundo dados oficiais apresentados pela Secretaria de Saúde, “na tarde deste sábado, dos 497 leitos de UTI reservados para casos de Covid-19 na rede pública, 300 estavam ocupados. Nos hospitais particulares, de 218 leitos disponíveis, 179”.

Os números de toda a rede pública atualizados às 13h de sábado (27/06), pela Sala de Situação da Secretaria de Saúde, registravam índice de 60,36% de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da rede pública destinadas exclusivamente aos pacientes graves de Covid-19.

Em um áudio complementar, enviado pouco depois do primeiro, Seixas é ainda mais contundente: “Neste fim de semana, é não deixar ninguém morrer no corredor sem ventilador”.

Apesar da situação tensa com o avanço da pandemia, o governo não trabalha com a hipótese de lockdown nas próximas horas. Uma das razões é a destinação, pelo Ministério da Saúde, na sexta-feira (26/06), de 150 respiradores para o DF, justamente com o objetivo de ampliar a capacidade dos atendimentos a pacientes com o novo coronavírus em 13 unidades da rede pública local. Desse total, 90 são para leitos e os outros 60 são de transporte e emergência.

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