Viúva detalha quem era italiano morto no DF: “Homem de fé e generoso”
Pastor e artista plástico renomado, Orazio Giuliani, estava no Brasil há 14 anos e queria ser enterrado no país que o acolheu
atualizado
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“Um homem de fé inabalável e generoso”, é com essa lembrança que a família de Orazio Giuliani define quem era o pastor evangélico e artista plástico italiano assassinado em São Sebastião (DF), no último sábado (11/4). O idoso, de 80 anos, considerado um artista renomado na Itália, morava há 14 anos no Brasil. Ele foi vítima de latrocínio, roubo seguido de morte, e seu corpo foi encontrado nessa terça-feira (14/4) após três dias de busca.
O pastor italiano teve a vida ceifada de forma trágica e violenta. Deixou três filhos na Itália, além de cinco netos e um bisneto, que nasceu há três meses. Os suspeitos de cometerem o crime, os pedreiros Bruno Cruz de Araújo e Leonardo da Conceição, já foram presos.
A trajetória de Orazio em terras brasileiras começou em 27 de janeiro de 2012, quando veio morar em Brasília (DF) após conhecer sua esposa, Maria Lurdes, três anos antes, na Itália. Após ter uma longa carreira como artista plástico e pastor, o italiano levava uma vida tranquila no Jardim Botânico (DF).
“Ele é uma pessoa pessoa muito, muito de coração bom, sabe? Que não faz mal a ninguém, que não prejudica ninguém. Se tiver uma formiguinha andando aqui, ele não mata. Eu matava, mas ele não”, descreveu Maria, viúva de Orazio.
O homem dedicava seus últimos dias à construção de uma igreja, onde pretendia oferecer projetos sociais à população e até uma creche para crianças. De acordo com familiares, a inspiração para a obra se ligava ao seu propósito de vida voltado à filantropia. Orazio costumava passar o dia no local e mantinha contato direto com trabalhadores da obra e moradores da região.
“Ele resolveu comprar aqueles lotes e a ideia desde o início foi de fazer uma uma obra social, uma igreja. Ele também queria que tivesse uma creche. Eu questionava por que ele mexia com aquilo já nessa idade. Ele disse que sonhou com isso na Itália e que também era um divertimento”, relembra a esposa.
Apesar de morar em Formosa (GO), no Entorno do Distrito Federal, o enteado de Orazio, Thiago Jatobá carrega boas lembranças do seu padrasto. “Era uma relação de bastante respeito. A gente não tinha tanta proximidade, mas se respeitava”, contou.
Thiago relembrou ainda de uma situação engraçada envolvendo Orazio, que costumava usar camisas de times de futebol brasileiros, apesar de não ser fã do esporte. “Ele tinha camisa do Vasco e do Flamengo. Usava as camisas dos times porque achava bonito. Um dia ele chegou a usar camisa do Vasco com um short do Flamengo, aí eu falei para ele: “não sai de casa assim não porque ninguém vai entender”, recordou o enteado.
Religião, fé e amor pelo Brasil
Nascido em Vico del Gargano, cidade na costa adriática da Itália, Orazio era bastante religioso. Ganhou a vida como artista plástico renomado em seu país. Pintou diversos quadros e fez exposições em museus na Itália e no Brasil, em cidades como Brasília e Rio de Janeiro.
“Ele ganhava a vida na Itália vendendo quadros, mas nos últimos dois anos ele deu uma parada. De vez em quando, ele ainda vendia alguns quadros”, comentou Maria Lurdes.
Além de ser apaixonado pela pintura, Orazio começou a cultivar paixão por esculturas e praticava a atividade em casa.
O Metrópoles teve acesso às obras deixadas pelo italiano em sua residência.
Segundo a família, Orazio gostava muito do Brasil e teria dito ao filho que queria ser enterrado no país que ele aprendeu a amar. “Já se sentia quase um brasileiro. Ele gostava mesmo daqui e até falava que tinha vontade de morar em Sergipe”, contou a viúva do italiano.
Pedreiros contratados dias antes
Os familiares do pastor italiano e artista plástico Orazio Giuliani, de 80 anos, revelaram que os dois pedreiros responsáveis pelo latrocínio do homem começaram a trabalhar na obra da igreja um dia antes de cometerem o crime em São Sebastião (DF). O caso aconteceu no sábado (11/4).
A esposa do italiano informou que, no sábado, ele teria visto pelas câmeras instaladas no local que um dos pedreiros teria ficado muito tempo deitado e também ouviu relatos de um vizinho sobre o comportamento. Após isso, ele teria combinado que pagaria somente metade do valor combinado na diária. Maria Lourdes acredita que isso possa ter motivado o crime.
“Ele era um italiano muito pontual, muito correto. Então, provavelmente essa história que ele disse que ia pagar meia diária porque o cara trabalhou metade do dia, pode ter causado a desavença”, analisou Maria.
“Nós vimos depois nas câmeras que eles saíram por volta de 20h57 e nós chegamos lá por volta de 21h12. Foi livramento, porque se a gente chega na hora podíamos ser vítimas também”, disse a viúva do italiano.
Justiça
A viúva de Orazio conta que ainda busca assimilar a morte do companheiro e precisou contar com ajuda médica. “Acho que a ficha ainda não caiu. A verdade é essa: ainda estou meio aérea”, relatou.
“Ele [Orazio] tinha uma fé muito inabalável. Por isso, achava que nada aconteceria com ele. Espero que essa justiça venha de Deus mesmo”, desabafou Maria Lurdes.
A família ainda aguarda a liberação do corpo para tomar as providências do velório. Os parentes do pastor estão recebendo auxílio da Embaixada da Itália no Brasil.
A Polícia Civil do DF (PCDF) segue investigando o caso para tentar desvendar a motivação do crime.














