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Distrito Federal

Governo de Goiás não explica obra em fazenda de Liliane Roriz

Suspeita é que via de acesso à fazenda da parlamentar tenha sido pavimentada com dinheiro público. Executivo goiano será notificado de novo

22/01/2018 05:30, atualizado 22/01/2018 06:45
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Governo de Goiás não explica obra em fazenda de Liliane Roriz

O governo de Goiás ignorou o pedido do Ministério Público local (MPGO) para prestar explicações sobre a possibilidade de a pavimentação da fazenda da deputada distrital Liliane Roriz (PTB) ter sido concluída com recursos públicos. A suspeita de a empresa contratada, por R$ 14,4 milhões, para asfaltar a GO-425 ter feito um “puxadinho” na propriedade da parlamentar foi noticiada pelo Metrópoles em novembro de 2017.

O MPGO pediu que a Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) apresentasse documentos comprovando que o imóvel da distrital não foi beneficiado com verba pública. Em 30 de novembro, a promotora do Patrimônio Público de Goiânia, Marlene Nunes Freitas Bueno, encaminhou ao Executivo local uma representação cobrando a cópia do acordo firmado com a Eletro Hidro Ltda. (EHL), empresa contratada pela Agetop para pavimentar 12 quilômetros da GO-425.

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Mesmo com mais de três semanas de prazo, a Agetop não apresentou documento algum. Para cumprir com os deveres legais, mandou apenas uma resposta referente aos termos da representação, mas o MPGO não ficou satisfeito. Agora, vai exigir novamente as cópias solicitadas.

O ofício foi concluído na quinta-feira (18/1) e despachado na sexta (19). A previsão é que chegue ao Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo estadual,  nesta segunda-feira (22). A partir da entrega, o governo goiano terá 10 dias corridos para apresentar o contrato e a cópia da execução do serviço.

Governo de Goiás não explica obra em fazenda de Liliane Roriz - destaque galeria
18 imagens
Em imagem do Google Maps, é possível ver a entrada da fazenda antes das obras, com mato queimado e terra
Via de acesso à fazenda de Liliane Roriz, na GO-425, antes das obras
Levantar poeira era inevitável antes das obras no local
Funcionário trabalha na via de acesso à propriedade particular de Liliane Roriz
Obras no local, com canaletas, rodapé e sistema de escoamento
Reprodução do Google Maps mostra trecho antes de ser asfaltado, tomado pelo mato e com chão de terra batida
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Reprodução do Google Maps mostra trecho antes de ser asfaltado, tomado pelo mato e com chão de terra batida

Reprodução
Em imagem do Google Maps, é possível ver a entrada da fazenda antes das obras, com mato queimado e terra
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Em imagem do Google Maps, é possível ver a entrada da fazenda antes das obras, com mato queimado e terra

Reprodução
Via de acesso à fazenda de Liliane Roriz, na GO-425, antes das obras
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Via de acesso à fazenda de Liliane Roriz, na GO-425, antes das obras

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Levantar poeira era inevitável antes das obras no local
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Levantar poeira era inevitável antes das obras no local

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Funcionário trabalha na via de acesso à propriedade particular de Liliane Roriz
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Funcionário trabalha na via de acesso à propriedade particular de Liliane Roriz

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Obras no local, com canaletas, rodapé e sistema de escoamento
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Obras no local, com canaletas, rodapé e sistema de escoamento

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Ainda há brita no acesso à fazenda da deputada distrital Liliane Roriz
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Ainda há brita no acesso à fazenda da deputada distrital Liliane Roriz

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Pista de acesso à guarita da fazenda foi pavimentada. Segundo funcionários, a brita estende-se até o mata-burro
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Pista de acesso à guarita da fazenda foi pavimentada. Segundo funcionários, a brita estende-se até o mata-burro

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Pela cerca da fazenda, é possível notar as alterações
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Pela cerca da fazenda, é possível notar as alterações

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Animais caminham sobre o piso novo na propriedade de Liliane
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Animais caminham sobre o piso novo na propriedade de Liliane

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Casa onde moram funcionários da deputada, na entrada da fazenda
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Casa onde moram funcionários da deputada, na entrada da fazenda

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Trecho da rodovia GO-425, asfaltada recentemente
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Trecho da rodovia GO-425, asfaltada recentemente

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Trecho da pista recém-asfaltada
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Trecho da pista recém-asfaltada

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Placa no trevo entre a GO-425 e a pista de acesso a Corumbá IV
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Placa no trevo entre a GO-425 e a pista de acesso a Corumbá IV

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Guarita de acesso à Agropecuária Palma não foi asfaltada
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Guarita de acesso à Agropecuária Palma não foi asfaltada

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Entrada da fazenda Palma foi asfaltada
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Entrada da fazenda Palma foi asfaltada

Ian Ferraz/Metrópoles
Acesso a uma propriedade na GO-425 que segue inalterada
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Acesso a uma propriedade na GO-425 que segue inalterada

Ian Ferraz/Metrópoles
Outras propriedades que ficam na GO-425 não receberam pavimentação
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Outras propriedades que ficam na GO-425 não receberam pavimentação

Ian Ferraz/Metrópoles

Versões
O Ministério Público de Goiás quer saber se obra de 1,5km realizada na entrada da fazenda de Liliane Roriz foi uma extensão da pavimentação da GO-425. Investiga ainda se houve favorecimento ilegal a partir de um contrato que envolve dinheiro tirado dos cofres do governo comandado por Marconi Perillo (PSDB-GO), aliado histórico do pai de Liliane, o ex-governador do DF Joaquim Roriz. Nos bastidores políticos, comenta-se que a benfeitoria é uma promessa antiga feita há anos por Perillo ao próprio Roriz.

Em um primeiro momento, a empresa afirmou que a obra realizada era particular e que a parlamentar havia pago pelo serviço. Após o pedido de comprovação dos pagamentos por meio de notas, outra versão dos fatos surgiu. O asfaltamento do trecho teria sido feito por meio de permuta prevista em contrato. A contrapartida para o serviço seria em cascalho. A EHL teria retirado o mineral de uma jazida da fazenda para uso na obra da GO-425.

O projeto que prevê a retirada do cascalho da propriedade de Liliane Roriz deveria ser público, pois embasou a licitação para a obra na GO-425, paga com dinheiro do Tesouro local. No entanto, nenhuma das partes envolvidas apresenta o documento.

A resposta da Agetop
Procurada pela reportagem, a Agetop afirmou que não é responsável pela obra na chácara, que fica próxima a Luziânia (GO). “Os contratos firmados entre as empresas e pessoas particulares não diz respeito ao órgão. A Agetop é responsável somente pelo contrato que, licitamente e por licitação, foi assinado entre a empresa e o órgão”, afirmou.

Mesmo com a negativa do Ministério Público, a estatal goiana disse que encaminhou todos os documentos necessários.

Procurada, a assessoria da deputada Liliane Roriz (PTB) não quis se pronunciar sobre o assunto.