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Quem trafega pelo trecho de 12km recém-pavimentado da GO-425, que liga Luziânia ao Jardim Lago Azul, no Novo Gama (GO), percebeu, nas últimas semanas, uma paisagem diferente. Em vez de mato alto, poeira e terra batida, hoje há asfalto e sinalização. A mudança no cenário não beneficiou apenas os motoristas que percorrem a estrada rural. A pista que dá acesso à fazenda da deputada distrital Liliane Roriz (PTB), próxima ao Km 5 da rodovia, também foi asfaltada.

A empresa Eletro Hidro Ltda. (EHL), contratada pelo governo de Goiás, pavimentou o trecho da estrada entre as duas cidades goianas. Coincidentemente, a mesma companhia também asfaltou o braço de aproximadamente 1,5km entre a rodovia e a propriedade da parlamentar. Os terrenos vizinhos, no entanto, permanecem na mesma configuração anterior, com acesso apenas por chão batido.

O asfaltamento da GO-425 valoriza a Agropecuária Palma, uma gigante de laticínios que pertence ao clã Roriz. Nos bastidores políticos, comenta-se que a benfeitoria é uma promessa antiga feita há anos pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. Os dois são aliados históricos e foram, no começo da carreira política, filiados ao PMDB.

A reportagem do Metrópoles esteve no local e constatou que o novo piso extrapola os limites da estrada pública e segue inclusive cerca adentro (foto em destaque), em direção à fazenda da filha mais nova de Joaquim Roriz. Depois da porteira, é possível ver bois e vacas andando no asfalto recente.

A pista principal já ficou pronta, mas ainda há homens da EHL trabalhando no trecho da propriedade de Liliane. Um deles confirmou à reportagem que é funcionário da empresa.

A EHL confirmou as intervenções dentro e fora do imóvel de Liliane e garantiu não haver irregularidades nos procedimentos. Mas se recusou a mostrar o contrato firmado com a Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop) – órgão do governo de Goiás responsável pela seleção da empresa. Também não informou se a obra na propriedade da deputada foi financiada com recursos públicos ou pela própria parlamentar.

Procurada pela reportagem, a Agetop informou não executar obras de pavimentação em propriedades particulares. O órgão do governo goiano disse ter destinado à empresa R$ 14 milhões pelas benfeitorias na GO-425, o que não incluiria nenhuma reforma na fazenda da distrital.

Questionada pela reportagem sobre notas fiscais e ordens bancárias que comprovassem a contratação da empresa de pavimentação, a deputada não se manifestou. Por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não comentaria o caso.

Levando em consideração que toda a obra contratada pelo Executivo goiano custou quase R$ 15 milhões, por paralelismo, o percurso entre a via principal e a casa de Liliane teria de alcançar cifras milionárias. Mas o suposto desembolso da quantia é um mistério. Nem o governo estadual, nem a empresa prestadora de serviço, nem a deputada distrital explicam como uma obra pública de Goiás acabou batendo à porta de uma política do Distrito Federal.

Veja o antes e depois do trecho da GO-425 que corta a fazenda de Liliane Roriz

 

Condenada
Enquanto cuida de seus negócios privados, a deputada distrital trava uma batalha na Justiça para manter seu cargo eletivo. Condenada a 4 anos, 5 meses e 8 dias em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 32,4 mil por compra de votos, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Liliane teria o pedido de cassação analisado pela Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em 22 de novembro. A análise, porém, acabou adiada para esta quarta (29).

A parlamentar também será ouvida na 2ª Vara de Fazenda do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), sob a condição de testemunha no processo da Operação Drácon, a respeito de um suposto esquema de corrupção em que distritais são suspeitos de aprovar emendas parlamentares em troca de propina. Liliane encontra-se de licença médica da CLDF e deve retornar ao trabalho nos próximos dias.

 

 

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