Golpe na conta de servidores do GDF rendeu R$ 200 mil em um mês

Dois receptadores do dinheiro roubado foram presos nessa terça-feira. A investigação avança aos líderes da quadrilha

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 16/10/2019 20:44

Os dois homens presos na noite dessa terça-feira (15/10/2019) e acusados de realizar saques fraudulentos da conta de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) no Banco de Brasília (BRB) são apenas a base de uma pirâmide criminosa muito maior.

Segundo as investigações da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a dupla era a “ponta final” de fraudes realizadas por uma organização que lucrou quase R$ 200 mil só no mês de setembro.

O lucro do bando, contudo, é muito maior. A polícia investiga há quanto tempo a quadrilha agia e quantos servidores foram alvo dos criminosos.

“É uma teia muito grande. Há o líder, responsável por obter dados pessoais, e, um nível abaixo, tem aqueles que fazem a engenharia social, convencendo as pessoas a passarem dados bancários. No fim há os receptadores, que disponibilizam a conta para receber o dinheiro roubado”, explica Letízia de Lourenço, delegada-adjunta da DRCC.

De acordo com a polícia, servidores do GDF recebiam ligações de pessoas se passando por funcionários do Banco de Brasília e, assim, conseguiam que os próprios clientes passassem o QR Code das contas. Com os dados em mãos, saques e empréstimos eram realizados.

Letízia conta que Pedro Roth Silva Barros e Thiago Henrique Silva, a dupla presa na noite de terça-feira, eram os receptadores do montante. “A função deles era receber a quantia, fazer a lavagem de parte dos valores desviados e, depois, repassar para as camadas superiores”, relatou.

Em um esquema sofisticado, os acusados também transferiam recursos par contas de bancos digitais, simulando transações e fazendo a lavagem do dinheiro automaticamente. Em apenas um dia, obtiveram aproximadamente R$ 27 mil com o golpe.

 

A maneira para “esconder” a origem do dinheiro era por meio de pagamentos feitos em máquinas de cartão de crédito no próprio nome dos receptadores. Em depoimento, os detidos admitiram a prática em ao menos 10 oportunidades.

“Agora, os telefones deles serão periciados. Verificaremos todos os contatos para ver com quem eles conversavam, para onde eram feitas transferências”, disse a delegada.

Pedro e Thiago serão indiciados por receptação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas, somadas, podem chegar a 22 anos de prisão.

Por meio de nota, o BRB informou que atua em conjunto com a Polícia Civil do Distrito Federal para desarticular quadrilhas e prender os responsáveis. o banco alerta seus clientes, com frequência, sobre a importância de eles manterem os dados em sigilo, e avisa que não solicita informações como senhas, tokens ou QR Codes.

Veja objetos apreendidos:
PCDF/Divulgação
Objetos apreendidos: celulares, cartões e máquinas

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