As cenas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), reacenderam a discussão sobre a segurança nos centros de ensino. No Distrito Federal, a Secretaria de Educação (SEE-DF) aposta no programa Escolas em Paz, ainda sem previsão de lançamento, que conta com um grupo de trabalho “para mapear situações de violência física e psicológica, com o objetivo de subsidiar as novas ações”.

Entre as medidas analisadas, estão a expansão do número de câmeras de monitoramento, botão do pânico para acionar as forças de segurança mais próximas em caso de situações de perigo, aulas de meditação e mediação de conflitos, catracas que exigem identidade estudantil para entrar nas escolas e até nota de comportamento compondo a média final dos alunos, com o objetivo de estimular a disciplina dentro dos colégios.

Mesmo sem o programa, de acordo com a pasta, todas as unidades da rede pública estão seguras e contam com vigilantes “posicionados estrategicamente nas portas” para evitar a entrada de estranhos. A secretaria destaca, ainda, a parceria com o Batalhão Escolar da Polícia Militar (PMDF) para promover a segurança nos colégios. No entanto, a quantidade de militares nos locais caiu vertiginosamente nos últimos 30 anos, segundo a própria corporação.

Segundo a PMDF, em 1989, quando o batalhão foi criado, 914 policiais cuidavam de 529 estabelecimentos de ensino, uma média de 1,7 profissional por unidade. Em 2018, eram 304 policiais para 1.250 escolas – 0,24 por colégio. Apesar disso, a assessoria de comunicação da força garante que houve avanço na inteligência para esse tipo de policiamento e, mesmo com menor efetivo, existe segurança.

Em abril do ano passado, por exemplo, a PMDF apreendeu um adolescente de 17 anos após ele compartilhar mensagens com um colega sobre promover uma chacina em uma escola no Gama. “Só quero matar. Não vou ter escolha”, escreveu o rapaz.

A corporação informou também que há um protocolo de ações nas áreas sensíveis, além de uma série de operações que podem ser deflagradas de acordo com a situação. Uma delas é a Varredura, para abordagens dentro das instituições; e a Escola Livre, com foco em revistas na porta dos colégios.

Existe, ainda, a Operação Bloqueio Escolar, com criação de perímetro de segurança de até 100 metros a partir dos portões; e a Gerente, que inclui um negociador caso haja reféns. “A polícia mantém contato com os gestores, por meio de reuniões e visitas, ocasiões em que são estabelecidas relações diretas com o Comando Regional”, detalhou, a PMDF, por meio de nota.

Falta presença
Diretor do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Cláudio Antunes reafirma a importância da parceria da Educação com o Batalhão Escolar para nunca ter havido incidentes parecidos com o de Suzano em Brasília, mas cobra reforço. “Até o meados de 2007, o batalhão fazia plantão em todas as escolas, não na forma de rodízio, como ficou depois. Ficavam seis horas nas pré-escolas e creches e o turno inteiro nos centros de ensino médio e fundamental”, relata.

Cláudio Antunes destaca que os dois assassinos da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, haviam frequentado a instituição e, por isso, tiveram acesso facilitado. Segundo o sindicalista, a presença de policiais no interior das unidades do DF pode evitar esse tipo de fragilidade.

Naquela época, o agressor vinha, batia na porta e tinha uma farda lá dentro. Agora, o agressor sabe que a escola só tem funcionário desarmado. O porteiro é apenas porteiro"
Cláudio Antunes, diretor do Sinpro-DF

Pela raiz
Vice-presidente do Conselho de Educação do Distrito Federal e presidente do braço local do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe-DF), Álvaro Moreira Domingues Júnior afirma que iniciativas como a militarização das escolas, movimento iniciado no governo de Ibaneis Rocha (MDB), também são eficientes.

“A educação no Brasil padece de vários problemas, e a militarização é uma solução saudável e plausível para o contexto de vulnerabilidade social em que as escolas estão. O governo está coberto de razão nesse aspecto”, opina.

“Infelizmente a prevenção que os policiais fazem não emerge nas estatísticas, mas tenho certeza que, pela vivência de mais de 40 anos em escolas aqui, o Batalhão Escolar faz trabalho inestimável para a sociedade. Então, a polícia precisa ser reforçada e continuar dentro das escolas”, complementa Álvaro Moreira.

O dirigente pondera, porém, que a raiz de um ataque como o ocorrido em São Paulo é a “situação patológica dos alunos”. “Fui diretor e professor e, mais de uma vez, vivenciei situações em que estudantes apresentavam comportamento parecido com o que deve ter sido desse rapaz em Suzano. Atuamos de maneira preventiva, chamamos os pais, alertamos. Normalmente, com pais presentes você resolve as situações e isso não aparece em estatística. O que é prevenido não aparece em estatística”, conclui.