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Centenas de pessoas no Distrito Federal tiveram o tratamento de doenças comprometido após receberem, de clínicas, falsos diagnósticos de exames. Na terça-feira (31/10), a Polícia Civil desarticulou um esquema criminoso que enganava pacientes em Samambaia e no Recanto das Emas. Apontado como líder do bando, Thiago Henrique Silva Gonçalves, 27 anos, foi detido.

Investigadores descobriram que Thiago se preparava para expandir a atividade criminosa para fora do DF. O acusado planejava abrir um novo estabelecimento em Goiânia. “Muitas vítimas podem estar com uma doença grave, como aids, e não saber por causa de falsos resultados de exame”, exemplifica o delegado-chefe da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul), Júlio César de Oliveira.

As apurações começaram há cerca de dois meses. À época, duas pacientes notaram que os resultados de seus exames eram idênticos. Elas, então, consultaram outro médico, que as alertou sobre a possibilidade de erro. As vítimas, na sequência, denunciaram o caso.

 

Thiago foi detido em sua casa, em Samambaia, durante a Operação Falso Resultado, deflagrada pela PCDF. Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão e recolheram computadores. Ele se apresentava como dono da Clínica do Povo, que tem três filiais (todas alugadas). Duas ficam na cidade onde ele reside — uma delas, inclusive, situada ao lado da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) — e outra no Recanto das Emas. A escolha do local próximo a uma grande unidade de saúde foi estratégica, devido ao movimento intenso de pacientes.

O delegado acrescenta que o suspeito deixou de pagar o laboratório, que, imediatamente, interrompeu a prestação de serviços. Ainda não se sabe como, Thiago conseguiu acessar o sistema do estabelecimento e, assim, passou apenas a alterar os nomes dos examinados. “O Thiago, certamente, não agia sozinho. Agora nós concentramos esforços para localizar quem o ajudava”, disse o investigador.

Após a prisão do suspeito, ao menos 10 vítimas procuraram a polícia, de acordo com o delegado, totalizando 34. Mas o número de pessoas enganadas pode ser muito maior e chegar a centenas. Thiago está detido preventivamente e responderá por estelionato e crime contra o patrimônio. A polícia concentra esforços para saber quanto ele e seu grupo movimentaram com a fraude.

 

 

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