“Foi uma surpresa”, diz mãe que deu à luz trigêmeos aos 40 anos
Laura, Lara e Lorenzo nasceram prematuros, de parto normal, após gestação de alto risco acompanhada no Hospital Universitário de Brasília
atualizado
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A rotina da dona de casa Leidiane Nogueira (foto em destaque), de 40 anos, mudou completamente após a descoberta de uma gravidez que começou cercada de surpresa. Moradora de Planaltina (DF), Leidiane descobriu que estava grávida com cerca de um mês de gestação.
Já no primeiro ultrassom, veio a notícia inesperada de que não seria apenas um bebê. Segundo Leidiane, os exames revelaram inicialmente dois bebês e só depois, veio a confirmação de uma gestação trigemelar.
“Eu não imaginava que seria trigêmeos, deu quatro meses e minha barriga foi crescendo. Fiz o primeiro ultrassom e o médico falou que tinham duas bolsas e depois ele falou que tinha mais uma e eu levei um susto”, contou Leidiane ao Metrópoles.
Em 13 de maio, Laura, Lara e Lorenzo nasceram de parto normal no Hospital Universitário de Brasília (HUB), com 33 semanas de gestação. Prematuros, os três seguem internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIn) da unidade.
A gravidez foi considerada de alto risco pois Leidiane tem histórico de hipertensão crônica, doença tireoidiana e desenvolveu diabetes gestacional.
Mesmo diante dos desafios, ela afirma que encontrou acolhimento durante todo o processo de pré-natal e do parto.
A escolha dos nomes também carrega um significado especial. Segundo Leidiane, os nomes dos três filhos foram escolhidos em homenagem ao próprio nome dela, todos iniciados com a letra “L”.
Mãe de um menino de 12 anos, ela conta que a segunda gravidez foi muito diferente da primeira. As dores intensas e o peso da barriga marcaram os últimos meses da gestação.
“Eu sentia muita dor. A barriga pesava muito, eles mexiam também muito […] Mas graças a Deus estão cuidando muito bem de mim”, afirmou.
Apesar da delicadeza do caso, a gravidez ocorreu de forma natural e teve um desfecho positivo. O parto, no entanto, exigiu esforço e resistência e Leidiane conta que passou mais de cinco horas em trabalho de parto.
“Eu comecei a sentir a sensação de dor e eu comentei para a minha irmã chamar alguém […] Aí foi a hora que o doutor Lúcio chegou e ele falou que já estava saindo. Aí primeiro foi a Laura, depois a Lara e depois o Lorenzo”, relembrou.
Agora, com três recém-nascidos, a preocupação da família é conseguir montar o enxoval completo para os bebês. Leidiane diz que ainda precisa de itens como carrinhos, berços e roupas.
“Eu não tenho carrinho, vai ficar difícil para mim. E um berço ou pelo menos dois. Se alguém quiser me ajudar, e se der a vontade”, disse.
Interessados em ajudar podem contribuir por meio do Pix: 031.929.581-89.
Gravidez de risco
O ginecologista e obstetra do HUB Lúcio Ribeiro Silva acompanhou o parto de Leidiane. Segundo ele, a equipe inicialmente acreditava que a paciente passaria por uma cesariana, procedimento geralmente indicado em gestações trigemelares.
“Quando eu fui avaliar o primeiro bebê já estava no canal vaginal, já estava saindo e ela muito ansiosa porque foi programado uma cesariana e essa cesariana não aconteceu, mas eu expliquei para ela [que o] bebê já está no canal”, contou.
“Esse bebê no canal é muito complicado a gente empurrar esse neném para fazer uma cesariana. Vamos deixar esse neném nascer e depois que ele nascer a gente avalia o que vai acontecer com os próximos”, acrescentou.
Assim que perceberam que o parto seria natural, profissionais do hospital se mobilizaram rapidamente para prestar suporte à mãe e aos bebês.
Segundo o obstetra, apesar de prematuros, os trigêmeos nasceram bem e saudáveis.
“Eles estão na UTI só por uma questão de cuidado para ganhar peso, mas a gente pode depois avaliar os bebês e eles estão ótimos, não estão precisando de suporte nenhum. É mesmo só um cuidado, porque são prematuros, requer um cuidado maior e precisam ganhar peso para poderem ir para casa”, destacou.
Lúcio explicou que a gravidez após os 35 anos já é considerada de alto risco e que o caso de Leidiane exigia ainda mais atenção por conta das condições clínicas associadas.
“A Leidiane tem um fator a mais, ela tinha 40 anos. Além de ter 40 anos, ela desenvolveu hipertensão e também desenvolveu diabetes. Então, tudo isso compõe aí um fator maior para uma gestação de alto risco”, disse.
O médico afirmou ainda que já havia acompanhado outros partos de trigêmeos, mas todos haviam terminado em cesariana. O caso de Leidiane foi o primeiro parto trigemelar natural conduzido pela equipe.
Para Lúcio, um dos fatores que mais chamaram atenção foi a confiança e a força de Leidiane durante o processo.
“Essa grande mulher que aceitou mesmo com medo, uma vivência anterior de um parto normal de um bebê de quatro quilos, que foi traumática, e ela confiou na equipe e deixou acontecer e foi o sucesso que foi o parto normal. E para mim, claro, como obstetra, é o milagre da vida acontecendo”, declarou.
A ginecologista e obstetra do HUB Silandia Amaral, especialista em gestação acima dos 35 anos, acompanhou de perto o caso de Leidiane. Segundo a médica, a combinação entre a idade da paciente, as comorbidades e a gestação múltipla tornou o caso ainda mais delicado.
De acordo com Silandia, gestações múltiplas podem ocorrer com mais frequência após os 35 anos por causa das alterações hormonais naturais do organismo. Ela afirma que, com o avanço da idade, o corpo tenta compensar a redução da capacidade reprodutiva estimulando mais intensamente os ovários.
Segundo a obstetra, Leidiane ovulou dois óvulos e um dos embriões acabou se dividindo durante a gestação, o que resultou nos trigêmeos.
“No caso dela, ela ovulou duplamente, engravidou dos dois óvulos e um dos embriões se dividiu, dando para ela dois filhos que são idênticos, ou seja, eles vieram do mesmo óvulo, e um que não é idêntico. Então, é um contexto realmente muito delicado”, explicou.
A médica destacou ainda que a gravidez exigiu uma estrutura hospitalar preparada e acompanhamento multidisciplinar ao longo de toda a gestação. Segundo ela, Leidiane precisou ficar internada antes do parto para que as equipes organizassem a assistência e o melhor momento para o nascimento dos bebês.
Silandia ressaltou ainda que toda a condução do caso teve como prioridade a segurança da mãe e dos bebês. Apesar de partos trigemelares normalmente terminarem em cesariana, a equipe avaliou que o parto vaginal seria possível e seguro naquele contexto.
“Se a equipe tem essa segurança, a paciente está tranquila em relação a isso, e nós temos essa estrutura viável, obviamente que um parto vaginal traz para essa paciente um benefício gigantesco. Ela vai cuidar de três filhos não estando operada”, destacou Silandia.
“Então, vocês viram ela aí, andando livremente, e se cuidando e cuidando dos filhos. Então, esse é um ganho muito grande, mas, de fato, é uma excepcionalidade e a gente sabe que é um parto também em um contexto muito delicado”.






















