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A crise provocada pela greve dos caminhoneiros ainda não acabou totalmente. Os planos de fazer almoço no domingo (3/6), dia do jogo amistoso entre Brasil e Croácia, por exemplo, podem ir por água abaixo. Afinal, a comercialização do gás de cozinha (GLP) e de combustíveis não está normalizada, assim como a distribuição de alguns alimentos. Por outro lado, a cerveja está garantida.

Mesmo com a previsão de chegada, neste sábado (2), de 28 mil botijões – 8 mil a mais que a média de consumo diário –, o setor deve voltar à normalidade apenas daqui a três dias, segundo estima o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP do DF (Sindvargas), Sérgio Costa. Para isso, porém, o sindicalista alerta: é preciso que as pessoas comprem só o necessário.

Na sexta-feira (1º), as revendedoras receberam 18 mil botijões, os quais foram vendidos rapidamente. Sérgio Costa disse que a escassez ocorre porque “pessoas que não precisam de fato do produto estão estocando”.

Outro problema foi constatado pelo Metrópoles nessa sexta. Aproveitando-se do desespero da população, atravessadores compram gás e o oferecem por até três vezes mais do que o valor cobrado nas revendedoras. Na Feira do Guará, por exemplo, um deles vendia o botijão de 13kg por R$ 180. O custo nas empresas fica entre R$ 60 e R$ 85.

 

Quem quiser sair às compras nas lojas para o Dia dos Namorados ou então ir às feiras ao longo do fim de semana também pode encontrar dificuldades. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, afirma que houve um “descontrole” em todos os setores, pois ninguém esperava uma greve demorada.

“Tende a voltar ao normal, mas ainda há muitas complicações na área de abastecimento. Pode haver dificuldade em hortifrutigranjeiros e também em derivados de leite”, pontuou.

Adelmir Santana lembra que as pessoas não estavam mais habituadas a estocar alimentos em casa, tampouco os mercados seguem essa prática, pois tudo é encontrado nos centros de distribuição. “Eles também estão sentindo os reflexos da crise, em razão de as indústrias terem sido paralisadas. Creio tratar-se de uma coisa que será restabelecida aos poucos”, disse.

Embora o impacto no comércio ainda não tenha sido calculado, estima-se que não seja possível alcançar a meta de crescimento de 12% em junho, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo Adelmir Santana. “Todos nós estávamos com grandes expectativas, com a abertura da Copa do Mundo e o Dias dos Namorados. A baixa no estoque e a desconfiança influenciarão nos nossos resultados”, destacou.

Mas os brasilienses que estiverem sem gás de cozinha em casa podem ir a um restaurante ou bar tranquilamente, porque não enfrentarão transtornos, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Rodrigo Freire. “Na quinta [31/5], ainda foi difícil, porque as pessoas estavam com medo de sair de suas casas com pouco combustível. Mas, agora, o movimento está até aumentando”, afirmou.

Combustíveis
Quem ainda não encheu o tanque também pode enfrentar filas, especialmente nas regiões periféricas e no Entorno do DF. Apesar de 70% dos postos já terem recebido combustíveis nessa sexta (1°/6), segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Distrito Federal (Sinpospetro-DF), Carlos Alves dos Santos, a previsão é de que o abastecimento seja normalizado apenas na quarta (6) ou na quinta-feira (7).

“Ainda está muito lento o processo”, observou Carlos dos Santos. O Distrito Federal tem 322 estabelecimentos que comercializam combustíveis. Desses, 30% são de “bandeira branca”. Muitos ainda estão com bombas vazias.

Colaborou Suzano Almeida