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Em meio à falta de gás de cozinha, atravessadores estão tentando faturar alto às custas do desespero dos consumidores. Eles estão comprando o produto e oferecendo por até três vezes mais do que o valor cobrado nas revendedoras. Na Feira do Guará, um deles oferecia o botijão de 13kg por R$ 180. O custo nas empresas fica entre R$ 60 e R$ 85.

Dono de um restaurante na Feira do Guará, José Antônio Martins (foto em destaque), 53 anos, diz que um atravessador ofereceu o produto a ele por R$ 180. “É um absurdo isso. O pessoal está se aproveitando da situação para ganhar dinheiro em cima dos outros. É uma exploração”, disparou.

Como havia comprado três botijões antes do início da greve dos caminhoneiros, iniciada no dia 21 de maio, não fechou o negócio. “Mas se a escassez do produto continuar, temo ser preciso recorrer ao atravessador”, ressalta o comerciante. As revendedoras garantem não ter nada a ver com a prática ilegal. E depois que foram ameaçadas pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Procon), afirmam estar limitando a venda de dois botijões por pessoa.

Quem está procurando o produto pode ter de enfrentar longas filas e, mesmo assim, sem garantia de conseguir levar para casa o botijão. Em uma distribuidora do Cruzeiro, os consumidores que buscam comprar gás de cozinha são logo avisados por uma placa na entrada do estabelecimento: “Não temos. Sem previsão”.

De acordo com Joel Antônio Silva, 63, funcionário do estabelecimento, os poucos botijões entregues nesta sexta-feira (1°/6) esgotaram rapidamente. “Não duraram nem duas horas. As filas que se formaram eram enormes, e os vasilhames não deram conta da demanda”, afirma.

Ele conta ter se surpreendido quando chegou para trabalhar na manhã desta sexta e encontrou uma fila enorme. “Achei que ia normalizar. Tinha muito carro para pouco gás. Dei de cara com um estoque zerado e tinham prometido que ia normalizar”, acrescenta.

Segundo Joel, o estabelecimento optou por não elevar os preços dos botijões. A unidade de 13kg, recomendável para uso doméstico, tem sido vendida por R$ 85 na revendedora onde ele trabalha. Na tarde desta sexta, só restavam vasilhames cheios com 20kg de gás, usados em empilhadeiras.

O comerciante José Rodrigues, 65, é dono de uma lanchonete no Cruzeiro e ficou sem gás pela manhã. Se a falta do produto perdurar, vai fechar o estabelecimento. “Não sei o que vou fazer. Vou vender e cozinhar o que der para cozinhar sem o gás. Espero que a situação se normalize”, comenta.

A aposentada Eli Souza, 74, ainda tem gás para cozinhar em casa. Mas, com medo de que não seja suficiente para o final de semana, foi comprar um botijão nesta sexta em uma revendedora do Sudoeste. “É para prevenir”, explica. Porém, ela chegou a tempo de encontrar o produto.

Conforme garantiu o presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras e Revendedoras de Gás LP do DF (Sindvargas), Sérgio Costa, as revendedoras receberam nesta sexta 10 mil botijões, metade do que é vendido diariamente no Distrito Federal. O estoque acabou rapidamente. Segundo estimativa de Costa, o abastecimento só deve se normalizar em três ou quatro dias.

“Por isso, estamos dizendo para o consumidor não estocar o produto e a população ter calma”, assinala. Ele diz ter conhecimento da ação dos atravessadores. “Aconselhamos que as pessoas verifiquem a procedência do produto, pois tem gente se aproveitando dessa situação. Se a população presenciar esse comércio, deve procurar a polícia, pois é crime”, reforça Sérgio Costa.

Em nota encaminhada no fim da tarde desta sexta (1º), o Gabinete Integrado de Acompanhamento do GDF informou que está afastada qualquer possibilidade de faltar gás no Distrito Federal e no Entorno na próxima semana. Isso porque, segundo as empresas informaram ao governo, neste sábado (2), pelo menos 364 toneladas de GLP chegarão à capital. Esse montante daria para envasilhar 28 mil botijões.

Parte, no entanto, será vendida a granel e vai atender serviços públicos, condomínio, prédios, entre outras unidades consumidoras. Nesta sexta, ainda segundo o GDF, desembarcaram, por volta das 15h, três carretas com 108 toneladas de GLP. “O estoque das empresas alcançou mais de 300 toneladas”, garante o Executivo.

“O fluxo de carretas que chegam a Brasília com GLP só não é maior, embora o clima nas estradas seja de absoluta normalidade, porque os motoristas enfrentam atrasos, por conta das longas filas de caminhões, na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), que abastece também caminhões procedentes de outros estados”, conclui o GDF, em nota.