Família do DF pede doações para trazer cinzas de pai morto por Covid na Venezuela

O diplomata Federico Dubuc criou os filhos no Brasil. Apenas a dívida com o hospital é de US$ 21 mil

atualizado 30/07/2021 20:11

diplomata e esposaarquivo pessoal

A família do diplomata venezuelano Federico Dubuc, 63 anos, que morreu no último sábado (24/7), em Caracas, por complicações em decorrência da Covid-19, pede ajuda para quitar a conta do tratamento hospitalar e trazer as cinzas do patriarca para o Brasil, como era a vontade dele. A família criou um financiamento coletivo para arrecadar as doações. Só com hospital, a dívida da família é US$ 21 mil.

Segundo explica o filho mais novo de Federico, o estudante de arquitetura e morador de Brasília Ivan Dubuc, 26, o pai tem família brasileira e venezuelana e criou os filhos no Brasil, onde atuou como diplomata por muitos anos. “Temos dupla cidadania e um vínculo muito forte com o Brasil, meu pai queria que as cinzas dele fossem jogadas no Rio de Janeiro”, conta.

Federico tratou da Covid em uma clínica particular de oncologia na Venezuela. Ivan conta que o irmão dele, Frederico Dubuc, 28 anos, foi quem conseguiu viabilizar a internação no centro médico de Caracas.

“Não é segredo pra ninguém a situação da Venezuela hoje. Meu pai tinha 40 anos de carreira e a pensão dele de aposentadoria é o equivalente a 3 dólares”, explicou Ivan. O estudante afirma que um tratamento pelo sistema público de saúde também não era uma opção, pela falta de qualidade do serviço.

Após vários dias de internação, Federico sofreu um ataque cardíaco e foi submetido a um cateterismo de emergência. Durante a intervenção, verificou-se que ele tinha um coágulo de 4 mm obstruindo uma artéria coronária, como resultado da Covid-19.

diplomata e filho
O diplomata Federico Dubuc com o filho primogênito, Frederico

Às 23h40 de sábado, Federico sofreu um segundo ataque cardíaco, desta vez fulminante. O diplomata morreu após várias tentativas de reanimá-lo.

“O meu pai faleceu, mas a dívida que contraímos no hospital ficou. Apesar de não ser injetado na economia, o dinheiro que usa lá é o dólar, porque a moeda local é muito desvalorizada”, explica Ivan.

No total, a dívida contraída pela família no hospital foi de US$ 21 mil, o que equivale a mais de R$ 109 mil. “Estamos lutando para pagar as dívidas e realizar o desejo dele de ser enterrado no Brasil”, disse o filho.

Ivan e Frederico fizeram uma vaquinha on-line no site Go Fund Me, na qual é possível doar em reais e o valor é automaticamente convertido para dólar. Segundo explica o estudante de arquitetura, ainda faltam US$ 5 mil, aproximadamente R$ 26 mil, para fecharem a conta do hospital.

Além do dinheiro arrecadado na plataforma de financiamento, Ivan recebeu cerca de R$ 12 mil em doações por PIX. “No momento estou me mantendo firme, ocupado, me impus esse objetivo de quitar essa dívida”, assegurou o rapaz. “Pedimos a ajuda de qualquer pessoa, essa foi a única forma que encontramos”, disse.

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