Após ameaças de apedrejamento, família de maníaco foge de casa
Moradoras do Vale do Amanhecer, a companheira de Marinésio e a filha do casal, de 16 anos, receberam telefonemas anônimos
atualizado
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Mesmo sem terem concluído a mudança, a companheira do cozinheiro desempregado Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, e a filha do casal, uma adolescente de 16 anos, deixaram a residência onde moravam, no Vale do Amanhecer, nessa quarta-feira (28/08/2019). As duas começaram a receber telefonemas com ameaças de morte, nos quais desconhecidos afirmavam que incendiariam o imóvel da família com elas dentro e apedrejariam ambas caso as vissem.
Assustadas, mãe e filha buscaram abrigo na casa de parentes. Após a repercussão dos assassinatos e de outros crimes cometidos pelo maníaco, nem caminhoneiros que trabalham com frete de mudanças aceitaram transportar os móveis da família. Todos que foram procurados recusaram a solicitação do serviço, com medo de sofrerem represálias da população.
Na tarde de quarta-feira (28/08/2019), a companheira de Marinésio foi ouvida de forma sigilosa na 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), para evitar a presença da imprensa. Mais uma vez, a mulher reforçou que não fazia ideia dos crimes praticados pelo marido.
“Ele era um anjo em casa, sempre amoroso com a filha e com todos os parentes. No entanto, era um demônio quando estava na rua”, disse. Aos investigadores, ela contou que a família foi destruída. Relatou ainda que todos os parentes próximos estão sofrendo as consequências. Desde que os crimes foram descobertos, tanto a filha quanto os sobrinhos do assassino deixaram de frequentar as escolas e desativaram as redes sociais.
O crime mais recente de Marinésio foi o assassinato de Letícia Sousa Curado, 26, na sexta-feira (23/08/2019). O caso é investigado pela 31ª DP (Planaltina). O corpo da jovem, que era funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) e advogada, foi encontrado na segunda-feira (26/08/2019).
Já os policiais da 6ª DP (Paranoá) apuram a morte de Genir Pereira de Sousa, 47. Funcionária de uma pizzaria, a trabalhadora foi encontrada em 12 de junho de 2019. Ela estava desaparecida desde 2 de junho. As equipes pretendem ir até a casa onde o cozinheiro vivia com a família na tentativa de localizar objetos pessoas de Genir e de outras vítimas que ainda não foram identificadas. “Existe a possibilidade de algo ser encontrado escondido na residência, já que nenhum familiar sabia dos crimes”, contou uma fonte policial.
O cozinheiro será ouvido nesta quinta-feira (29/08/2019), na Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), sobre o desaparecimento de outra mulher. Os investigadores querem saber de Marinésio se ele tem envolvimento no caso.
A Polícia Civil apura se o suspeito fingiu ser motorista de transporte pirata para atrair outras vítimas, além de Letícia e Genir. De acordo com o delegado-chefe da 31ª DP, Fabrício Augusto Machado, não estão descartadas as suspeitas de que Marinésio tenha sido o autor de crimes semelhantes.
Marinésio foi preso no domingo (25/08/2019), dois dias depois do desaparecimento de Letícia. De acordo com fontes policiais, o suspeito levou os investigadores ao local do crime. O cadáver estava dentro de uma manilha perto da fábrica de sementes Pioneer, na DF-250. À PCDF, o assassino teria dito que conhecia a vítima de vista. Relatou ter parado no ponto de ônibus e oferecido carona para a jovem até a Rodoviária do Paranoá. Ela teria aceitado e, no caminho, o maníaco assediou Letícia.
O cozinheiro, então, teria esganado a funcionária do MEC até a morte. Após matar a mulher, confessou ter furtado os pertences pessoais de Letícia, segundo fontes da PCDF.
