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Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) promoveram, nesta quarta-feira (10/10), manifestação contrária aos atos de vandalismo que vieram a público na última sexta-feira (5), quando livros de Direitos Humanos da Biblioteca Central da instituição foram rasgados.

“Na nossa visão a manifestação é importantíssima, pois se posiciona contra os ataques com foco em conteúdos específicos e sabemos que assuntos como os direitos humanos têm virado alvo de ataques”, disse o chefe de gabinete da reitoria, Paulo César Marques. De acordo com ele, os autores dos atos de vandalismo não foram identificados ainda. Paulo César Marques garantiu que “a gestão da biblioteca trabalha juntamente à Polícia Civil do Distrito Federal para identificá-los”.

Um dos organizadores do ato, Alexandre Bernardino, coordenador de pós-graduação em cursos da área de Direitos Humanos, afirmou que o protesto é uma prova de que a UnB não tolera ações do tipo. “Essa simbologia nos causa preocupação. E a manifestação busca afirmar a importância da democracia”, afirmou. O protesto contou com a presença da deputada federal Érika Kokay (PT-DF) que ressaltou a gravidade do caso. “Essa universidade não vai permitir que os livros sejam rasgados e destruídos”, defendeu.

Aluno de psicologia, Pedro Campos Siqueira, 32 anos, considera a manifestação “um ato em prol de um país democrático”. “Essa manifestação é imprescindível nos tempos sombrios em que vivemos. Fico feliz com a mobilização da instituição”, considerou.


Entenda o caso

Livros com a temática de direitos humanos foram rasgados na Biblioteca Central do Estudante (BCE). O caso foi descoberto quando um repositor da instituição, ao devolver obras usadas por alunos às estantes, encontrou cinco exemplares com todas as páginas rasgadas no meio.

Segundo um bibliotecário do prédio que pediu para não ser identificado por medo de retaliações, casos isolados de livros rasgados vêm acontecendo desde o início de 2018. Como esse tipo de coisa ocorre de vez em quando, os funcionários demoraram a perceber uma constante: eram apenas obras com a temática de direitos humanos. “Temos câmeras na biblioteca, mas, infelizmente, há uma grande circulação no local, além de que [os equipamentos] não filmam as estantes”, lamenta o servidor.