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Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) marcaram para esta quarta-feira (10/10), a partir das 17h, um ato em defesa dos direitos humanos, em frente à Biblioteca Central.

A mobilização foi motivada após um repositor da instituição detectar, ao devolver os livros para as prateleiras, várias publicações que estavam com todas as páginas rasgadas. Em comum, os exemplares tinham os direitos humanos como temática.

“Não aceitaremos depredação do patrimônio público nem atos contra a memória, contra a nossa história e contra a ciência e a produção do conhecimento”, diz o comunicado de convocação no Facebook.

Até as 21h30 desta segunda (8), cerca de 750 pessoas demonstravam interesse em participar do ato.

Segundo um bibliotecário do prédio, que pediu para não ser identificado por medo de retaliações, casos isolados de livros rasgados vêm acontecendo desde o início de 2018. Sempre de obras com a temática de direitos humanos.

O episódio motivou o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, a divulgar uma nota pública condenando a danificação dos livros. “A construção de uma sociedade plural, pacífica e tolerante pressupõe a coexistência de ideias e leituras distintas sobre fatos incontestáveis da história recente de nosso país”, afirmou Rocha.

 

Dois dias antes das eleições, sem citar o caso, a reitora da UnB Márcia Abrahão, publicou uma carta aberta, na qual lembrou a invasão da universidade, prisão e demissão arbitrária de professores ocorridas durante a ditadura militar.

“Não podemos aceitar a negação de nosso passado autoritário. Tampouco podemos relativizar tais declarações e atos, que, em sua essência, ameaçam direitos tão duramente conquistados pela sociedade brasileira”, escreveu Márcia.