“Esse verme matou a minha avó”, diz neto de idosa estrangulada no DF

Em uma carta publicada nas redes sociais, neto da idosa falou sobre as lembranças que ficarão da avó, vítima de latrocínio nessa segunda

atualizado 07/12/2021 16:37

Geralda Cândida Santos do Nascimento, idosa estrangulada em latrocínio no DFArquivo Pessoal

O misto de revolta e luto é intenso entre os familiares de Geralda Cândida Santos Nascimento, 79 anos. A idosa foi encontrada morta, com fio de telefone enrolado no pescoço, dentro da própria casa, nessa segunda-feira (6/12), no Guará 2. Nas redes sociais, o neto da vítima, André Neves, pediu ajuda para encontrar o suspeito: “Esse verme matou a minha avó”, escreveu junto à foto do suspeito do latrocínio.

“Perguntou se estava sozinha”, diz vizinha sobre homem que estrangulou idosa

Além do sentimento de impunidade, o familiar expressou, por meio de uma carta, pesar pelas vivências com a avó, que, a partir de agora, ficarão apenas na lembrança: “Uma mulher guerreira, batalhadora, e de um coração de uma forma inexplicável”; “Uma mãe exemplar e a melhor avó do mundo inteiro”, declarou André.

Veja imagens do suspeito:

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Como agiu o criminoso

Minutos antes de entrar na casa de Geralda e matar a idosa enforcada com um fio, o suspeito bateu de porta em porta na vizinhança, oferecendo serviços de marceneiro. Funcionária de uma das casas da região relatou ao Metrópoles, que, por pouco, não foi vítima do homem.

“É muito comum passarem pessoas aqui o dia todo oferecendo serviços. Ele era um homem de, aparentemente, 50 anos. Passou aqui, bateu no portão e disse que tinha vindo fazer um serviço de marceneiro para a minha patroa”, relatou.

Ainda segundo a mulher, como ela não sabia de nenhum serviço autorizado para a residência, não deixou o homem entrar. “Ele insistiu. Empurrou o portão. Disse que os filhos da minha patroa, que mora sozinha, mandaram ele vir. Perguntou diversas vezes se estávamos sozinhas em casa. Ela já tem mais de 80 anos. Nós poderíamos ter sido vítimas também. Ele só desistiu porque viu um pintor que prestava serviços para a gente em uma das janelas”, contou.

“O homem estava estranho, parecia nervoso. Queria entrar de qualquer jeito. Já tinha passado por outras três casas. Nós estamos com muito medo. Assustadas. Se eu não estivesse aqui, a minha patroa abriria a porta para ele”, afirmou.

Após bater nessa casa, ele seguiu até o endereço de Geralda. Como a idosa precisava de um conserto na caixa d’água, ela acabou abrindo o portão para que o desconhecido entrasse. Os vizinhos, no entanto, não ouviram nada.

A mulher que conversou com a reportagem contou que o suspeito não carregava nada consigo no momento que a abordou pelo portão. Pelas imagens obtidas pelo Metrópoles, porém, é possível ver ele saindo da residência de Geralda com uma mochila nas costas, o que levou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) a investigar o crime como latrocínio (roubo seguido de morte).

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Confira vídeo do homem andando com uma mochila nas costas: 

Na mesma rua, também funciona uma escola. Uma mãe, que preferiu não se identificar, comentou que ela e outros pais e responsáveis também ficaram preocupados com a segurança das crianças. “Um crime assustador e bem no local onde nossos filhos estudam. Circulam nessa rua. Imagina se um homem desses tenta algo contra essas crianças também. Lamentamos muito pela perda dessa família.”

Geralda era conhecida na vizinhança por morar na mesma casa há muitos anos. “Todos sentimos muito. Nunca havia ocorrido nada como isso na nossa quadra”, comentou outra vizinha.

Suspeita de latrocínio

Segundo o delegado Anderson Espíndola, chefe da 4ª Delegacia de Polícia (Guará), a hipótese de latrocínio é sustentada porque uma neta de Geralda esteve no local e sentiu falta de um notebook.

De acordo com a jovem, a avó estava com o fio de uma extensão enrolado no pescoço. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). Segundo a corporação, a casa foi vasculhada e, além do notebook, outros objetos foram levados.

Informações do paradeiro do suspeito podem ser repassadas à PCDF pelo 197.

Leia, na íntegra, a carta publicada por André, neto de Geralda, nas redes sociais:

“Dona Geralda Cândida Santos do Nascimento, uma mulher guerreira, batalhadora, e de um coração de uma forma inexplicável. Uma mulher que nunca fez mau a ninguém, sempre ajudou ao próximo. Sempre foi de muita FÉ! Mas, infelizmente um verme tirou a vida da anciã da minha família por nada, sobe um ódio, um desejo de vingança, mas tenho que ser racional ao ponto de não fazer besteira.

Desculpe por não ter aproveitado melhor sua presença em minha vida. Dói saber que nunca mais poderei comer sua comida, rir com a senhora […] Vó, você sempre foi tão querida que Deus quis te levar para perto dele só para sentir todo o amor que a senhora sempre transbordou.

Você já cumpriu sua missão aqui, pois foi uma mãe exemplar e a melhor avó do mundo inteiro. Toda a família sentirá muito sua falta, mas sabemos que você estará melhor ao lado de Deus. Vou guardar nossas lembranças para sempre e quando eu tiver os meus netos, contarei histórias sobre a senhora. Eu te amo dona Geralda.”

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