Esperança 2020: veja 5 histórias de quem espera mudar de vida

Entre desejos de novo emprego, melhoria nos serviços públicos de saúde e nomeação em concurso, os moradores da capital reivindicam mudanças

atualizado 01/01/2020 12:56

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Ao término de cada ano, um novo ano apresenta-se cheio de oportunidades. As forças são renovadas, novas promessas são feitas e a vida se enche de propósitos. O  Metrópoles ouviu brasilienses para saber quais são as expectativas para 2020. Os discursos se ancoram em palavras como esperança, mudança, responsabilidade e oportunidade.

Veja cinco histórias de quem espera um giro radical na vida nos próximos 365 dias:

Trabalho

Claudinei Lopone (foto em destaque), 43 anos, perdeu o emprego no início de 2019, quando trabalhava como pedreiro em construção civil, em Itu, município do estado de São Paulo, temporariamente. Ele, que vive em uma quitinete com a esposa e quatro filhos, próximo ao Parque da Cidade, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), batalha para que as crianças de 5, 7, 8 e 9 anos tenham o que comer em casa.

Com a experiência que adquiriu no ramo em anos anteriores, tenta, desde janeiro, uma recolocação no mercado de trabalho.

“Já trabalhei em 24 firmas. Desde os 17 anos de idade, comecei a correr atrás. Há cerca de um ano, deixei a minha família e fui prestar serviços para uma funerária em São Paulo. Executei o serviço que tinha para fazer e, quando acabou, retornei ao DF. Desde então, não tive mais chances. Vou à Agência do Trabalhador quase que diariamente para conseguir uma oportunidade”, comentou o homem.

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Claudinei é uma das 313 mil pessoas desempregadas na capital da República, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego no DF, divulgada pela Companhia de Planejamento (Codeplan).

A passagem do ano tem um sentido único para o pedreiro. É a hora de reunir energias para começar de novo. “Não está fácil. Agora, é necessário revigorar as forças para seguir. Em 2020, tenho a esperança de conseguir um emprego para dar uma vida nova à minha família”, completou.

Legalidade

Vendedora de roupas há cerca de quatro anos no Setor Comercial Sul (SCS), a ambulante Patrícia Araújo, 28, está decidida a buscar melhorias na qualidade de vida no ano que vem.

Ela conta ter ficado sem comercializar mercadorias por cerca de seis meses pelo medo da fiscalização e para não perder as  peças de onde tira o dinheiro para o sustento da família.

“O comércio ambulante é uma alternativa para o desemprego. É sobrevivência. Nós buscamos uma oportunidade para fazer o nosso trabalho na legalidade. Somos honestos e precisamos de respeito. É do nosso suor diário que tiramos os recursos para pagar as contas e alimentar nossos filhos”, desabafa.

A ambulante mora em Águas Lindas de Goiás com o marido e tem dois filhos, de 4 e 7 anos. Patrícia lembrou que, em 2020, a categoria vai correr atrás de mais direitos.

“Durante a corrida eleitoral de 2018, o governador havia prometido que não mexeria com a gente e nos deixaria trabalhar em paz. Vamos cobrar isso no segundo ano de governo. Temos esperança que se cumpra o prometido para que possamos continuar oferecendo o melhor aos nossos clientes.”

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Vida nova

A vida da auxiliar administrativo Brenda Horsth Lima, 25, e da mãe dela, a pedagoga Adna Queila Viana da Silva, 43, mudará radicalmente em 2020. Brenda está grávida e será mãe de primeira viagem.

Segunda Brenda, a perspectiva para o futuro mudou desde a confirmação da gravidez. “Uma nova vida traz consigo planos e metas a serem alcançadas. Nada do que eu havia planejado para este ano, pude concretizar depois que fiquei grávida do Davi. Deixei para traz planos de terminar uma pós-graduação e preparativos de casamento”, comentou.

“Ele virou a minha prioridade, só penso nisso agora. Todos os gastos são para as coisas do bebê e a espera dele é muito desejada por nós”, disse Brenda.

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A avó comentou que a previsão para o nascimento do neto é no fim de fevereiro. “Saúde, amor e renovação é o que queremos. É o nosso homenzinho. Estamos muito ansiosos para a chegada de 2020, principalmente pela vinda do Davi. Que, com ele, chegue a esperança de uma vida nova, não só a dele, mas a prosperidade para todos nós.”

Saúde

Há 10 anos, a dona de casa Leilsa Pereira da Silva, 42, busca remédios ofertados pela Farmácia Ambulatorial Judicial do Governo do Distrito Federal (GDF) para manter a filha Angela Silva de Sousa, 23, que tem paralisia cerebral, sem crises e convulsões.

No entanto, o tratamento não tem sido fácil. A jovem toma quatro medicamentos diariamente. Mas, segundo Leilsa, uma das substâncias essenciais para o bem-estar, a oxcarbazepina constantemente está em falta nas prateleiras.

“É uma luta. Muitas vezes, não tem. Faz seis meses que não estava conseguindo pegar. Custa, em média, R$ 180.  E não temos condições para arcar com o valor. Ainda há alguns comprimidos em casa que vencem em 31 de dezembro de 2019. Depois, vai faltar e não tem disponível.”

A preocupação de Leilsa começou no último dia 26. Ela recebeu uma mensagem da Secretária de Saúde do DF informando não haver previsão de chegada do remédio. “O meu retorno era no dia 4 de janeiro de 2020. Já vamos virar o ano preocupados com a saúde da Angela. Ela não pode ficar sem. A interrupção do tratamento pode dar convulsão e tenho medo dela morrer. ”

A mãe da paciente espera que o serviço melhore nos próximos 365 dias. “Pacientes que buscam esses insumos na rede pública necessitam dos remédios para continuarem vivos. Não podemos deixar que falte. É uma questão não só de saúde, mas a segurança para que os nossos familiares permaneçam lutando”, acrescentou.

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Nomeação

O sonho de passar em um concurso público tem sido cada vez maior entre os brasileiros, como forma de estabilidade financeira e qualidade de vida.

O agente de execução penal Emanoel Wercelens Pinheiro, 33, realiza, desde 2010, provas de concursos públicos. Ele já foi aprovado em certames do Ministério da Fazenda, escrivão da Polícia Civil do DF, agente de execução penal e para oficial da Polícia Militar da capital da República.

Em 2018, passou em 5º lugar no concurso da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para o cargo de agente de Polícia Legislativa da Casa.

“A expectativa é que as nomeações de policiais comecem assim que voltar o recesso. Estou muito feliz em ter conseguido. A prova valia 100 pontos e eu fiz 97. Só errei três questões. O concurso foi homologado no dia 22 de novembro. Já passamos por todas as etapas, inclusive pelo curso de formação. Agora, estou ansioso para seguir na carreira.”

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Emanoel espera que a sua história sirva de motivação para outros concurseiros que batalham por um cargo público. “Em fevereiro, saio do sistema penitenciário e assumo o meu cargo na polícia legislativa da CLDF, se Deus quiser. Quem sabe a minha história possa servir de inspiração para outras pessoas. Já que saí de um concurso de nível médio e, hoje, estou prestes a assumir um cargo que muita gente gostaria.”

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