DF: desempregados relatam dificuldades na busca por vaga no mercado

Mesmo com balanço positivo que registra redução na taxa de desemprego na capital, contingente é estimado em 331 mil pessoas

Andre Borges/Esp. MetrópolesAndre Borges/Esp. Metrópoles

atualizado 25/06/2019 22:12

Natalina da Paz, 36 anos, perdeu o emprego em 2015, quando trabalhava como doméstica em uma residência no Plano Piloto e engravidou. Ela, que vive no Jardim ABC, na Cidade Ocidental, Entorno do Distrito Federal, tem apenas o ensino médio e com a experiência que adquiriu nos anos anteriores tenta, desde 2018, uma recolocação no mercado de trabalho.

Natalina é uma das 331 mil pessoas que buscam uma nova oportunidade na capital da República, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED-DF), divulgada na manhã dessa terça-feira (25/06/2019).

“Faz mais de um ano que voltei a procurar emprego e está muito difícil. Quero o que aparecer. Se for de carteira assinada, melhor ainda”, disse. “Não tenho muita qualificação e é ainda mais complicado, né? Não tive muitas chances, mas estou tentando”, contou.

A graduada em enfermagem Regiane do Nascimento Silva, 33, também está desempregada. A profissional trabalhava há oito anos como técnica de enfermagem em um hospital particular do DF, mas acabou demitida.

“Desde que me formei em enfermagem, busco uma vaga na área. Tenho encontrado obstáculos porque algumas empresas exigem experiência de seis meses. Isso tem dificultado um pouco o processo”, comentou Regiane, que foi à Agência do Trabalhador, no Setor Comercial Sul, nesta terça-feira (25/06/2019), em busca de uma oportunidade.

Ainda segundo a enfermeira, ficar sem emprego mexeu com ela. “Foi um susto. Agora, é necessário revigorar as forças para seguir em busca. Estudei cinco anos e não vou desistir.” Regiane considera que o campo de trabalho está cada vez mais apertado. “As pessoas precisam ter um bom currículo para conseguir emprego”, acrescentou.

 

 

Taxa de desemprego

Um estudo elaborado pela Secretaria de Trabalho (Setrab), em parceria com a Companhia de Planejamento (Codeplan) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que o número de desempregados na capital federal, em maio deste ano, foi estimado em 331 mil pessoas – 6 mil a menos que no mês anterior.

Mesmo com o índice alto, a taxa de desemprego no DF diminuiu de 19,9% para 19,4%, entre os meses de abril e maio de 2019, conforme a PED-DF. Em maio deste ano, foram criados 16 mil postos de trabalho no DF. Assim, o contingente de ocupados cresceu 1,2% e foi estimado em 1,375 milhão de trabalhadores. Dez mil pessoas entraram no mercado.

Em relação a maio de 2018, o número de desempregados aumentou em 11 mil pessoas. Isso ocorreu porque 60 mil entraram na População Economicamente Ativa (PEA), mas o acréscimo de ocupação foi inferior — de 49 mil trabalhadores.

Trabalho

O estudo ainda aponta o perfil dos afetados pelo desemprego no DF. Entre os desempregados, a maior parte é de mulheres, 53,1%. Quando considerada a idade, os jovens de 16 a 24 anos representam 39,7%. No atributo pessoal de cor, 74,1% são negros.

De acordo com a secretária adjunta de Trabalho, Thereza de Lamare, a situação é de relativa estabilidade. “Ainda precisamos trabalhar, mas os indicativos mostram uma situação melhor no mercado de trabalho da capital”, avaliou.

“Mesmo com a redução, ainda temos vários fatores que levam à situação de desemprego. O principal deles é uma economia em recessão que reduz os postos de trabalho. Em outra questão, temos um número importante de pessoas que vão procurar o primeiro emprego e não encontram abertura no mercado.”

Thereza de Lamare, secretária adjunta de Trabalho do DF

O grande responsável pela redução do desemprego em maio é o setor de serviços, que cresceu 1,7% e contratou 17 mil pessoas. O bom resultado também se repetiu na construção civil, que empregou duas mil pessoas. O mercado brasiliense também gerou, em maio, 19 mil postos de trabalho com carteira assinada. Enquanto aumentou em apenas 6 mil o número de trabalhadores do setor privado sem carteira assinada e autônomos.

É o melhor resultado em oito anos. Nos últimos 12 meses, a quantidade de trabalhadores formais cresceu 8,3% enquanto a quantidade de autônomos sofreu variação de 6,8% e a de assalariados sem carteira foi de apenas 1,9%.

Intermediação

Adelson Pereira, 52 anos, é casado e tem dois filhos. Ele conseguiu um emprego há 10 dias graças à intermediação da Agência do Trabalhador e, agora, está na estatística dos 10 mil que foram recolocados neste ano.

“Trabalhava como jardineiro. Há seis meses, me mandaram embora. Estava desesperado, pois a renda da minha casa vem toda do meu serviço. Graças a Deus tive essa chance de arrumar um novo emprego”, comemorou. Ele começa a trabalhar na empresa Sustentare, como gari, nesta quarta-feira (26/06/2019).

Segundo Thereza, diariamente, são oferecidas cerca de 200 vagas no local. Os candidatos podem cadastrar seus dados em uma das 17 agências da Secretaria de Trabalho e acompanhar as vagas disponíveis no mercado pelo site www.agenciavirtual.df.gov.br.

“O que estamos fazendo agora é um estudo para qualificar essa vaga e poder identificar quem é esse trabalhador que nos procura para que a gente possa melhorar a nossa eficiência e prestação de serviço dentro da agência. Queremos que a oportunidade seja segura para as pessoas”, afirmou.

O percentual da intermediação e inserção é 6%. “O nível de aproveitamento não é o que gostaríamos. Para cada vaga, encaminhamos três pessoas. É um processo que também pretendemos aperfeiçoar para que possamos melhorar a qualidade dessa inserção”, concluiu.

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