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Distrito Federal

Escola diz que professor bebeu água e não ficou só com servidora

Direção do CEF 410 Norte afirma que, no dia em que Odailton Charles passou mal, o docente não esteve sozinho em nenhum momento

07/02/2020 19:02, atualizado 08/02/2020 11:36
Reprodução
homem

A direção do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410 Norte afirmou, em nota enviada à imprensa nesta sexta-feira (07/02/2020), que nenhum funcionário da escola serviu qualquer “substância líquida” ao ex-diretor da unidade educacional Odailton Charles Albuquerque Silva, 50 anos. O docente morreu envenenado após, segundo a família, ter bebido um suco de uva supostamente oferecido por uma colega de trabalho. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

“A única substância líquida que o professor Charles ingeriu no CEF 410 Norte foi água, o que o fez por vontade livre, colhendo-a na sala dos professores diante de outras pessoas que ali estavam”, diz o documento.

Ainda no comunicado, o colégio frisa que, no dia do episódio (30/01/2020), apenas alguns servidores terceirizados e educadores estavam na escola, para preparar as dependências que estavam em obras. “Não havia nenhuma reunião agendada entre a atual equipe gestora e o ex-diretor”, pontuou a direção.

O CEF 410 Norte também salientou que não houve “nenhum processo de transição” entre a administração de Charles e a da servidora escolhida como nova gestora da unidade. Em áudios enviados a amigos, o docente relata desconfiar de “algo em sua bebida”.

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Sobre a alegação, o centro de ensino foi enfático: “O professor Charles, a todo tempo que permaneceu na escola, aproximadamente duas horas, antes de passar mal, em nenhum momento ficou sozinho com a servidora apontada”.

Por fim, a direção assegurou ter realizado todos os procedimentos iniciais de socorro ao docente – ele começou a passar mal dentro da escola. O CEF 410 Norte não se pronunciou a respeito do argumento de Charles de que haveria um suposto esquema de “rachadinha” na unidade educacional.

Veja a nota na íntegra:

Nota de Esclarecimento do C… by Metropoles on Scribd

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“Rachadinha”

Em áudio enviado a um amigo, ao qual o Metrópoles teve acesso em primeira mão, o professor denuncia suposto esquema de “rachadinha” na escola. Na gravação, o ex-diretor, que morreu envenenado por um tipo de raticida – popularmente conhecido como chumbinho, afirma que iria levar a denúncia para a Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto.

O docente se preparava para deixar o cargo de direção da unidade de ensino e comentou que visitaria o colégio para se “acertar com o pessoal”. “Quinta-feira, eu vou lá na escola, vou fazer os acertos com o pessoal: passar extrato bancário, essas coisas que eu tenho que passar. Estou recolhendo uns documentos particulares para fazer uma denúncia formal na [Coordenação] Regional de Ensino”, diz.

O educador continua dizendo que a denúncia envolveria “um dinheiro” deixado por ele no CEF 410 Norte. “Eles [os superiores] nunca repassaram para mim. Seguraram o dinheiro e agora estão utilizando da forma como querem, contratando a empresa que querem também. Acho que está havendo ‘rachadinha’ lá”, comenta.

Segundo Charles, a acusação do esquema partiu de dentro da escola. “Andei conversando com os colegas e está havendo ‘racho’ de dinheiro, propina para beneficiar empreiteiros. Por isso que eu indiquei dois ou três empreiteiros e eles não aceitaram de jeito nenhum. Seguraram o dinheiro até agora em janeiro. Agora, está de vento em popa, liberando dinheiro à vontade. Então, vou fazer essa denúncia, vou recolher tudo que tenho de prova, de gravação, e vou arrebentar a boca do balão lá.”

O professor termina o áudio manifestando, também, o interesse de levar o caso ao Judiciário. “Vou botar no pau esse povo, comigo vai ser tudo na Justiça”, finaliza. Em nota, a Secretaria de Educação (SEE-DF) registrou que aguarda as investigações policiais e a finalização do inquérito para se pronunciar.

Ouça o áudio: 

https://soundcloud.com/metr-poles/professor-envenenado-queria-denunciar-rachadinha-em-escola

A morte

As gravações ganharam notoriedade após a morte do docente, ocorrida na terça-feira (04/02/2020). Odailton Charles morreu envenenado depois de supostamente ter ingerido uma bebida contaminada com chumbinho. A suspeita inicial é de que o veneno tomado estivesse em um suco oferecido ao ex-diretor por uma colega de trabalho.

Contudo, não houve comprovação de que Charles tivesse ingerido o líquido. “Achamos vestígios de raticida nas roupas e traços de vômito, mas nada relacionado a suco de uva”, explicou a perita criminal Flavia Pine Leite, que fez o exame nas vestimentas usadas pelo educador no dia do incidente, em 30 de janeiro. A informação foi dada nessa quinta (06/02/2020) pela PCDF.

Em outro áudio enviado quando começou a passar mal, Charles fala que desconfiava de que a colega teria colocado uma substância estranha na bebida A servidora foi ouvida pela Polícia Civil e negou ter dado qualquer produto ao docente.

“Nós a ouvimos e ela foi firme em dizer que não ofereceu suco ao professor. Isso não quer dizer que ele não tenha bebido. As investigações continuam, muitas pessoas ainda serão ouvidas”, assinalou o delegado Laércio Rossetto, da 2ª DP (Asa Norte), que conduz as investigações sobre o caso.

A PCDF apreendeu dois aparelhos celulares de servidores do CEF 410 Norte. “Vamos pedir uma série de medidas judiciais para ter acesso aos dados dos aparelhos”, ressaltou Rossetto.

O Sindicato dos Professores no DF (Sinpro) também se manifestou e disse que, “assim como toda a sociedade, aguarda o resultado das investigações e que todas as medidas possam ser tomadas pelo órgão competente, ou seja, a Polícia Civil do Distrito Federal”.

Prontuário

O Metrópoles teve acesso com exclusividade ao prontuário do professor. O documento, emitido por médicos do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), aponta intoxicação. Odailton estava internado na unidade de saúde até a última terça-feira (04/02/2020), quando morreu. Na quinta, amigos e parentes de despediram do professor Charles. O enterro foi realizado no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

A cerimônia de despedida ocorreu pouco após peritos do Instituto de Criminalística (IC) e médicos legistas do Instituto de Medicina Legal (IML) concluírem que o professor Charles morreu vítima de intoxicação provocada por um raticida.

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Flavia Leite Pina, perita do IC
Policiais no CEF 410 Norte
Polícia investiga o caso
Peritos na escola
CEF 410, na Asa Norte
Professor Charles: Polícia Civil investiga o caso
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Professor Charles: Polícia Civil investiga o caso

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Flavia Leite Pina, perita do IC
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Flavia Leite Pina, perita do IC

Policiais no CEF 410 Norte
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Policiais no CEF 410 Norte

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Polícia investiga o caso
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Polícia investiga o caso

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Peritos na escola

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CEF 410, na Asa Norte
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CEF 410, na Asa Norte

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Delegado Laércio Rossetto acompanha perícia na escola
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Delegado Laércio Rossetto acompanha perícia na escola

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Escola onde o professor começou a passar mal antes de morrer
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Escola onde o professor começou a passar mal antes de morrer

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Bebida

O envenenamento supostamente ocorreu enquanto Charles participava de uma reunião na escola onde foi diretor por seis anos. O educador teria tomado alguma bebida e, poucos minutos depois, começado a passar mal.

A vítima enviou áudios angustiantes a familiares e colegas, pedindo socorro e detalhando seu estado de saúde. “Alguém me ajuda, alguém me ajuda. Eu cheguei aqui, tomei um suco e acho que colocaram laxante, estou com muita diarreia”, disse o educador.

Uma servidora que estava com o docente em reunião telefonou para a esposa de Charles e informou que ele estava passando mal. A mulher do educador sugeriu que o marido fosse levado ao hospital. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conduziu o ex-diretor ao Hran.

Confira o áudio:

Dificuldades com colega

Segundo a reportagem apurou com pessoas próximas ao professor, Charles chegou a relatar dificuldade de relacionamento com uma colega da escola, justamente quem supostamente teria lhe oferecido bebida no dia da reunião.

Em uma das mensagens enviadas a um amigo que também trabalha na instituição, o docente pontuou que sua interlocutora “estava com a cara de poucos amigos”. Frisou ainda que não queria beber o suco, mas acabou aceitando a bebida para não fazer desfeita. O professor desconfiava de que o líquido teria lhe feito mal.

Metrópoles não vai divulgar o nome da servidora porque o caso está sob apuração. Em nota, a Secretaria de Educação disse que “lamenta o ocorrido e irá aguardar as conclusões do inquérito policial”.