“Novo Lázaro” é acusado de matar taxista em 2020 no interior de Minas

Wanderson Mota Protácio, segundo a investigação, matou jovem motorista com ajuda de dois adolescentes e um adulto em São Gotardo

atualizado 03/12/2021 10:41

Wanderson Mota Protácio é suspeito de matar a própria mulher grávida e a enteada em GoiásReprodução

Goiânia – Foragido por suspeita de matar há cinco dias a esposa, que estava grávida, a enteada e um fazendeiro em Corumbá de Goiás, no Entorno do Distrito Federal (DF), o caseiro Wanderson Mota Protácio, de 21 anos, é acusado de matar a facadas um taxista em São Gotardo (MG), no dia 25 de novembro de 2020. Segundo a polícia, ele teve ajuda de dois adolescentes e um adulto na oportunidade.

De acordo com a investigação, na madrugada do dia do crime, Wanderson e seus comparsas chamaram o taxista Maurício Lopes Mariano, de 25 anos, mas, no caminho, desviou o trajeto. Assim que entraram no carro, segundo a polícia, eles cortaram o cinto de trás, usado para arrastar o taxista até uma árvore.

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Conhecido por ter história semelhante ao caso de Lázaro Barbosa, ocorrido em junho deste ano, Wanderson tinha intenção de roubar o carro e deixar o taxista no local, mas, em seguida, ele decidiu voltar até o condutor e efetuou 18 golpes de faca. O taxista foi atingido nas costas, na cabeça, no pescoço, na mão esquerda e na lombar.

No dia do crime, de acordo com a polícia, por volta das 14h30, Maurício recebeu um pedido de transporte de passageiros até Ibiá (MG), a 64 km de São Gotardo. Após esperar por oito horas o retorno do filho à cidade, o pai do taxista tentou contato por ligação telefônica, mas não conseguiu.

Pessoas encapuzadas

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) usou imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial da cidade para identificar, por volta das 14h35, quatro pessoas vestidas encapuzadas com blusas de frio que entraram no táxi de Maurício, um VW Space Fox.

Depois, a PM mineira teve conhecimento de que câmeras flagraram o carro nas ruas de Patrocínio (MG), a mais de 136km de São Gotardo. Em seguida, localizou o veículo, que estava com Augusto Antônio da Silva, assim como o aparelho eletrônico da vítima. Augusto foi preso por receptação.

No celular do autor, havia uma conversa com uma pessoa chamada “filhote”, que apenas relatava que o taxista estaria morto. Na época, policiais militares impediram o linchamento do criminoso em São Gotardo, por parte de populares, por volta das 22h30.

Um policial abordou Wanderson. Outros dois suspeitos, Luiz Henrique Faria Silva, de 18, e um adolescente, que seria o “filhote”, fugiram, mas foram localizados, em seguida, pela equipe de investigação.

Para apurar o envolvimento de outro suspeito, em Ibiá (MG), policiais da cidade conseguiram deter Wilson Brito da Conceição. Na abordagem, ele declarou que o grupo praticava tráfico ilícito de entorpecentes e que os criminosos combinaram de roubar um veículo.

Wilson disse, em depoimento, que os envolvidos combinaram uma corrida até o distrito de Quilombo do Ambrósio, ainda em Ibiá, e que encontraram com a vítima nas proximidades de um bar, por volta de 14h30. Logo após, abasteceram o veículo e seguiram viagem.

Punhos amarrados

Ao chegarem ao destino, de acordo com o depoimento, os criminosos anunciaram o roubo, pegaram a vítima, amarraram os punhos e a colocaram no porta malas do veículo. Na MG-230, o grupo retirou Maurício do veículo e o levou até uma área de mata, quando Wanderson teria assassinado a vítima a facadas.

Segundo a investigação, Wanderson matou o taxista por medo de o grupo ser reconhecido pela polícia, já que revelaram os nomes durante conversa entre eles. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente disse ter jogado a faca utilizada no crime no Rio Misericórdia, em Ibiá.

Depois, os criminosos foram até Patrocínio, onde fizeram contato com uma pessoa de nome Augusto, o qual teria trocado o veículo subtraído por certa quantia em droga, R$ 600 e uma televisão. O aparelho eletrônico foi vendido ainda na cidade para uma pessoa não informada, e o dinheiro não foi localizado.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que indiciou Wanderson pelos crimes de latrocínio, extorsão, corrupção de menores e tráfico. Nove dias depois da prisão, em 4 de dezembro, o inquérito foi concluído e enviado à Justiça de MG.

Crimes em Goiás

Em Corumbá de Goiás, Wanderson ainda é procurado por suspeita de triplo homicídio. Segundo a Polícia Civil, o jovem matou a facadas a esposa dele, Raniere Aranha Figueiró, de 19, e a enteada Geysa Aranha da Silva Rocha, de 2, no domingo (28/11).

Depois, invadiu fazenda próxima e matou o proprietário Roberto Clemente de Matos com tiro na cabeça, além de atingir no ombro a mulher do fazendeiro, Cristina Nascimento da Silva, de 45 anos, que fingiu estar morta após o disparo.

A Justiça já decretou a prisão preventiva de Wanderson, que, em 2019, foi preso por tentativa de feminicídio em Goianápolis, a 46 quilômetros de Goiânia. Ele atacou a irmã de sua madrasta a facadas por ela ter se negado a ir com ele para o quarto. O agressor só cessou o ataque porque a faca se quebrou em três pedaços. Em audiência sobre o caso, ele debochou do episódio.

Ele teve alvará de soltura em março de 2020. Pelos indicativos, de Goiás ele seguiu para Minas Gerais, onde teria participado da morte do taxista Maurício Lopes em novembro de 2020. Após esse episódio, veio parar novamente em Goiás, fixando-se em Corumbá.

Nesta cidade, conheceu Raniere, que já tinha uma filhinha. Os dois começaram a namorar e foram morar juntos pouco tempo depois. O relacionamento acabou com a morte de mãe e filha no fim de novembro deste ano.

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