Menino morto em incêndio no DF é sepultado sem a presença da mãe e da avó

Enterro foi na Cidade Ocidental e apenas um dos irmãos de Leonardo compareceu. Despesas foram pagas com doações. Mãe segue hospitalizada

atualizado 06/10/2020 18:49

Celimar de Meneses/Metrópoles

O corpo do menino Leonardo Henrique Pereira da Costa foi sepultado na tarde desta terça-feira (6/10), no cemitério da Cidade Ocidental (GO), onde a criança morava com a mãe e os irmãos. Não houve velório e o caixão não pôde ser aberto para uma última despedida devido ao estado do corpo, atingido pelas chamas que levaram Leonardo à morte e destruíram a casa de sua avó materna, em Planaltina, nessa segunda-feira (5/10).

A matriarca da família, a pastora Maria das Graças, 70 anos, não conseguiu sair do Distrito Federal e ir até o Entorno para o sepultamento do neto: desabrigada devido ao incêndio, ela foi acolhida por vizinhos.

Apenas hoje a mãe do garoto, Luzinete Barbosa, 49 anos, soube que o filho não havia sobrevivido. Ela está internada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), com queimaduras de 1º e 2º graus nos braços e nas pernas, sofridas quando tentou tirar o caçula da casa em chamas da avó. Um psicólogo da unidade de saúde deu a trágica notícia a Luzinete, que deve ficar hospitalizada, ao menos, por mais uma semana.

“Garoto querido”

Os únicos familiares presentes no enterro da criança foram o irmão mais velho de Leonardo, Paulo Moisés, acompanhado da mulher. Alguns poucos vizinhos e amigos da família também compareceram. No total, 10 pessoas acompanharam o sepultamento.

Mas o sentimento dos parentes era de gratidão. Conhecidos, como um dono de funerária amigo de Luzinete e a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da Cidade Ocidental, onde a mulher trabalhou por anos, ajudaram a pagar as despesas de R$ 3,5 mil – muito alta para os Pereira da Costa arcarem sozinhos.

“É um perda que não tem explicação. O garoto era inteligente, bacana, alto astral, supereducado, querido em todo o nosso condomínio. Ele tinha muitos amigos, sempre iam amigos dele lá em casa. Agora ele tá no céu”, lamentou o confeiteiro Paulo Moisés, 23 anos, irmão mais velho de Leonardo.

Morador de Valparaíso, o rapaz contou que as contribuições ajudaram a dar um enterro digno ao caçula da família. Leonardo foi sepultado cercado por flores e sob o choro sentido de quem o conhecia. Uma inscrição na faixa da coroa de flores depositada sobre o caixão resumiu o sentimento dos presentes: “Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém”.

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Causas

A família de Leonardo ainda busca explicações para o incêndio que matou o menino. Segundo a avó da criança, uma das possibilidades é que o garoto estivesse mexendo com fósforos e deu início ao fogo que se alastrou pela residência. Testemunhas disseram tê-lo visto com fósforos na noite anterior à tragédia. “O meu neto gostava de brincar com fogo”, resigna-se a pastora.

O garoto Leonardo não conseguiu sair da residência em chamas e morreu asfixiado em decorrência da inalação de fumaça, segundo peritos do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). No entanto, o laudo definitivo do IC, inclusive o do local, que poderá apontar o que causou as chamas, só deverá ser concluído em 40 dias. O caso é investigado pela equipe da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina).

Veja imagens do local onde ocorreu a tragédia:

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