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Homem quebra dedo do sobrinho e ameaça irmã de morte no Entorno do DF

Mulher registrou pedido de medida protetiva, mas reclama por não ter conseguido boletim de ocorrência para apurar agressão ao filho

atualizado

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A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) investiga o caso de uma mulher que está sendo ameaçada pelo próprio irmão após ele ter agredido e quebrado o dedo do filho dela, de 10 anos. Temendo pela sua vida e pela do filho, Patrícia* procurou a Delegacia de Planaltina de Goiás para relatar as agressões feitas na última segunda-feira (05/08/2019).

A mulher reclama, contudo, que só conseguiu registrar boletim de ocorrência referente às ameaças de morte, mas não em relação aos ferimentos causados ao filho.

Em áudio enviado por Patrícia à polícia, o homem diz que iria bater no menino novamente se o garoto voltasse em sua casa e a mataria caso ela passasse na rua em que ele mora. O Metrópoles teve acesso à gravação, que não será publicada para preservar a vítima.

Segundo Patrícia, a criança tem hiperatividade e faz uso de medicamentos para reduzir os sintomas. Por isso, o tio se irrita com o sobrinho. No ano passado, segundo disse a mulher, o irmão dela chegou a tentar afogar o menino em uma caixa d’água, mas foi impedido pela avó do garoto. “Ele pegou no pescoço do meu filho e o deixou lá. Minha mãe o tirou, empurrou meu irmão e salvou meu filho”, contou.

As agressões continuaram desde então e, em 3 de agosto deste ano, ele agrediu o menino. “Meu filho apanhou muito, a golpes de sandália. Um dedo foi quebrado devido à força da batida”, disse a mãe.

De acordo com ela, o irmão passou a se tornar mais agressivo após ter sido demitido do emprego por problemas com álcool. “Ele bebia muito. Trabalhava em Sobradinho e chegava sempre atrasado, às vezes nem ia. Aí, o patrão mandou ele ir embora e nem está trabalhando. Ele anda super agressivo, até xinga minha mãe”, narrou.

Como o agressor vive com a mãe, o filho de Patrícia agora não consegue mais visitar a avó. “Estou revoltada”, desabafou.

“Discriminada”

Apesar de ter registrado o pedido de medidas protetivas devido às ameças que sofreu, a mulher não conseguiu denunciar a agressão sofrida pela criança. Segundo relatou à reportagem, quando foi registrar o boletim de ocorrência na Delegacia de Planaltina de Goiás, Patrícia disse que foi “discriminada” pelo agente policial que a atendeu.

“A moça da Maria da Penha abriu o boletim, mas o que eu queria era Justiça para meu filho. Quando fui lá falar com o agente do plantão, ele falou para eu parar, que não queria ouvir nada e disse: ‘Você vai pegar esse relatório aqui, levar ao hospital, preenchê-lo e, quando acabar, você traz’. Mas ele não perguntou meu nome, não deu nem um pedaço de papel para eu assinar”, reclama.

No mesmo dia, Patrícia levou o filho ao hospital e voltou à delegacia, mas disse que foi orientada a deixar o documento somente no outro mês. “Fui preencher o relatório na médica e, quando voltei para entregar o relatório, o agente disse para eu levar no dia 2 de setembro, sendo que meu filho está com o dedo quebrado.”

Material cedido ao Metrópoles
Laudo médico orientou a aplicação de medidas protetivas para a criança

 

Além da delegacia, Patrícia também procurou o Conselho Tutelar da região. Da mesma forma, ela disse não ter conseguido apoio do órgão. “Já fui a esse Conselho Tutelar outras vezes, mas nunca registram minha queixa. Agora, de novo, busquei ajuda, mas não me atenderam. A moça disse que não podia fazer nada, só falar com meu irmão e dizer que ele agiu errado. Ela anotou algumas coisas num caderno, mas foi para disfarçar, porque não mandou eu assinar papel nenhum. Não pegou no computador”, disse.

O que diz a delegacia

Procurado pela reportagem, o delegado Cristiomário Medeiros, da Delegacia de Planaltina de Goiás, disse que, uma vez que Patrícia está com o laudo em mãos, o boletim já deveria ter sido registrado.

“O agente deve ter pedido para ela levar o filho ao médico e voltar à delegacia. O laudo é necessário para provar a agressão. Como não tem IML na cidade, a gente encaminha para o hospital público. Mas também tem o jeito que podem ter falado com ela. Existem formas de se falar”, considerou.

Segundo o delegado, assim que Patrícia procurar novamente a delegacia e registrar a ocorrência, a agressão à criança será apurada.

O Metrópoles tentou contato com o Conselho Tutelar de Planaltina de Goiás, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

*Nome fictício para preservar a identidade da vítima

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