Fotos mostram aparelhos abandonados em Hospital de Campanha de Águas Lindas

Imagens da unidade, que será fechada no fim de outubro, revelam o abandono com equipamentos de combate à Covid-19

atualizado 10/10/2020 16:18

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Funcionários do Hospital de Campanha (HCamp) de Águas Lindas, no Entorno do DF, denunciam descaso e abandono com os equipamentos e leitos na unidade. A obra, que custou cerca de R$ 10 milhões aos cofres da União e mais R$ 3o milhões do governo do estado de Goiás, será fechada no fim de outubro e cenas de desprezo com o bem púbico são flagradas no local.

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Ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou que a estrutura, erguida para o atendimento de pessoas com coronavírus ou síndromes respiratórias agudas, será desmontada. Planejada inicialmente para ser “temporária e suplementar da rede de atenção à saúde complementando os serviços já disponibilizados pelos hospitais fixos”, será devolvida ao Ministério da Saúde, o que pode ser feito graças ao “comportamento da pandemia de Goiás, de estabilização com tendência de queda sustentada”. Entretanto, o órgão ministerial confirmou à reportagem não ter sido notificado do encerramento da operação.

Com o impasse, quem sofre são os pacientes e profissionais da saúde que ali atuam. Tendo assumido a gestão do hospital no início de setembro, por ato de dispensa de chamamento devido à crise sanitária, a empresa Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir Saúde) confirmou que, até  a última terça-feira (06/10), haviam sete pacientes nos leitos das enfermarias e 11 assistidos internados nas UTI’s.

A pasta, por sua vez, informou que o HCamp de Águas Lindas é referência para a população da macrorregião Nordeste de Goiás e garantiu que “pacientes com Covid-19 que necessitarem de internação serão atendidos, prioritariamente, nas demais unidades do Estado, que atuam em rede”, sem confirmar para onde exatamente essas transferências ocorrerão.

Segundo as denúncias, tanto os maquinários hospitalares quanto os pacientes estão sendo transferidos para Goiânia, até mesmo aqueles que estão em unidade de tratamento intensivo (UTI). Uma fonte anônima, que preferiu não se identificar por medo de perseguição e represálias, disse haver casos de “pacientes que não conseguem sobreviver a essa transferência, por estarem com estado de saúde instável”, alerta.

Até a última atualização, Goiás registrou 228.376 casos de Covid-19, com 5.160 óbitos confirmados. Na cidade de Águas Lindas, localizada a cerca de 60 km a oeste de Brasília, são 3.842 confirmados  – um índice de 1.808,5 contaminados por 100 mil habitantes -, e 119 mortes.

Justificativa

Em nota enviada a pedido da SES-GO, a empresa Agir Saúde afirma que “todos os insumos e mobiliários hospitalares foram devidamente cuidados e administrados” nos 35 dias que a empresa administrou o hospital. Já sobre os equipamentos que não estão mais em uso, alega estarem “armazenados em locais apropriados e seguros” e que retornarão à SES-GO “em perfeito estado de utilização e funcionamento”.

Ainda, assegura que a estrutura emprega 326 colaboradores, sendo 211 com formação em nível médio e 115 em nível superior. “Esclarecemos que, durante as contratações, foi acordado nas tratativas junto aos funcionários que o HCamp de Águas Lindas teria um prazo de funcionamento com a finalização prevista dos contratos trabalhistas”, alegam.

Na edição suplementar do Diário Oficial do estado, publicado em 3 de setembro, no entanto, a vigência do contrato entre a empresa e a secretaria é de 120 dias. Com o fechamento da unidade na data anunciada de 22 de outubro, apenas 49 dias terão se passado desde a publicação do acordo no Diário Oficial.

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