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Após levar asfalto até a fazenda da distrital Liliane Roriz em Luziânia (GO), a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) decidiu aprimorar a infraestrutura próxima à propriedade rural de outro político. Dessa vez, o agraciado foi o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (MBD-CE).

Além de pavimentar totalmente a porta da fazenda do parlamentar, em Corumbá de Goiás, a Agetop ainda decidiu rebatizar a GO-225 com o nome do emedebista.

Com direito a placa oficial, a estrada passou a se chamar Eunício Lopes de Oliveira, mas a homenagem ao senador foi retirada nesta semana, após questionamentos de reportagem do BuzzFeed, autor da imagem. O episódio guarda outra semelhança com o caso Liliane Roriz. A empresa contratada para asfaltar trechos entre a GO-225 e a GO-139 é a Eletro Hidro Ltda. (EHL), a mesma que usou recursos públicos para levar piso novo à propriedade da deputada do Distrito Federal.

A EHL e a Agetop negaram que tenham dado ordens para confeccionar placas com o nome do político. Pelo asfaltamento na estrada em frente à Fazenda Santa Mônica, de Eunício Oliveira, a EHL recebeu R$ 30 milhões do governo de Marconi Perillo (PSDB).

Em nota, a assessoria de comunicação de Eunício negou que o parlamentar tenha qualquer envolvimento no caso. “O senador desconhece a existência dessa placa. O assunto é estranho ao gabinete”, diz o texto.

BuzzFeed News

Placa com nome do presidente do Senado Federal foi retirada nesta semana


Agetop investigada

Em novembro do ano passado, o Metrópoles revelou que a empresa contratada pelo governo de Goiás para pavimentar os 12km da GO-425 fez uma espécie de “puxadinho” de 1,2km até a fazenda de Liliane. Apesar da proximidade, os vizinhos da deputada permanecem com acessos de terra batida.

Apesar de a EHL garantir que a parlamentar pagou pelo serviço, nunca apresentou notas fiscais. O episódio causou estranhamento aos órgãos de fiscalização do Estado e levou o Ministério Público de Goiás (MPGO) a abrir investigação. O caso está sob análise da Promotoria de Defesa de Patrimônio.

Levando em consideração que toda a obra contratada pelo Executivo goiano custou quase R$ 15 milhões, por paralelismo, o percurso entre a via principal e a casa de Liliane teria de alcançar cifras milionárias.

Mas o suposto desembolso da quantia é um mistério. Nem o governo estadual, nem a empresa prestadora de serviço, nem a deputada distrital explicam como uma obra pública de Goiás acabou batendo à porta de uma política do Distrito Federal.

 

Empresa enrolada
A Eletro Hidro Ltda. coleciona rolos nas obras que executa Brasil afora. Em 2016, o proprietário da empresa, Wilmar Oliveira de Bastos, foi preso pela Polícia Federal, por supostamente integrar uma organização criminosa acusada de fraudar licitações de terraplanagem e pavimentação em Tocantins. Ele e outros 20 comparsas também detidos na Operação Ápia podem ter causado prejuízos superiores a R$ 1 bilhão.

Todas as empresas de Wilmar Bastos têm sede em Tocantins. Conhecido como “Chatão”, ele é responsável por grandes obras no estado. Entre elas, a da alça viária Norte-Sul, em Palmas, que ficou paralisada pelas investigações da Operação Ápia. Esse contrato foi firmado no valor de R$ 129 milhões.

Wilmar também é acusado de ter fechado um contrato de R$ 52 milhões para asfaltar vários municípios de Palmas, mas, em razão da suposta má qualidade do material utilizado, o piso começou a rachar em poucos meses.

 

 

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