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O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde) divulgou documento que faz um retrato dramático da situação do Instituto Hospital de Base de Brasília (IHB), a maior unidade de saúde da capital da República. Assinado pelo diretor de Atenção à Saúde do IHBDF, Rodrigo Caselli Belém, o relatório revela que 107 leitos encontram-se fechados por falta de recursos humanos.

O profissional destaca ainda que cerca de 150 pacientes ficam internados no pronto-socorro, resultando numa média de 30 doentes para cada técnico em enfermagem. Em seu relato, o médico chama a situação de “desesperadora” no centro cirúrgico da unidade, que chegou a interromper cirurgia por falta de ar-condicionado.

“Apenas cinco operações são feitas diariamente, das 10 previstas. Somos referência em cirurgia oncológica e neurocirurgia, mas temos mais de 1 mil pessoas aguardando por esses procedimentos, que só podem ser realizados no HBDF”, destacou.

De acordo com o profissional, a ausência de anestesistas faz com que procedimentos cirúrgicos sejam constantemente adiados. “Resumindo: a falta de recursos humanos forma um efeito cascata em todas as áreas do hospital”, disse.

Veja o relatório na íntegra:
Relatório mostra caos no Instituto Hospital de Base do DF by Metropoles on Scribd

Gestão criticada
Transformar o maior hospital do DF em instituto foi uma tentativa do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) de melhorar a saúde na capital do país. No entanto, a mudança de direcionamento provocou resistência de sindicatos da área, que acusam o Executivo local de querer privatizar a saúde pública.

O GDF se defende garantindo que a nova administração desburocratiza processos, pois os diretores podem comprar insumos, medicamentos e consertar equipamentos sem as amarras dos processos licitatórios.

Justiça proíbe contratações
Os apontamentos do médico Rodrigo Caselli foram confirmados pelo próprio diretor-geral do Instituto, Ismael Alexandrino, em coletiva de imprensa concedida na semana passada. Na ocasião, o diretor reclamou da decisão do juiz Renato Vieira de Faria, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília, que proibiu a contratação de qualquer funcionário pelo IHB no regime celetista (CLT).

A decisão, de caráter temporário, suspendeu ainda o segundo processo seletivo que a unidade da rede pública estava fazendo. O primeiro já havia sido interrompido. Caso as determinações sejam descumpridas, será cobrada multa diária de R$ 50 mil.

Os sindicatos das categorias profissionais da saúde têm reclamado de sobrecarga de trabalho dos atuais servidores causada pela falta de pessoal. “Isso de fato está acontecendo. Estamos prestando um serviço abaixo da capacidade do hospital. Temos 107 leitos de enfermaria, 10 de UTI e salas de cirurgia fechadas porque não possuímos profissionais suficientes para colocá-las em funcionamento. É como se fosse um hospital de médio porte completamente fechado. Se não pudermos contratar, há risco de morte de pacientes”, expôs o presidente.

O outro lado
O Instituto Hospital de Base informou que, por enquanto, nenhum serviço de saúde fechou, mas as escalas serão remanejadas para atender às áreas mais críticas, como UTI, Pronto-Socorro e centro-cirúrgico.

Disse que o instituto tenta, mediante processos seletivos dotados de publicidade, impessoalidade e objetividade, contratar novos funcionários. Todavia, o Ministério Público do Trabalho ajuizou duas ações para impedir o regular prosseguimento dos processos seletivos.

Afirmam também que o hospital tem envidado todos os esforços para reverter essa situação perante o Judiciário, mas, ao que parece, “está havendo um grande equívoco conceitual acerca da natureza jurídica do IHB, que é privada”.

Reforçam que “o hospital não é submetido ao concurso público, deve apenas realizar processo seletivo simplificado. A não continuidade dos processos seletivos piorará a situação do IHB que, que caso não se reverta, poderá entrar em colapso”.

Por fim, dize que “atualmente o maior entrave do IHB é o déficit no seu quadro de funcionários. Todos os outros problemas estão sendo devidamente resolvidos, mas sem quadro de pessoal é impossível o IHB funcionar adequadamente”.

 

 

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