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Um mês após o início da greve, os servidores da assistência social do Governo do Distrito Federal (GDF) realizaram, nesta segunda-feira (2/4), assembleia na qual decidiram pela continuidade da paralisação. Depois da reunião, trabalhadores ocuparam o gabinete da secretária Ilda Ribeiro Peliz, titular da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh). O protesto foi encerrado no início da tarde.

O objetivo era chamar a atenção para que o governo receba integrantes do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural (Sindsasc) e abra negociação. A entidade reclama que a gestão está fechada para o diálogo.

No último dia 26, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negou pedido feito pelo GDF para que a greve fosse declarada ilegal. A decisão proíbe o Executivo de cortar o ponto dos servidores que aderiram à paralisação.

Para o presidente do Sindsasc, a determinação judicial é sinal de que o movimento paredista é justo. “O governo tentou tornar nossa greve ilegal e não conseguiu. O GDF está perdendo campo para a nossa capacidade de mobilização e para a nossa ótima relação com o público que atendemos. O governo não vai conseguir colocar a população contra a nossa categoria”, disse Clayton Avelar.

Reivindicações
A lista de reivindicações dos profissionais inclui: o acerto retroativo do aumento salarial previsto em lei desde 2015; a realização de concurso público para suprir o desfalque de 2,6 mil trabalhadores da carreira; o pagamento de benefícios como vale-alimentação e licenças-prêmio; a melhoria das condições de trabalho para os servidores das Unidades de Acolhimento; e a implantação de ajustes no Setor de Cadastro (Secat).

Os servidores ainda cobram: a disponibilização da quantidade necessária de material de trabalho nos Centros de Convivência; a viabilização de transporte para os servidores; e a designação correta para o trabalho nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), que têm assumido a destinação de demandas dos Centros Pop – os quais atendem a população de rua.

Famílias sem atendimento
O Sindsasc estima que um total de 100 mil famílias estão sem atendimento de assistência social no DF. A atuação dos servidores é destinada aos beneficiários de programas sociais, mulheres vítimas de violência e em situação de perigo, pessoas em situação de rua e desabrigados, crianças sem guarda ou que estão sob a tutela do Estado, idosos, pessoas com deficiência mental e vítimas de tráfico de pessoas.

Apenas o contingente mínimo de 30% dos servidores da categoria está em atividade nas unidades de atendimento ininterrupto. Um total de 1.530 trabalhadores, o correspondente a 90% dos sindicalizados, aderiram ao movimento.

Por meio de nota, a secretaria respondeu que as unidades do Cras e Creas têm mantido um atendimento básico, priorizando casos mais urgentes, para atender as demandas dos usuários. A Casa Civil informou que “mantém o diálogo com as categorias. As reivindicações estão sendo atendidas de acordo com a disponibilidade financeira do Governo de Brasília”.

“Os agendamentos têm sido cumpridos, principalmente em relação aos usuários do Cadastro Único. O serviço de auxílio por morte continua funcionando em todas as unidades”, afirma a Sedestmidh.