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Eles começam 2021 livres… da Covid-19, do câncer e da injustiça

Conheça histórias de gente que batalhou em 2020 e começa o novo ano com esperança de tempos melhores

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Um ano de plantar, para depois colher: assim espera o jovem Lucas Moreira da Silva, 26, em relação ao ano de 2021.

A virada começa com uma pontada de esperança para o rapaz. Encarcerado na Papuda durante quase três anos, por um crime que não cometeu, Lucas recuperou a liberdade apenas em outubro de 2020. O processo relativo a ele teve ao menos cinco inconsistências que levaram a uma sequência de erros no Judiciário, resultando nos 2 anos e 10 meses de detenção por engano.

“É, realmente, um recomeço de vida”, afirma Lucas. “É inevitável se sentir injustiçado: foram três anos. Mas agora é começar de novo. 2020 foi um pouco difícil, por causa da pandemia e desemprego, mas tenho fé para o próximo.”

Já em liberdade, Lucas ganhou espaço para trabalhar com a paixão que o guia desde criança: o rap. Os planos do jovem envolvem lançar um canal de música no YouTube, já no início de 2021. Familiarizado com o estilo musical, ele comenta que está em fase de produção para o começo de uma carreira.

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Lucas diz que pretende, em breve, lançar um canal no YouTube
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Lucas diz que pretende, em breve, lançar um canal no YouTube
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Lucas diz que pretende, em breve, lançar um canal no YouTube

Amigos também prestaram apoio ao rapaz. Com o dinheiro de uma vaquinha criada em solidariedade à causa, Lucas tirou habilitação para dirigir moto.

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Lucas deixou a prisão e foi para a casa da tia
Lucas com o filho, de quem ficou afastado durante 3 anos
A liberdade foi, para o jovem, um presente de aniversário antecipado: ele completou 27 anos poucos dias após retomar sua liberdade
O abraço na tia, que o apoiou
Lucas soltava pipa perto da casa da tia, quando foi preso
Solto, Lucas pôde abraçar o filho
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Solto, Lucas pôde abraçar o filho

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Lucas deixou a prisão e foi para a casa da tia
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Lucas deixou a prisão e foi para a casa da tia

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Lucas com o filho, de quem ficou afastado durante 3 anos
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Lucas com o filho, de quem ficou afastado durante 3 anos

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A liberdade foi, para o jovem, um presente de aniversário antecipado: ele completou 27 anos poucos dias após retomar sua liberdade
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A liberdade foi, para o jovem, um presente de aniversário antecipado: ele completou 27 anos poucos dias após retomar sua liberdade

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O abraço na tia, que o apoiou
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O abraço na tia, que o apoiou

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Lucas soltava pipa perto da casa da tia, quando foi preso
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Lucas soltava pipa perto da casa da tia, quando foi preso

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Família reunida
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Família reunida

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Em 20 de dezembro de 2017, Lucas foi preso enquanto empinava pipa perto da casa da tia, em Ceilândia. Na ocasião, ele foi acusado de cometer roubo qualificado e tentativa de latrocínio.

“Eu confesso que receber o Lucas de volta foi, para mim, nada mais e nada menos que um milagre”, define Maridalha Moreira, 47, mãe do jovem. “Todas as circunstâncias diziam que não. Ter o Lucas conosco é realmente gratificante. Foi o primeiro Natal que passamos juntos, depois de muita dor, angústia e sofrimento. Tudo o que queremos agora é que ele viva uma vida normal. Mas eu creio que, daqui para frente, será só alegria, em nome de Jesus.”

Milagre

Não é apenas no caso de Lucas que o ano de 2020 trouxe surpresas e, conforme frisado por Maridalha, um milagre. Para o jornalista Jorge Eduardo Antunes, 55 anos, que esteve muito próximo da morte, foi uma época “para renascer”.

“Eu aprendi que a gente é muito frágil e a vida é uma gota de tempo, um bem ao qual não damos tanto valor”, resume o jornalista. Antunes ficou mais de 40 dias internado por complicações da Covid-19, o que resultou em um grande período de tempo longe da família.

Para ele, não se tratou de uma “gripezinha”: Antunes teve os músculos atrofiados devido à internação, perdeu mais de 20 quilos, ficou incapaz de comer ou andar sozinho. Até mesmo sua fala foi afetada e, hoje, ainda apresenta algumas sequelas. Diabetes e hipertensão corroboraram para que seu quadro se agravasse.

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Após se recuperar, jornalista pôde passar o Natal com a família
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Após se recuperar, jornalista pôde passar o Natal com a família

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Começou com sintomas leves, em agosto, até evoluir para febre e exaustão. Internado no Hospital Santa Helena, começou a perder sangue pela pele e apresentou baixa oxigenação.

“Os médicos achavam que era questão de dias ou de horas”, conta. “Se, naquele mês, me dissessem que eu poderia passar o Natal com minha família em dezembro, pareceria impossível, um milagre. Não era para eu estar na foto de fim de ano com minha esposa e duas filhas.”

Antunes permaneceu internado e sedado até setembro, quando seu estado começou a melhorar. Apesar de ter retornado à casa e podido passar o Natal com a família, o jornalista ainda está em estado de recuperação.

“Passei por um ano complicado. Mas eu estou vivo. Para mim, pessoalmente, não posso dizer que foi terrível. Adoeci e quase morri, mas sobrevivi. O ano de 2020 me fez renascer. Me fez valorizar o respeito ao próximo, a solidariedade e a crença ainda mais absoluta na ciência – sem descuidar da religião. Todos os médicos disseram que foi um milagre”, conta.

Para 2021, o que ele espera de fato é o fim do negacionismo, para que o país possa se recuperar da pandemia.

“Essa doença ensina diariamente que, se você não a respeitar, vai desrespeitar o próximo. Quanta gente não levou o vírus para casa e acabou enterrando a família?”, destaca. “É um vírus muito traiçoeiro, covarde e silencioso, que vem sendo tratado como brincadeira. Mas é apavorante.”

Por fim, completa: a doença que o deixou longe da família, quase o levando a morte, deixou milhares de pessoas mortas – todas,  insubstituíveis. “Todos que morrem são pais, filhos, mães, avós, tias, amigos… são insubstituíveis no coração de quem os ama.”

Diagnóstico por acaso

Foi por acaso que o bancário José Gilberto de Souza, 61 anos, morador de Sobradinho, descobriu o câncer que acometia seu corpo. Por meio de uma bateria casual de exames, ele foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin.

De início, não contou para família ou amigos. Apenas a esposa sabia, e o acompanhou durante todo o tratamento. A primeira quimioterapia foi realizada em junho, no Hospital Sírio Libanês, onde ele afirma ter sido muito bem assessorado durante todo o processo.

O primeiro exame indicou que o câncer estava muito avançado. Desde o começo, porém, o bancário afirmou não ter sentido nenhuma dor.

“Em 2020, eu recebi essa graça. Fui poupado da dor e do sofrimento que a doença traz. Não posso reclamar de nada”, afirma. Ele chegou a raspar a cabeça por vontade própria. “Para 2021, eu espero que passe essa situação de pandemia. Que seja uma nova etapa na vida de todos, importante assim como 2020 foi para mim em termos de aprendizado.”

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Primeiro exame do paciente já indicava estado avançado
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José Gilberto e esposa
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José Gilberto e esposa

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Primeiro exame do paciente já indicava estado avançado

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José pretende se aposentar no próximo ano para tentar “aproveitar mais a vida”, já que passou muito tempo trabalhando. No mais, ele destaca o apoio fundamental que recebeu da família e dos médicos.

Conforme explica o médico hematologista Fernando Blumm, do Sírio Libanês, só pode se dizer que um paciente está curado depois de cinco anos de acompanhamento. No entanto, Gilberto atingiu a remissão após o tratamento.

“Neste período, eu convivi com as incertezas que um câncer nos traz, mas, em nenhum momento, perdi a fé e a certeza que esse dia iria chegar – a remissão da doença”, discursa Gilberto.

Ele completa que o mais importante é manter o otimismo diante das adversidades. “Serei grato eternamente e pretendo dar sentido a cada instante em minha nova vida. Como diz o doutor Fernando, há pessoas que são feitas de eucalipto. Eu sou feito de maçaranduba.”

Cateterismo de Natal

“Eu estou encerrando 2020 sabendo que minha filha vai precisar de um transplante de coração” diz Arilene Maria Fontinele, 41, moradora da Cidade Ocidental. A filha de 11 anos, Maria Julia, nasceu com uma síndrome que debilita o coração. Após pedir um cateterismo em cartinha de Natal, ela teve o procedimento doado, assim como um stent cardíaco.

“Para 2021, eu espero que minha filha fique bem e que eu possa dar qualidade de vida a ela. Espero deste ano só saúde, não peço mais nada, e que as pessoas tenham mais amor uma pelas outras”, afirma. “Esse é meu grande recomeço: que a Maria Julia fique bem.”

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A família criou uma vaquinha on-line para ajudar com os custos necessários para o tratamento da criança. Quem puder contribuir pode fazê-lo neste link.

Confira na íntegra:

Carta Maria Julia by Metropoles on Scribd

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