É verdadeiro que Estônia é um exemplo de governo digital no mundo

Assim como apontado pelo candidato Izalci Lucas (PSDB), a Estônia pode é um exemplo de digitalização de processos para seus habitantes

atualizado 30/09/2022 19:05

Gui Prímola/Metrópoles

É verdadeira a informação de que a Estônia é um referência de governança digital no mundo. Izalci Lucas (PSDB), senador e candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), citou o país como exemplo a ser seguido para a implementação de processos digitais durante sabatina realizada pelo Metrópoles.

Além disso, Izalci já propôs um requerimento no Senado Federal para debater o “governo digital da Estônia” com a presença da presidente do país, Kersti Kaljulaid. “A Estônia, país que detém praticamente quase todo o seu governo na forma digital, usou de recursos tecnológicos para transformar e remodelar estruturas governamentais de sua república”, justifica o texto.

Por isso, a equipe do V ou F procurou especialistas sobre o assunto e pesquisou informações do governo estoniano para esclarecer a veracidade das afirmações.

Como checamos

O sistema e-Estonia, que agrupa os programas e iniciativas de digitalização do país, afirma que a nação começou a construir uma sociedade da informação há mais de duas décadas. De acordo com a plataforma governamental, residentes estonianos podem inclusive iniciar o processo de abrir uma empresa em apenas 15 minutos.

Entre outras conquistas com o avanço do setor digital no país, segundo o e-Estonia, está a digitalização de 99% de todos os serviços públicos governamentais; a disponibilidade de 40 milhões de documentos no sistema eletrônico de saúde e quase 100% dos pacientes com um registo digital a nível nacional. No país, 70% de todas pessoas que possuem carteira de identidade a utilizam digitalmente e 46,9 % dos votos foram feitos pela Internet nas eleições de 2021.

A pesquisa Digital Futures Index, organizada pela empresa Microsoft em junho deste ano, coloca a Estônia entre os líderes europeus em governança digital. O índice classificou a digitalização de 16 países através de cinco categorias: negócios digitais, governo digital e setor público, infraestrutura digital, setor digital e capital humano.

Em relação aos países da Europa Central e Oriental, a nação lidera no quesito de serviços públicos digitais. Além disso, tem o maior número de start-ups per capita em comparação com outros países do escopo. Também pontuou acima da média nas categorias governo digital e setor público; negócios digitais e setor digital.

Contexto brasileiro

Segundo Lorena Tavares, professora e pesquisadora de Ciência da Informação na Universidade Federal Minas Gerais (UFMG), confirma que a Estônia é um exemplo de serviços públicos digitais para o mundo. Entretanto, ela aponta para a quantidade de habitantes e a economia estável do país que permitem “a seus cidadãos acesso a praticamente todos os serviços básicos do Governo pela mediação digital”.

“Os benefícios do acesso aos serviços do governo pela mediação digital, segundo a imprensa, são a transparência e agilidade nos serviços públicos. Mas é preciso refletir e sempre ter em perspectiva as dimensões geográficas e os pouco mais de 1 milhão de habitantes que possuem estabilidade econômica e social no seu pequeno país”, afirma Tavares.

Em relação a possível aplicação de ações parecidas aqui, a especialista comenta: “Aplicar tecnologia não é uma questão complexa para o Brasil, mas alcançar seus cidadãos em sua diversidade social e econômica, sim”. Segundo a pesquisadora, o Brasil tem avançado em políticas de Governo Eletrônico nas esferas federal, estadual e municipal, como demonstram ferramentas que garantem serviços e transparência nos processos de solicitação de serviços públicos.

“Mas, existem uma série de variáveis fundamentais que precisam ser consideradas em qualquer projeto Macropolítico de digitalização de serviços públicos e comparar o Brasil com a Estônia pode não ser um parâmetro adequado”, explica.

Por que checamos?

V ou F é um programa de checagem do Metrópoles em parceria com o Google e com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que visa verificar publicações com potencial de viralização e que tenham relação com as eleições de 2022 no Distrito Federal.

Metrópoles cria núcleo de combate à desinformação nas eleições do DF

Para verificar os conteúdos, a equipe consulta especialistas, fontes oficiais sobre o assunto, documentos e dados públicos. A intenção é encontrar informações que confirmem ou não a informação que está sendo compartilhada.

Quando o assunto é desinformação e fake news, as postagens podem ser, além de verdadeiras ou falsas, enganosas ou sátiras. As sátiras não têm a intenção de causar mal, mas têm grande potencial para enganar.

Já as publicações enganosas têm conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações. Também usam dados imprecisos ou que induzam a uma interpretação diferente da intenção de seu autor. Além disso, confundem, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Quem se deparar com algum conteúdo duvidoso e achar que ele precisa de verificação pode encaminhar o material para o WhatsApp do Metrópoles DF: (61) 9119-8884.

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