Educação no DF: problemas de saúde causaram 56,9 mil afastamentos

A quantidade em 2019 foi a maior desde 2016, mesmo com a queda no número de professores da rede pública do Distrito Federal

Michael Melo / MetrópolesMichael Melo / Metrópoles

atualizado 28/01/2020 14:55

Afastamentos por motivos de saúde entre servidores da Secretaria de Educação do Distrito Federal atingiram o maior nível em quatro anos. Após queda em 2016, o número vem aumentando paulatinamente, apesar da diminuição de professores contratados.

No ano passado, houve 56,9 mil dispensas por questões de saúde – em sua maioria, educadores da rede pública. O pico foi registrado em 2015, quando 61,8 mil pedidos foram concedidos. Os dados são da Secretaria de Economia do DF e foram obtidos pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, após pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI).

 

Para a diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Rosilene Correa, os dados apontam que há algo muito grave a ser combatido na capital do país.

“O crescimento dos afastamentos por motivos de saúde leva a outros três problemas. O primeiro é no cuidado com o servidor, que adoece trabalhando. O segundo é financeiro, já que os afastamentos geram gastos adicionais para a administração pública, que precisa contratar substitutos. O terceiro é pedagógico, uma vez que os alunos sofrem com o rodízio de professores”, destacou. “Ou o governo leva isso muito a sério, e pensa em política de valorização da categoria, ou vai se tornar uma situação insustentável.”

Segundo o pesquisador do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Heleno Correa, a situação é um reflexo do Brasil. “Quando tem piora coletiva do trabalho, o professor serve de indicador do quanto é aguda e precária a situação de todos os outros que estão com eles na mesma situação”, explicou.

“O que vem acontecendo é um fenômeno de décadas. Há um choque intenso em relação às condições de trabalho do ponto de vista nacional, e aqui no DF não foge à regra do que acontece no país inteiro”, continuou. “Com a queda do financiamento da Educação, quem já tinha pouco tem muito mesmo. Então aumenta o número de pessoas adoecidas, nervosas.”

Questionada, a Secretaria de Educação forneceu números menores. No entanto, os dados confirmam a realidade vivida pelos servidores da pasta. As principais causas, de acordo com o órgão, são “transtornos mentais, comportamentais, doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, tendinite e artrite”. Para lidar com a questão, a secretaria informou que são desenvolvidas ações para a promoção do bem-estar de servidores, bem como palestras sobre a prevenção de doenças variadas, incluindo os transtornos sociais e psicológicos.

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