Impasse sobre ocupação na UnB vira caso de Justiça e de polícia

Grupo de estudantes protocolou representação no Ministério Público Federal contra o movimento

atualizado

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Daniel Ferreira/Metrópoles
UNB Ocupação
1 de 1 UNB Ocupação - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Apesar das tentativas de negociação, o impasse entre estudantes a favor e contra a ocupação da Universidade de Brasília (UnB) é cada vez maior. Na segunda-feira (7/11), um grupo de estudantes contrário ao movimento apresentou uma representação ao Ministério Público Federal no DF (MPF-DF) pedindo medidas judiciais contra a ocupação na Universidade.

A equipe, formada por cerca de 20 alunos da instituição, conseguiu reunir 3.048 assinaturas em favor da desocupação dos prédios e anexou-as ao documento. O estudante de Letras-Português Hiago Tadeu, 21 anos, foi um do responsáveis pela medida: “A assembleia que decidiu a ocupação não tinha quórum e votou temas que nem estavam na pauta. O processo foi cheio de falcatruas e muitos alunos se sentiram prejudicados. Por isso, decidimos recorrer à Justiça”, disse o jovem ao Metrópoles.

A representação foi distribuída à procuradora Luciana Loureiro Oliveira, que ainda vai decidir se dará prosseguimento à ação. Segundo a assessoria do MPF-DF, na terça-feira (8), ela enviou um ofício à reitoria da UnB e outro será enviado ao Diretório Central de Estudantes (DCE) na quarta-feira (16) para que ambos informem sobre as circunstâncias da ocupação.

Roubo de assinaturas
Além da medida judicial, o recolhimento de assinaturas também acabou virando caso de polícia. Segundo os estudantes que fazem parte do grupo, no dia 3 de novembro, primeiro dia no qual eles colheram assinaturas, cerca de 600 nomes foram roubados. “Um garoto pediu para assinar a prancheta e depois saiu correndo em direção ao prédio da Reitoria, que está ocupada. Depois que ele entrou, não conseguimos reaver o documento”, conta Hiago Tadeu.

Os estudantes chegaram a registrar uma ocorrência na Polícia Civil sobre a situação. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).

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Vandalismo no campus da UnB
Pichação na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária
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Pichação na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária

João Amador/ Metrópoles
Vandalismo no campus da UnB
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Vandalismo no campus da UnB

João Amador/ Metrópoles

Pichações
Outro acontecimento também causou polêmica entre estudantes pró e contra ocupação na segunda-feira (7). Na ocasião, o Centro Acadêmico de Agronomia (CAAgro) amanheceu com pichações condenando o posicionamento do curso, desfavorável à ocupação. O caso foi registrado no setor de segurança da Prefeitura do Campus Darcy Ribeiro.

Localizado na parte sul do Instituto Central de Ciências (ICC), o centro acadêmico teve as frases “Agroboy passa mal” e “Meça seu privilégio branco” pichadas. O Instituto de Geociências também foi vandalizado. “Registramos ocorrência na polícia do campus e encaminhamos o caso para a diretoria do curso para que seja apurado quem são os responsáveis por esse ato”, afirmou André Fernandes, um dos representantes do CAAgro.

A Secretaria de Comunicação da UnB informou que, por enquanto, não há como abrir um procedimento administrativo devido à ocupação do prédio da Administração da universidade. Já o chefe de segurança do campus, Josué Guedes, afirma que ainda não foi realizada uma visita no local porque muitas ocorrências têm sido registradas nos últimos dias. Outro fato que prejudica a fiscalização é a diminuição do efetivo de pessoal, já que os servidores técnico-administrativos da UnB estão em greve.

O ato repercutiu nas redes sociais. Em um grupo formado por estudantes de diversos cursos, houve troca de ameaças. Uma estudante de Pedagogia publicou que fora agredida. “Acabei de levar uma cuspida na cara por uma mulher que estava defendendo as ocupações na UnB”, relatou a aluna em vídeo.

Do lado favorável à ocupação também há reclamações. Um estudante do curso de Letras, que preferiu não se identificar, afirma ter sido ameaçado por alunos que cursam Agronomia. “Eles aparecem à noite com casacos e ficam nos intimidando. Tivemos que fazer barricadas para manter nossa manifestação”, conta.

Fernandes rebate as acusações. “Apenas decidimos em assembleia por não ocupar a faculdade. Acreditamos que essa ação prejudica os alunos que estão terminando o semestre, principalmente dos calouros, que têm aula nos blocos fechados. Mas a orientação é respeitar aqueles que estão ocupando”, afirma.

 

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