Escolas tradicionais do DF oferecem ensino médio americano
Mackenzie, Leonardo Da Vinci e Marista buscam, com o método, facilitar a entrada de alunos em universidades de outros países

O sonho de estudar em uma universidade fora do país tem mudado a rotina de muitos estudantes brasilienses. De olho no futuro, eles têm se desdobrado para fazer, além da educação regular brasileira, o American High School, equivalente ao ensino médio americano. E nem precisam trocar de escola para isso. Pelo menos três colégios particulares do DF oferecem essa oportunidade aos seus alunos.
O Presbiteriano Mackenzie, no Lago Sul, e as três unidades do Leonardo Da Vinci – Asa Norte, Asa Sul e Taguatinga – oferecem o American High School há cerca de três anos, o Marista João Paulo II desde o ano passado. A partir de 2017, será a vez do Marista da Asa Sul aderir ao método. “Foram os próprios alunos e pais que nos procuraram e cobraram esse tipo de ensino”, diz Fernanda Lages, 30 anos, gerente de relacionamento da unidade Marista.
O sistema funciona praticamente da mesma maneira nessas instituições. No período da manhã, os alunos cursam o ensino médio brasileiro, com a grade curricular comum: português, matemática, geografia, física etc.À tarde, quem opta também pelo American High School aprende sobre economia, sistema político, história, oratória, pensamento crítico e literatura dos Estados Unidos. Tudo com professores nativos e em inglês. Assim, no fim do ensino médio, o diploma do estudante será válido no Brasil, nos Estados Unidos e em outras universidades de língua inglesa.
Vinícius Coimbra, 18 anos, foi um dos primeiros alunos a se inscrever no programa assim que o Colégio Leonardo Da Vinci passou a disponibilizar o curso, há cerca de três anos. O estudante já terminou o High School e fez o SAT (Scholastic Aptitude Test), o “Enem” dos Estados Unidos. Tirou uma boa nota e, agora, passa por entrevistas para entrar na Universidade de Michigan. Vai cursar engenharia civil.

Louise Rodbard (foto em destaque com Vinícius), 16, segue os mesmos passos e também espera ingressar em uma universidade fora do país. Ela decidiu cursar o método americano ainda no último ano do ensino fundamental. “Sei que é caro pagar o ensino médio brasileiro e o americano, mas considero um investimento. Quero cursar relações internacionais nos Estados Unidos, Canadá ou na Austrália”, planeja.
O custo para fazer o High School não é barato. A mensalidade fica entre R$ 900 e R$ 1,5 mil. O aluno tem de assistir aulas duas a três vezes por semana, sempre no horário contrário ao ensino regular brasileiro. É preciso ter inglês intermediário ou avançado e interesse pela cultura americana.

A rotina exige muito do aluno. Mesmo assim, Vitor Soares, 15, está há dois anos conciliando o curso brasileiro com o americano, no Colégio Mackenzie. “Tive de abrir mão de algumas coisas para ter tempo de estudar, mas está dando certo”, afirma.
Para a coordenadora do curso no Mackenzie, Erika Zaidan, 43 anos, o high school traz não só habilidades profissionais, como acadêmicas e pessoais para o aluno. Outras vantagens são apontadas pelos especialistas, como a fluência na língua inglesa e a certificação internacional, que pode ser um passaporte para uma universidade fora do país.
Já o professor da Universidade de Brasília (UnB) Reni Castiomi, especialista em Educação, alerta para o excesso de atividades para os estudantes entre 15 a 18 anos, o público-alvo do American High School. “A maioria dessas escolas já tem a carga horária exagerada apenas no ensino tradicional”, lembra.
Bruno Macedo da Silva, 17, começou o ensino médio americano no início de 2014 e, este ano, optou por parar, para se preparar melhor para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Estava muito corrido. Parei para poder focar nas matérias exigidas aqui no Brasil mesmo. Quero tentar terminar depois, para poder me formar no ensino médio americano também”, garante.


