Drones e técnicas arqueológicas ajudam PCDF a identificar ossada

Segundo a corporação, o corpo é de Franciele da Silva Moreira, assassinada com requintes de crueldade pelo ex-companheiro e o filho dele

Divulgação/PCDF

atualizado 12/12/2018 9:42

A descoberta da ossada de Franciele da Silva Moreira, 22 anos, assassinada pelo ex-companheiro e o filho dele, mobilizou uma força-tarefa da Polícia Civil do Distrito Federal. Para exumar os restos mortais da vítima, a corporação demandou três médicos-legistas do Instituto Médico Legal (IML), além de agentes, delegados e papiloscopistas.

Até um drone foi usado no trabalho para fazer imagens aéreas, delimitando com precisão o local onde a ossada seria encontrada. Segundo a polícia, as gravações serão anexadas ao inquérito policial e pode subsidiar as investigações dos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.

O corpo de Franciele estava em uma cova de 20 centímetros de profundidade, de bruços, em um matagal de Brazlândia. Para desenterrá-la, os policiais recorreram a técnicas usadas em escavações arqueológicas.

“A perícia realizada irá fornecer subsídios à investigação, pois pretende-se, com esse trabalho, determinar as causas e circunstâncias da morte, além de calcular o tempo em que ocorreu, ou mesmo se a vítima foi morta no local, enterrada viva ou não”, explica o médico-legista da PCDF, Malthus Galvão.

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Identificação
Mesmo após localizarem os restos mortais nesta terça-feira (11/12), o trabalho da corporação não está terminado. O próximo passo é submeter os vestígios a exames antropológicos, odontológicos e genéticos. Outros procedimentos complementares ainda serão realizados no IML, como tomografia e testes laboratoriais.

Segundo Malthus Galvão, a confirmação da identidade da ossada poderá ser determinada a qualquer momento. “Vai depender das informações repassadas pela família ou por conhecidos da vítima, seja por meio de fotos públicas, pessoais ou exames da arcada dentária de Franciele. Porém, o resultado dos laudos estará pronto em até 30 dias”, afirmou.

Crime diabólico
O trabalho da perícia começou após os assassinos confessos Cláudio da Silva Rosa, 43 anos, e o filho dele, Wilker da Silva Rosa, 25, prestarem depoimento na 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia) e descreverem, com precisão, o local onde enterraram Franciele. Eles foram presos preventivamente na manhã dessa segunda (10).

O crime teria ocorrido no dia 4 de dezembro de 2016, em uma chácara, às margens da BR-080. De acordo com as investigações, Cláudio nutria um ciúme doentio por Franciele, que havia rompido o relacionamento. A vítima teria sido atraída pelo criminoso até sua casa e morta no loca,l com requintes de crueldade.

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Na noite em que foi assassinada, a mulher usou uma moto para se encontrar com Cláudio e colocarem um ponto final no relacionamento. As investigações apontam que o homem já havia premeditado o crime usando, inclusive, telefones celulares comprados com linhas em nomes de terceiros.

Após o crime, Cláudio e o filho, que participou de toda a trama, teriam levado o corpo, a moto da vítima e todos os seus pertences para uma área isolada, às margens da DF-220, no sentido do Poço Azul, área rural de Brazlândia. Franciele foi enterrada no local junto com todos os seus objetos pessoais.

De acordo com o delegado-chefe da 18ª DP, Adval Cardoso de Matos, o criminoso já havia ameaçado Franciele quando ainda estavam juntos. Mas, após a separação, a situação se agravou. “Mesmo depois de separados, ele não deixava que nenhum homem se aproximasse dela. Como ele não aceitava o término do relacionamento, resolveu premeditar e executar esse crime brutal”, disse.

Wilker, filho de Cláudio, segundo a PCDF, teria aceitado participar do assassinato principalmente pelo ódio que nutria por Franciele. “O Wilker tinha muita raiva da vítima por ela ter sido o pivô da separação de seus pais. Então, concordou em executar a ex-companheira do pai”, explicou o delegado.

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