“Ditadura”: concurseiros contra mudança na barra do TAF são removidos de grupo
Recomendação pede a troca da barra dinâmica pela barra estática para mulheres no TAF do concurso do CBMDF
atualizado
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Uma discussão em um grupo de WhatsApp formado por médicos candidatos ao concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) terminou com remoção de usuários, acusações de “ditadura” e criação de um novo grupo após divergências de opiniões sobre a recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de substituir a barra dinâmica pela barra estática para candidatas mulheres no Teste de Aptidão Física (TAF). A confusão ocorreu nesta terça-feira (10/3).
A polêmica começou quando uma concurseira de 35 anos, que se prepara para o certame desde 15 de agosto — data de publicação do edital — compartilhou no grupo sua opinião discordando da recomendação do MPDFT para retirar a exigência da barra dinâmica para mulheres. Na mesma mensagem, ela divulgou um abaixo-assinado contrário à medida, pedindo apoio de outros candidatos.
Segundo a candidata, após meses de preparação, ela já consegue executar cinco repetições na barra dinâmica e defende que a exigência seja mantida no pleito.
“É um grupo criado por conhecidos. Somos pessoas que já estudamos juntos ou que conhecem outras pessoas ali. A ideia sempre foi trocar dicas, atualizações e crescer juntos na preparação para o concurso, não brigar”, disse ao Metrópoles.
Pouco depois do envio, a mensagem foi apagada pela administradora do grupo e a concurseira acabou removida da conversa. Outros participantes que concordaram com ela ou questionaram a decisão também foram excluídos.
Antes de serem retirados, alguns integrantes criticaram a medida e disseram que o grupo não aceitava opiniões divergentes. Entre as mensagens enviadas estavam questionamentos como: “Virou ditadura o grupo?”, “Todo mundo que expressa opinião diferente é removido?” e “Não vivemos em um Estado Democrático de Direito?”.
Após a repercussão, a administradora do grupo se manifestou e afirmou que o espaço é voltado à troca de informações sobre o concurso, e acusou os removidos de “machismo”.
“Boa tarde, pessoal! Opiniões diferentes são aceitas. O intuito do grupo é compartilhar informações referentes ao concurso, dicas e auxílio entre os membros. Porém, qualquer ‘opinião’ disfarçada de machismo não será aceita! O indivíduo será removido e o comentário apagado! Quem não concordar com as regras do grupo, sintam-se livres para se retirar do grupo ou criar um grupo próprio. Nenhuma manifestação de abaixo-assinado ou semelhante contra as mulheres será aceita nesse grupo”, escreveu.
Antes da discussão, o grupo reunia cerca de 200 participantes. Após a sequência de exclusões, quase metade dos integrantes foi retirada. Parte deles criou um novo grupo de WhatsApp, que já reúne mais de 60 candidatos, entre pessoas que foram removidas ou que discordaram da decisão.
Entenda a recomendação
A recomendação do MPDFT foi expedida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) após análise de possível discriminação de gênero no edital do concurso do CBMDF.
O pedido ocorre poucos dias antes da aplicação do Teste de Aptidão Física para os candidatos aprovados nas primeiras etapas do certame. O TAF para a maioria dos cargos está previsto para ocorrer entre 21 e 25 de março de 2026.
No concurso anterior da corporação, mulheres precisavam realizar barra estática. Já no edital atual, o CBMDF passou a exigir barra dinâmica, com caráter eliminatório e classificatório.
Para o MPDFT, a exigência pode gerar impacto desproporcional sobre candidatas, por desconsiderar diferenças fisiológicas entre homens e mulheres.
Diferença entre os exercícios
- Barra dinâmica: exige o movimento completo de flexão e extensão dos braços na barra fixa, com o candidato subindo e descendo o corpo e ultrapassando o queixo acima da barra.
- Barra estática: consiste em sustentar o próprio corpo suspenso na barra por determinado tempo, mantendo a posição sem movimento.










