DF registra 350 reclamações de áreas abandonadas, com cobras e matagal. Veja vídeo
De acordo a Ouvidoria do GDF, de janeiro até a sexta-feira (6/3), o número de reclamações era 13% maior do que no mesmo período de 2025
atualizado
Compartilhar notícia

Muito mais do que um problema estético, o mato alto pode ser prejudicial para a saúde da população. No Distrito Federal, as reclamações e solicitações sobre o serviço de roçagem, na Ouvidoria do GDF, cresceram neste início de ano.
De acordo com os dados, de janeiro a até a última sexta-feira (6/3), foram 354 reclamações — número que é 13% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em relação às solicitações, o salto foi de 20%, passando de 89, em 2025, para 107, neste ano.
Veja:
O Guará lidera o ranking, tanto das reclamações, quanto das solicitações de roçagem. Na região, existem locais onde o mato alto atrapalha o lazer dos moradores. É o caso da QE 40.
Por lá, o matagal rodeia o parquinho infantil e a quadra de esportes. Ao Metrópoles, a presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Guará, Danielle Carvalho, classificou a situação do local como “inadmissível”.
“Como presidente do Conseg Guará, recebo diariamente registros como esses. Parques infantis e quadras esportivas tomados pelo mato alto, que já ultrapassa a altura dos bancos e invade as áreas de lazer”, comentou.
Danielle ressaltou que o mato alto, nesses pontos estratégicos, gera consequências graves, como a insegurança. “Acaba servindo de esconderijo para criminosos ou para o descarte de objetos ilícitos, inibindo o uso dos espaços pelas famílias”, lamentou.
Perigos ocultos
Doutor em ciências médicas e diretor médico do Hospital Santa Lúcia Gama, Lucas Albanaz pontuou que o mato alto funciona como abrigo natural para diversos animais.
“Roedores, por exemplo, costumam se esconder e se reproduzir nesse tipo de vegetação. Esses animais podem transmitir doenças como a leptospirose. Em períodos de chuva, o risco tende a aumentar porque a água pode espalhar essa contaminação”, alertou.
Outro ponto relevante, segundo o especialista, é a presença de mosquitos e outros insetos. “Áreas com vegetação densa e pouca manutenção, frequentemente, acumulam recipientes com água ou solo úmido, criando ambientes favoráveis para a reprodução do mosquito aedes aegypti, conhecido por transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya”, observou.
Albanaz ressaltou ainda que o matagal pode servir de abrigo para aranhas, escorpiões e serpentes, aumentando o risco de acidentes domésticos.
“Principalmente quando o terreno fica próximo a casas. Os escorpiões, por exemplo, costumam procurar locais como entulhos, folhas secas ou vegetação densa. Picadas podem causar dor intensa e, em casos mais graves, especialmente em crianças e idosos, podem levar a complicações médicas”, disse o médico.
O doutor em ciências médicas também aponta um aspecto respiratório pouco comentado. “Vegetação sem manutenção pode acumular fungos, poeira e pólen, o que pode piorar sintomas de alergias respiratórias ou crises de asma e rinite alérgica em pessoas sensíveis”, afirmou.
Por isso, segundo ele, do ponto de vista da saúde pública, a recomendação é manter terrenos limpos e com vegetação controlada, evitando acúmulo de lixo, água parada ou entulho. “Essa simples medida reduz bastante o risco de proliferação de insetos e animais transmissores de doenças”, reforçou.
Demanda e mato crescentes
Além do Guará, áreas do Plano Piloto também precisam do serviço de roçagem. No espaço verde que fica entre as quadras 305 e 306 da Asa Sul, o mato está crescendo e, junto com ele, a preocupação de quem mora em volta do local.
Prefeita da 306 Sul, Larissa Amaral contou que, desde que assumiu o cargo, a maior demanda recebida tem sido a ausência de roçagem. “Principalmente nesse espaço, onde os moradores costumam frequentar para jogar bola ou passear com os animais de estimação”, comentou.
Ela opinou que, a falta de roçagem faz com que um caso que poderia ser uma simples manutenção de espaço público, se torne uma questão de saúde pública. “As famílias, vindo a um local que está desta forma, correm o risco de encontrar animais peçonhentos, como cobras, escorpiões, lacraias e ratos”, lamentou.
“A gente espera que as roçagens sejam periódicas, para que as pessoas possam desfrutar desse ambiente, que é tão agradável”, observou.
Renato Borges, que trabalha na portaria de um prédio da região há 30 anos, é um dos que utiliza o espaço. “Desde que vim trabalhar aqui, participo do futebol que ocorre nesse ‘campão’ e sempre convivemos com esse problema do mato alto”, comentou.
Segundo ele, além de atrapalhar a diversão dos moradores, costumam aparecer bastante bichos, por causa dessa situação. “Quem mora nos prédios ao redor precisa estar sempre dedetizando, para evitar a aparição desses animais. A gente só quer uma periodicidade menor (da roçagem), tanto para não causar esses problemas, quanto para não atrapalhar o lazer dos moradores e usuários”, disse.
Cobras e criminosos
E não é só o matagal de área pública que tem tirado o sossego dos moradores. No Lago Sul, um terreno particular da QL 26 tem causado desconforto e preocupação em quem vive ao redor (veja no início da matéria).
De acordo com o empresário Renato Alexandre Hoff, que mora na quadra há 11 anos, desde que chegou na região, a situação sempre foi a mesma, abandono. “A gente sempre tenta procurar o dono, mas nunca encontramos”, afirmou.
Segundo ele, por causa do mato alto, costumam aparecer bastante baratas, ratos, escorpiões e, principalmente, cobras. “Algumas chegaram a entrar na minha casa, inclusive”, apontou.
O empresário também disse que criminosos costumam utilizar o terreno para se esconder. “Já houve uma situação em que uma pessoa tentou pular o muro para invadir minha casa. A sorte foi que eu vi e comecei a gritar. Isso o espantou e ele foi embora”, lembrou. “Procuramos a administração, mas ela não pode fazer nada, por se tratar de uma área particular”, acrescentou Hoff.
Respostas
O Metrópoles não conseguiu contato com o dono do terreno da QL 26 do Lago Sul. O espaço segue aberto para esclarecimentos. A Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) informou que não há reclamações recentes, registradas via Ouvidoria, para o lote.
“No entanto, diante da situação narrada, a pasta irá inserir o endereço em cronograma fiscal para verificar a situação”, garantiu a pasta, por meio de nota.
Sobre o caso do Guará 2, a administração regional disse que enviará uma equipe ao local nesta segunda-feira (9/3) para uma ação emergencial de roçagem. “Os serviços serão executados pela equipe da divisão de obras”, afirmou.
Em relação ao espaço da 305/306 Sul, a Administração Regional do Plano Piloto disse que uma equipe técnica será enviada ao local para averiguar a solicitação, porém, não deu uma data. “Após a vistoria, serão adotadas as providências cabíveis”, informou a administração.
Tanto a DF Legal quanto às administrações regionais, reforçaram que a população pode enviar as demandas pela Ouvidoria do GDF, por meio do telefone 162 ou pelo site do ParticipaDF.




















