DF: homem mantinha mãe, irmão e cuidadora em quarto quente e sujo

O flagrante foi feito no Jardim Botânico. Enquanto as vítimas viviam em situação precária e insalubre, o suspeito morava em casa confortável

atualizado 30/05/2019 17:30

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um homem acusado de abandonar e maltratar a própria mãe, uma idosa de 87 anos, portadora de Alzheimer; o irmão, de 62, esquizofrênico e portador de elefantíase; e uma cuidadora, de 77, que tem deficiência auditiva avançada e distúrbio mental. O suspeito, que disse ser corretor de imóveis, tem 53 anos. Ele foi encaminhado, na quarta-feira (29/05/2019), para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), mas, nesta quinta (30/05/2019), passou por audiência de custódia e foi liberado pelo juiz, mediante acompanhamento psicossocial.

A denúncia que levou a polícia até o local foi feita pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os enfermeiros foram chamados para tratar de um ataque que o irmão do acusado sofria, constataram as péssimas condições do local e encaminharam acusação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). “Já tínhamos outras quatro reclamações de vizinhos feitas com relação a um antigo endereço. Uma nova acusação, desta vez com o lugar novo, nos levou até o suspeito”, conta a delegada-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), Ângela Maria dos Santos.

Com a liberação do suspeito, ele pôde voltar para casa e aguardará julgamento em liberdade. Já as vítimas de maus-tratos continuarão morando no mesmo local até que o Ministério Público decida para onde elas devem ser encaminhadas. “O que deve ser levado em conta é que todos têm um vínculo muito forte. Não será possível transferir cada um para lugares diferentes”, explica a delegada.

Os policiais encontraram os três idosos nos fundos da casa do autor, no Condomínio Quintas da Alvorada, Jardim Botânico. Eles viviam em condições precárias, com muita sujeira, falta de alimentos e de remédios. Segundo a PCDF, as vítimas não tomavam banho há bastante tempo. Por isso, o espaço estava com odor fétido.

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Também foram encontrados recibos de compras de aparelhos eletrônicos. As investigações concluíram que o acusado usava o cartão de um dos idosos, que recebe um benefício da Lei de Assistência Social, para fazer as compras. O homem irá responder por abandono de incapaz, maus-tratos e retenção de cartões bancários. Ele pode ficar preso por até 20 anos.

Enquanto os idosos eram mantidos nos fundos, o suspeito morava em casa confortável, com ambientes e camas espaçosos e limpos, além de vários eletroeletrônicos e eletrodomésticos novos e suplementos alimentares para a realização de atividade física.

“A visita da equipe policial ao local comprovou as péssimas condições em que as vítimas viviam. Muita sujeira, falta de higiene e alimentos, uso de uma geladeira enferrujada, quase vazia, com apenas algumas cenouras, utensílios domésticos sujos e precários, ausência de remédios necessários ao tratamento dos idosos e baldes ao lado da cama para as necessidades fisiológicas”, relata a delegada-chefe da Decrin.

Além de sujo, o ambiente onde as vítimas viviam era bastante quente e úmido, por conta do revestimento com telhas de amianto quebradas e o espaço muito pequeno para três pessoas.

Com o autor foram encontrados recibos de compras de televisores novos, ainda na caixa, e de uma academia que o autor frequenta, no total de mais de R$ 1,6 mil. “ Conseguimos identificar que esse valor pago foi efetuado com o cartão do idoso deficiente que recebe um benefício da Lei de Assistência Social,” conta a delegada.

O acusado, explica a delegada Ângela, foi muito evasivo ao ser perguntado o motivo de tratar os idosos tão mal. “Ele disse que deixava os três no cômodo sujo apenas por algumas horas do dia e que o uso dos cartões era para a compra de remédios para os familiares. O irmão esquizofrênico, no entanto, afirma que a única coisa que recebia para melhorar dos surtos era uma panqueca”, relata.

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