DF: golpista faz pirâmide com venda de carros e engana 15 vítimas

De acordo com investigações da Polícia Civil, suspeito usava o dinheiro de novos clientes para pagar credores antigos

atualizado 09/04/2020 10:08

Dezenas de carros quitados, mas que jamais foram entregues, fazem parte de um de golpe investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Um vendedor de veículos conhecido no mercado de Brasília é alvo de inquérito que apura um rombo superior a R$ 500 mil e que teria feito ao menos 15 vítimas.

O esquema funcionava como uma espécie de pirâmide financeira, na qual o suspeito usava o dinheiro de novas vítimas para pagar credores antigos. As denúncias são acompanhadas pela 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro).

De acordo com as apurações, pelo menos 28 veículos usados estão envolvidos no imbróglio provocado pelo vendedor Vinícius Rosa Justino, 30 anos. Dono de uma empresa que negocia a compra e venda de carros usados há anos, o suspeito tinha livre acesso às dependências de grandes concessionárias na hora de negociar com clientes. Compradores já haviam realizado transações com Vinícius sem qualquer tipo de problema em outras oportunidades.

O negociador costumava comprar veículos usados nas concessionárias e revender para terceiros. Na maioria dos casos, ele recebia o dinheiro do comprador e repassava os valores às concessionárias por meio de Transferência Eletrônica Disponível (TED), que entregava o carro ao cliente.

A corrente de negociação foi quebrada quando Vinícius passou a simular os pagamentos. Com isso, as vítimas ficavam desesperadas quando iam retirar os carros e eram informadas que o dinheiro não havia sido depositado.

Bomba

De acordo com o delegado-chefe da 15ª DP, Antônio Dimitrov, o suspeito não tinha passagens pela polícia e costumava trabalhar de forma honesta, até falir e começar a aplicar os golpes. “Houve uma série de estelionatos praticados pelo suspeito, que tentava reduzir a bola de neve que havia se tornado suas dívidas. Ele passou a usar o dinheiro que entrava para pagar outras pessoas e uma hora a bomba estourou”, explicou.

Dimitrov ressaltou que todas as vítimas serão ouvidas e provas ainda serão colhidas. Uma pessoa que chegou a comprar 10 carros de uma só vez amargou prejuízo que se aproxima de R$ 300 mil. “Muita gente vinha de fora do DF para comprar carro com ele, porque já haviam feito negócios anteriormente. Essas pessoas não imaginariam que pagariam pelo veículo e ficaram no prejuízo”, disse.

Os policiais identificaram pelo menos duas concessionárias e uma revendedora que tiveram problemas provocados pelos golpes. Muitas vítimas se uniram e foram em grupo até os estabelecimentos cobrar das empresas que entregassem os veículos ou devolvessem o dinheiro. A Smaff, uma das concessionárias, na Asa Norte, precisou chamar a Polícia Militar para conter as pessoas mais exaltadas.

Envelopes vazios

De acordo com os advogados da Smaff ouvidos pela reportagem, havia uma relação comercial entre a empresa e Vinícius Rosa, onde ele chegou a fazer um depósito de R$ 70 mil na conta do estabelecimento. “Quando houve a confirmação de recebimento dos valores, foram entregues os veículos escolhidos, configurando uma operação lícita e corriqueira”, afirmou a concessionária, por meio de nota.

Ainda segundo os advogados, o vendedor tentou, por diversas vezes, passar comprovantes de pagamentos falsos ao Grupo Smaff, nos quais constava o nome da concessionária como beneficiária. “Ocorre que, quando da confirmação de recebimento de valores, os agentes bancários eram unânimes em confirmar que as TEDs haviam sido devolvidas ou canceladas (envelope vazio), momento em que não celebramos negociação de compra e venda de veículo”, finalizou o corpo jurídico da concessionária.

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