DF é a 2ª UF que mais aumentou investimento em segurança pública nos últimos 9 anos

De 2011 a 2019, a capital do país quase dobrou os gastos voltados ao combate à criminalidade

atualizado 21/10/2020 7:24

Fachada SSP-DFDaniel Ferreira/Metrópoles

O Distrito Federal foi uma das unidades da Federação que mais investiram em segurança pública nos últimos nove anos. A capital do país fica atrás apenas do Piauí quando se trata de investimentos no combate à criminalidade. O aumento, no período, foi de 83%: os recursos aplicados saltaram de quase R$ 492 milhões em 2011 para mais de R$ 900 milhões em 2019.

Na sequência, aparecem Ceará, Goiás, Maranhão e o Rio Grande do Sul. Os dados são do 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesse domingo (18/10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), e pode ser conferido na íntegra aqui.

A capital do país registrou queda de 2,1% na letalidade de crimes violentos, como homicídio, feminicídio e lesão corporal seguida de morte, e também em crimes contra o patrimônio, como roubo e furto de veículos, que diminuíram respectivamente 7% e 17%.

Apesar do bom desempenho geral, alguns indicadores mostram o DF em situação desconfortável, como em relação aos latrocínios, segundo o mesmo anuário. Quanto aos roubos seguidos de morte, a capital teve a maior alta do país (77% do total de casos), ficando atrás apenas de Roraima e do Rio Grande do Norte.

Inteligência e tecnologia

Para especialistas no combate à criminalidade, o importante não é o valor investido, mas como isso se traduz em mudanças reais na vida da população. Segundo o ex-secretário Nacional de Segurança Pública coronel José Vicente da Silva, o mais importante é aplicar recursos em inteligência e tecnologia.

“O estado de São Paulo tem o 14º gasto per capita, mesmo assim teve o melhor resultado do Brasil em termos de combate ao crime. O DF tem, proporcionalmente, três vezes mais policiais que o estado de São Paulo, então, na verdade, o DF tem pelo menos o dobro do que precisaria de policiais”, afirmou o especialista.

Para o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, isso é um atestado de que os investimentos feitos pelo governo local estão dando bom resultado. “O investimento é um fator importante, mas não é o único. Claro que não se pode falar de segurança pública sem investimento, seja em recursos humanos ou materiais”, disse.

Segundo Torres, que é delegado da Polícia Federal, o DF buscou aplicar dinheiro em tecnologia e usar os recursos públicos de forma eficiente. “De 2019 pra cá, procuramos reequipar as forças de segurança, investir em tecnologia, no Ciob [Centro Integrado de Operações das Polícias], no armamento dos agentes… Enfim, modernizar [as corporações] e acompanhar [seu desempenho]”, concluiu.

Para o especialista em segurança pública Leonardo Sant’anna, é preciso considerar três pilares quando se fala em combate à criminalidade: sensação de segurança, qualidade do investimento e eficiência nos gastos. Conforme Sant’anna, os salários pagos aos membros das forças de segurança do DF são altos em relação aos do restante do país, mas não quando levado em conta o custo de vida na capital da República.

“O fator central do bom investimento é a tecnologia. Em termos de efetividade, temos bons resultados, mas não os melhores. Temos poucos policiais, mas você consegue compensar com tecnologia e investimento em educação e na capacitação desses profissionais”, afirmou.

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