DF: com novo decreto, escolas privadas discutem antecipar férias

Em função do coronavírus, GDF suspendeu aulas por mais 15 dias na rede pública. Sindicato quer unificar calendário nos colégios particulares

atualizado 16/03/2020 14:02

jovem anda de bicicleta em frente a colégio fechado na Asa SulRafaela Felicciano/Metrópoles

As instituições de ensino da rede particular do Distrito Federal estudam antecipar o recesso do meio do ano dos estudantes, assim como na rede pública, em função da pandemia de coronavírus.

A medida visa adequação ao mais recente decreto do governo local (GDF), publicado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) neste sábado (14/03), que antecipa as férias e suspende as aulas por 15 dias corridos.

Com a publicação do decreto neste sábado, o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep-DF) divulgou vídeo para responder a questionamentos sobre a situação das unidades de ensino.

Segundo Rodrigo de Paula, diretor jurídico do Sinproep, embora a legislação deixe claro que cada escola tem autonomia para elaborar o próprio calendário, “provavelmente, na rede particular, o recesso também será antecipado”.

Ainda segundo o dirigente, haverá, na segunda-feira (16/03), reunião com os dois sindicatos patronais para discutir um aditivo à convenção coletiva para que possibilite a antecipação do recesso.

“A tendência é que a gente siga a orientação do decreto. Vamos tentar convencer o sindicato patronal a unificar o período de recesso para todas as escolas. Além da reunião de segunda, na próxima terça, o Conselho de Educação deve discutir como fica a questão do calendário das escolas”, acrescentou o dirigente.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF) confirmou que se reunirá na segunda-feira (16/03) para determinar como será a orientação às unidades escolares da rede privada.

“Tão logo tenhamos a orientação, avisaremos aos pais e responsáveis e também divulgaremos em nossas redes”, disse o presidente da entidade, Álvaro Domingues, por meio de nota.

Novo decreto

Neste sábado, o GDF elaborou decreto antecipando o recesso das férias escolares do mês de julho na rede pública, que terá início a partir desta segunda-feira (16/03). A medida faz parte do enfrentamento ao novo coronavírus.

De acordo com o texto, o recesso terá duração máxima de 15 dias corridos, independente de dias de recesso constante no calendário escolar da unidade de ensino.

Os ajustes necessários para o cumprimento do calendário escolar serão estabelecidos pela Secretaria de Estado de Educação, após o retorno das aulas.

Ainda segundo o decreto, as unidades escolares da rede privada de ensino do DF poderão adotar a antecipação do recesso ou determinar a suspensão das aulas pelo período determinado, a critério de cada unidade.

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) comentou o decreto.

“Essa é uma decisão do governo e ele tem as informações precisas, que devem ser graves. Por outro lado, teremos que conversar sobre essa recomposição do calendário escolar, pois não foi uma situação criada pelos professores, e os mesmos não podem ser penalizados”, diz comunicado assinado por Samuel Fernandes, diretor da entidade.

Ainda segundo o dirigente, “o recesso no meio do ano é fundamental para evitar um adoecimento maior da categoria, que já trabalha muitas vezes em condições precárias com turmas superlotadas”.

Rio de Janeiro

O novo cronograma escolar seguirá os moldes do adotado pelo Governo do Rio de Janeiro. Nessa sexta (12/03), o governador Wilson Witzel (PSC)  assinou decreto suspendendo por 15 dias todos os eventos públicos, incluindo cinema e teatro, e antecipando as férias escolares nas redes pública e privada do estado.

Witzel destacou que a suspensão de eventos públicos valerá, inclusive, para eventos já previamente autorizados. “A suspensão será para atividades que envolvam a aglomeração de pessoas, como eventos esportivos, shows, feiras, eventos científicos, comícios e passeatas em local aberto ou fechado”, disse.

Opiniões divididas

Nesta semana, o Metrópoles mostrou que a decisão do GDF em suspender as aulas, inicialmente por cinco dias, não agradou a todos os pais e estudantes.  Na Faculdade Unip, na 914 Sul, o universitário do 6° semestre de educação física Marcos Barbosa, 23 anos, foi à faculdade para se certificar de que não haveria aula na quinta-feira.

“Eu até recebi informações nas redes sociais, mas vim para ter certeza e me deparei com o comunicado na grade. Acredito que seja uma medida necessária e preventiva contra o coronavírus. Por isso, estou de acordo.”

O servidor público Ismael Soares, 45, foi levar a filha Clarisse Cunha, 10, aluna do 5° ano, ao colégio La Salle da 906 Sul, na manhã de quinta-feira.

“Ficamos estudando ontem a noite para uma prova que ela iria fazer hoje e não olhei as redes sociais nem acessei meu e-mail, mas a escola mandou o comunicado. Acredito que paralisar as escolas seja válido pela gravidade e velocidade com que a doença se propaga. Apesar de deixar a gente mais apreensivo, é para o bem. Esperamos que seja efetivo.”

No Centro de Ensino Fundamental 1 do Riacho Fundo II, Sharon de Lima, aluna do 6° ano, disse que não foi avisada pelos professores do cancelamento e, por isso, chegou ao colégio. “Agora, vou voltar para casa e descansar de novo”, conta. Avisada de que o coronavírus era o motivo dos cancelamentos, ela discordou da decisão. “Não precisava disso, era melhor ter aula mesmo”, diz.

Na Escola Classe 102 do Recanto das Emas, alguns responsáveis fizeram questão de confirmar o cancelamento das aulas. O aposentado José Paulo dos Santos, 52, por exemplo, acompanhou os netos. “Há muita especulação, né? E esses meninos passam o dia todo vendo desenho, não consegui confirmar”, brinca.

Outro avô que acompanhou o neto para confirmar a suspensão das aulas foi José Ramos, 71, com Pietro, 9. Segundo ele, a família ficou sabendo da situação, mas achou melhor ir presencialmente até o colégio. “Vimos que não vai ter a escola de futebol do garoto, então, o jeito é ficar quieto”, diz.

O aposentado não vê necessidade de as aulas serem canceladas por causa do coronavírus, mas espera que a medida seja suficiente para evitar o contágio de outras pessoas. “No momento, acho que não seria preciso, mas não sou eu quem julgo”. Quem comemora é Pietro, que poderá voltar para cara e descansar. “Estou achando uma beleza”, diz.

Portas fechadas na quinta

Na 912 Sul, o colégio Santo Antônio amanheceu a quinta de portas fechadas. Ao lado, no Sigma, por volta das 6h40, também não havia movimentação de pais e alunos.

Dois funcionários que estavam na entrada da instituição disseram não ter sido avisados sobre a suspensão das atividades. “Como as aulas começam pontualmente às 7h, a essa hora já teríamos bastante movimento. Hoje, está praticamente zero”, explicou um deles.

Aluna do 2° ano do ensino médio do Sigma, Amanda Martins disse que não olhou as redes sociais antes de chegar ao local e não sabia sobre o decreto. “Quando liguei meu celular e entrei no grupo da turma, o pessoal estava comentando. Agora, só terça-feira. Estou voltando pra casa”, consolou-se.

O Olimpo também amanheceu vazio e sem alunos. Apenas um funcionário da unidade chegou para trabalhar na manhã desta quinta-feira (13/03) e disse que todos já estavam cientes sobre a determinação para as escolas.

Oito casos confirmados

O número de pessoas diagnosticadas com coronavírus na capital do país foi atualizado na tarde deste sábado (14/03). Há oito casos confirmados. A informação foi repassada à coluna Grande Angular pelo GDF.

Todos os infectados viajaram para o exterior antes de receber o diagnóstico. Ainda não se consolidou, na capital, a chamada transmissão comunitária, que é quando o vírus se espalha dentro do próprio ambiente.

Até a manhã deste sábado, o governo distrital havia confirmado cinco casos. Os dois primeiros infectados da capital do país são um casal que viajou para a Europa antes do diagnóstico. O terceiro é o vice-presidente de Embaixadas e Consulados do Flamengo, Maurício Gomes de Mattos.

Um homem de 51 anos, argentino, fez exames no Hospital Sírio Libanês e testou positivo para a doença. O outro paciente tem 46 anos e veio da França no início deste mês.

O DF é a unidade federativa que tem mais casos confirmados de coronavírus no Centro-Oeste, sendo oito no total. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, até o momento, 53 casos foram descartados e 75 ainda estão em análise.

Últimas notícias