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DF: após racismo religioso, manifestantes protestam em frente a escola

Declaração foi dada em meio à manifestação nesta 6ª (3/3) em frente ao colégio cívico-militar, no qual teria ocorrido o caso de intolerância

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Racismo religioso
1 de 1 Racismo religioso - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Apesar da estudante de 14 anos se sentir abalada e com medo após episódio de racismo religioso em escola pública do Distrito Federal, a família da jovem alega que a Secretaria de Educação não está levando o caso a sério. A informação é da mãe da vítima, Loyane Barbosa, 40.

Ela ainda se queixa que a adolescente estaria sofrendo ameaças veladas de dentro do Centro Educacional 3, de Sobradinho. A unidade é uma escola cívico-militar, também conhecida como militarizada. “Minha filha está sendo chamada para a sala da direção e não se sente segura lá”.

Para trazer mais visibilidade ao caso, cerca de 70 pessoas participaram, nesta sexta-feira (3/3), de manifestação em frente ao colégio. A estimativa de público é da Comissão de Direitos Humanos, da Câmara Legislativa do DF, que acompanha os desdobramentos do caso. Levantamento da comissão apontou 11 casos de racismo religioso ocorridos de agosto de 2021 até fevereiro deste ano.

Manifestação reúne cerca de 70 pessoas em frente a colégio para protestar contra racismo religioso

Na terça-feira (28), o presidente da comissão, deputado Fábio Felix (PSol) protocolou ofício para que a Secretaria de Educação tomasse providências em relação ao caso. Veja documentos:

Ofício sobre racismo religioso by Metropoles

Ofício sobre racismo religioso by Metropoles

 

Além da jovem, Leandro Mota Pereira, conhecido como Pai Leandro de Oxossi, também denunciou ter sido vítima de racismo religioso na mesma escola. Na tentativa de mediar um mal-entendido religioso, o sacerdote de Umbanda diz ter sido xingado pelo diretor do colégio.

De acordo com o Pai de Santo, 21 instituições em defesa das religiões de matriz africana manifestaram interesse em participar do protesto. Questionada, a Secretaria de Educação informou, em nota, que vai apurar o caso por meio de processo administrativo no âmbito da Corregedoria, bem como adotar as providências administrativas para assegurar o melhor atendimento a estudante envolvida no caso.

A pasta ressaltou que repudia qualquer tipo de racismo e reforça o compromisso e empenho na busca por elementos que permitam o esclarecimento dos fatos, bem como o suporte aos envolvidos.

Entenda o caso

Na segunda-feira (27/2), uma estudante de 14 anos – adepta da religião de matriz africana – chegou à escola utilizando um fio de conta. No entanto, uma tenente do colégio questionou o uso do colar e colocou a mão no acessório religioso, tentando removê-lo.

A adolescente recusou e disse que precisava falar sobre o assunto com o seu sacerdote. A tenente concordou e chamou a família da estudante, que foi ao local acompanhada de Pai Leandro e de uma advogada. Teve, então, início uma reunião, na sala da direção da escola. O líder religioso pediu para a conversa ser gravada.

Pai Leandro explicou porque de sua filha de santo usava o fio de conta. Segundo ele, trata-se de um acessório da indumentária das religiões de matriz africana, voltado à proteção individual, conexão com o divino e identificação social. Logo após a explicação, a tenente teria pedido desculpas à aluna.

A estudante poderia continuar utilizando o item religioso dentro do uniforme escolar. Tudo caminhava para uma solução pacífica, no entanto, segundo Pai Leandro, o diretor da escola teria ficado irritado com a gravação da reunião, dizendo que não autorizou o registro. Para o sacerdote, teria ocorrido, neste momento, uma tentativa de intimidação.

Xingamentos

De acordo com relatos de testemunhas ao sacerdote, o educador teria disparado xingamentos, ferindo inclusive a sua fé. “Ele falou o seguinte: ‘A aluna disse que ligaria para o pai dela. Eu não sabia que ia ligar para a porra de um pai de santo’”, denunciou o líder religioso.

Segundo o líder religioso, os xingamentos foram testemunhados pelas pessoas presentes na reunião. A gravação teria sido uma medida de defesa diante do mal-entendido inicial sobre o fio de conta. “Eu pensava passar por isso em qualquer lugar, mas jamais dentro de uma escola e de um diretor que deveria ensinar”, afirmou.

Após digerir as ofensas, o Pai Leandro decidiu denunciar o caso para as autoridades. “Para que mais tarde não façam isso contra outras crianças”, ressaltou. Segundo o religioso, apesar da reação do diretor, a conduta de todos os policiais militares envolvidos no caso foi perfeita, a exemplo da tenente que reconheceu o erro e pediu desculpas.

Denúncia

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF), deputado distrital Fábio Felix (PSol) abriu uma investigação e apresentou denúncia para órgãos de controle e inclusive para o governo federal. O parlamentar também cobrou esclarecimentos da Secretaria de Educação e da pasta da Segurança, uma vez que o colégio onde ocorreu o caso é de gestão compartilhada.

“O Pai de Santo foi destratado na escola da pior foram possível, com referências muito desrespeitosas, agressivas e do nosso ponto de vista, criminosas às religiões de matriz africana”, declarou Fábio Felix. O distrital é autor de uma lei distrital que proíbe e combate o racismo religioso. A legislação federal também veda a prática preconceituosa.

No âmbito da Polícia Civil (PCDF), inicialmente o caso será investigado pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin).

 

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