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Distrito Federal

Defesa Civil vê risco de colapso em casa de Samambaia após rachaduras.

Moradores dizem que rachaduras começaram após o início da obra do Metrô de Samambaia. Empresa deve apresentar laudo até o dia 27/6

25/06/2026 15:18, atualizado 26/06/2026 10:10
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Parede rachada

Entre rachaduras que avançam pelas paredes e o medo de perder a casa onde mora, Viviane de Fátima Morais, de 34 anos, enfrenta um problema maior, encontrar um local adequado para abrigar a mãe, 66,  acamada. Moradora da QR 625, em Samambaia, há mais de 30 anos, ela foi orientada pela Defesa Civil a deixar a residência após danos à estrutura do imóvel. A suspeita é que eles tenham sido provocados pelas obras de expansão da Linha 1 do metro, em Samambaia, realizada nas proximidades.   

A obra de expansão da Linha 1 do metrô foi licenciada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram). Procurado, o Metrô-DF informou que acompanha “com atenção  junto ao consórcio construtor a situação envolvendo as orientações da Defesa Civil e reforça que a segurança das pessoas é prioridade em todas as etapas da obra”.

Viviane conta que os problemas começaram a surgir alguns meses após o início das obras, há pouco mais de um ano. Segundo ela, as fissuras aumentaram conforme o tempo foi passando e o avanço dos trabalhos. Por uma das rachaduras, inclusive, é possível ver a garagem da vizinha.  

parede rachada
É possível ver a casa da Viviane através da parede da vizinha

“Quando as máquinas pesadas passavam, a casa tremia. As rachaduras começaram a aparecer e foram aumentando. Eu chamei os responsáveis pela obra e eles disseram que, quando terminassem de passar as máquinas pesadas, fariam os reparos. Mas nada foi feito”, afirma.

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Mãe acamada

A situação é ainda mais delicada porque Viviane é responsável pelos cuidados da mãe, que está acamada por conta de um aneurisma e depende de cadeira de rodas para se locomover dentro da residência. Segundo ela, apesar de existir uma segunda casa no mesmo lote, o imóvel não tem condições de acessibilidade adequadas para atender às necessidades da mãe.

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A casa é totalmente adaptada para a mãe de Viviane
O quarto tem portas maiores para melhorar a locomoção da idosa acamada
Viviane cuida da mãe acamada há mais de um ano
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Viviane cuida da mãe acamada há mais de um ano

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
A casa é totalmente adaptada para a mãe de Viviane
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A casa é totalmente adaptada para a mãe de Viviane

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O quarto tem portas maiores para melhorar a locomoção da idosa acamada
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O quarto tem portas maiores para melhorar a locomoção da idosa acamada

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
“A outra casa não foi adaptada. Aqui temos rampas, corredores mais largos e espaço para movimentar a cadeira de rodas. Lá não tem como fazer os cuidados que minha mãe precisa e não temos condições de adaptar a outra casa”, descreveu.

Um laudo preliminar da Defesa Civil aponta risco de colapso parcial da estrutura da residência de Viviane. Diante da situação, o órgão recomendou que moradora deixe o imóvel.

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Nem o chão escapa das fissuras
As paredes estão descolando uma das outras
As frestas crescem com o tempo
A casa tem rachaduras por todos os cantos
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A casa tem rachaduras por todos os cantos

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Nem o chão escapa das fissuras
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Nem o chão escapa das fissuras

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As paredes estão descolando uma das outras
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As paredes estão descolando uma das outras

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
As frestas crescem com o tempo
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As frestas crescem com o tempo

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Rachadura na garagem

Outra pessoa que também foi afetada e teve a casa danificada é a enfermeira Ramone de Souza, de 44 anos. Ela conta que percebeu a rachadura há cerca de quatro meses.

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A maior fissura está na parede da garagem
Fissuras começaram a  surgir há quatro meses
Garagem de Raumone tem fissuras por todos os cantos
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Garagem de Raumone tem fissuras por todos os cantos

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A maior fissura está na parede da garagem
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A maior fissura está na parede da garagem

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Fissuras começaram a  surgir há quatro meses
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Fissuras começaram a surgir há quatro meses

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

“O dano apareceu na área da minha casa e também na parede da residência vizinha. Meu maior medo é que a casa da vizinha ceda e acabe atingindo a minha”, relata.

Raumone mora no imóvel com o marido, cinco filhos e um neto. Segundo ela, a família não possui outro local para morar caso seja necessária uma retirada emergencial.

“Não temos para onde ir se precisarmos sair daqui”, afirma.

O que diz a Defesa Civil

Em nota, a Defesa Civil informou que realizou vistorias técnicas nas residências após ser acionada pelo moradores e confirmou que a que a empresa responsável pela obra foi formalmente notificada sobre as anomalias identificadas durante as inspeções.

O órgão explicou que as avaliações realizadas são classificadas como “Inspeção de Nível 1”, procedimento baseado em inspeção visual para identificação de falhas aparentes e verificação preliminar das condições estruturais dos imóveis.

laudo calapso
Vistoria que aponta possível colapso parcial da estrutura

Segundo a Defesa Civil, a empresa responsável pela obra informou que adotará as medidas necessárias para apurar as causas dos danos e corrigir os problemas identificados, caso seja constatada sua responsabilidade.

A empresa tem até o próximo dia 27 de junho para apresentar um laudo técnico que irá determinar se as rachaduras e demais danos estruturais foram provocados pelas obras de expansão do metrô. Caso seja confirmada a relação entre os problemas e a intervenção, a construtora deverá arcar com os custos dos reparos.

O administrador regional de Samambaia, Marcos Leite, informou que esteve na residência de Viviane juntamente com equipes técnicas para avaliar alternativas que garantissem a segurança dos moradores. Entre as possibilidades discutidas estava a mudança temporária para a segunda casa existente no lote.

No entanto, a proposta não foi aceita porque o imóvel não possui adaptações necessárias para atender a mãe da moradora, que é acamada e depende de estrutura acessível para receber os cuidados diários. Marcos ainda informou que aguarda o laudo técnico da casa para adotar as providências necessárias.

O que diz o Metrô-DF

Em nota, o Metrô-DF disse que desde o início dos trabalhos, foi realizado laudo cautelar preventivo para registrar as condições dos imóveis localizados na área de influência da obra.

O metrô também procedeu adequações do método construtivo, para evitar transtornos à população.

“Diante da orientação de interdição pela Defesa Civil e da necessidade de aprofundamento técnico, a mesma empresa responsável pelo laudo inicial realizará uma nova vistoria em conjunto com o consórcio construtor, com o objetivo de promover uma análise técnica mais detalhada e comparativa das condições do imóvel para o completo esclarecimento dos fatos”, informou o Metrô-DF ao Metrópoles.