Defesa Civil vê risco de colapso em casa de Samambaia após rachaduras. Veja vídeo
Moradores dizem que rachaduras começaram após o início da obra do Metrô de Samambaia. Empresa deve apresentar laudo até o dia 27/6

Entre rachaduras que avançam pelas paredes e o medo de perder a casa onde mora, Viviane de Fátima Morais, de 34 anos, enfrenta um problema maior, encontrar um local adequado para abrigar a mãe, 66, acamada. Moradora da QR 625, em Samambaia, há mais de 30 anos, ela foi orientada pela Defesa Civil a deixar a residência após danos à estrutura do imóvel. A suspeita é que eles tenham sido provocados pelas obras de expansão da Linha 1 do metro, em Samambaia, realizada nas proximidades.
A obra de expansão da Linha 1 do metrô foi licenciada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram). O Metrópoles entrou em contato com o Metrô e com o Ibram em busca de um posicionamento sobre o caso, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Viviane conta que os problemas começaram a surgir alguns meses após o início das obras, há pouco mais de um ano. Segundo ela, as fissuras aumentaram conforme o tempo foi passando e o avanço dos trabalhos. Por uma das rachaduras, inclusive, é possível ver a garagem da vizinha.

“Quando as máquinas pesadas passavam, a casa tremia. As rachaduras começaram a aparecer e foram aumentando. Eu chamei os responsáveis pela obra e eles disseram que, quando terminassem de passar as máquinas pesadas, fariam os reparos. Mas nada foi feito”, afirma.
Mãe acamada
A situação é ainda mais delicada porque Viviane é responsável pelos cuidados da mãe, que está acamada por conta de um aneurisma e depende de cadeira de rodas para se locomover dentro da residência. Segundo ela, apesar de existir uma segunda casa no mesmo lote, o imóvel não tem condições de acessibilidade adequadas para atender às necessidades da mãe.
“A outra casa não foi adaptada. Aqui temos rampas, corredores mais largos e espaço para movimentar a cadeira de rodas. Lá não tem como fazer os cuidados que minha mãe precisa e não temos condições de adaptar a outra casa”, descreveu.
Um laudo preliminar da Defesa Civil aponta risco de colapso parcial da estrutura da residência de Viviane. Diante da situação, o órgão recomendou que moradora deixe o imóvel.
Rachadura na garagem
Outra pessoa que também foi afetada e teve a casa danificada é a enfermeira Ramone de Souza, de 44 anos. Ela conta que percebeu a rachadura há cerca de quatro meses.
“O dano apareceu na área da minha casa e também na parede da residência vizinha. Meu maior medo é que a casa da vizinha ceda e acabe atingindo a minha”, relata.
Raumone mora no imóvel com o marido, cinco filhos e um neto. Segundo ela, a família não possui outro local para morar caso seja necessária uma retirada emergencial.
“Não temos para onde ir se precisarmos sair daqui”, afirma.
O que diz a Defesa Civil
Em nota, a Defesa Civil informou que realizou vistorias técnicas nas residências após ser acionada pelo moradores e confirmou que a que a empresa responsável pela obra foi formalmente notificada sobre as anomalias identificadas durante as inspeções.
O órgão explicou que as avaliações realizadas são classificadas como “Inspeção de Nível 1”, procedimento baseado em inspeção visual para identificação de falhas aparentes e verificação preliminar das condições estruturais dos imóveis.

Segundo a Defesa Civil, a empresa responsável pela obra informou que adotará as medidas necessárias para apurar as causas dos danos e corrigir os problemas identificados, caso seja constatada sua responsabilidade.
A empresa tem até o próximo dia 27 de junho para apresentar um laudo técnico que irá determinar se as rachaduras e demais danos estruturais foram provocados pelas obras de expansão do metrô. Caso seja confirmada a relação entre os problemas e a intervenção, a construtora deverá arcar com os custos dos reparos.
O administrador regional de Samambaia, Marcos Leite, informou que esteve na residência de Viviane juntamente com equipes técnicas para avaliar alternativas que garantissem a segurança dos moradores. Entre as possibilidades discutidas estava a mudança temporária para a segunda casa existente no lote.
No entanto, a proposta não foi aceita porque o imóvel não possui adaptações necessárias para atender a mãe da moradora, que é acamada e depende de estrutura acessível para receber os cuidados diários. Marcos ainda informou que aguarda o laudo técnico da casa para adotar as providências necessárias.

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