De 13 trens encostados, Metrô-DF tem 4 "praticamente irrecuperáveis", diz relatório
Relatório elaborado por comissão da CLDF aponta que apenas 19 dos 32 trens da frota estavam efetivamente em circulação no dia da inspeção

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) divulgou nesta quinta-feira (25/6) um relatório que expõe a situação da frota da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF).
Elaborado após uma inspeção da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) no pátio de manutenção da companhia, em Águas Claras, o documento aponta que 13 dos 32 trens estavam fora de operação na data da vistoria e que quatro deles são considerados “praticamente irrecuperáveis”, devido à inviabilidade técnica e econômica dos reparos.
O relatório, elaborado após vistoria realizada em 29 de maio deste ano, indica que apenas 19 das 32 composições da frota estavam efetivamente em circulação. Embora outros nove trens possam voltar a operar mediante manutenção e investimentos, a situação afeta diretamente a operação do sistema.
De acordo com a CTMU, a programação do Metrô-DF foi planejada para funcionar com até 22 trens simultaneamente nos horários de pico. No entanto, durante a visita, apenas 19 composições estavam em circulação.
O relatório registra, ainda, denúncias recebidas pela comissão de que, em determinados momentos, a operação chegou a ocorrer com apenas 12 trens disponíveis. A fiscalização foi motivada pela alta recorrência de reclamações dos usuários, recebidas pela CTMU, relacionadas, principalmente, à superlotação, aos longos intervalos entre as viagens e a falhas operacionais.
Problemas históricos de manutenção
A CTMU identificou que parte da frota opera com revisões mais complexas pendentes, porque o Metrô-DF evita retirar trens de circulação devido à escassez de veículos disponíveis. Algumas revisões podem exigir até seis meses de paralisação da composição, agravando ainda mais o déficit operacional.
Também foram constatadas dificuldades para obtenção de peças e equipamentos, especialmente para os trens da Série 1000,que são considerados os mais antigos.
Entre os casos mais críticos está o trem 19, que sofreu um descarrilamento após o desprendimento de um reator. Embora não tenha deixado feridos, o incidente gerou danos que exigem cerca de R$ 3,5 milhões em investimentos para recuperação da composição e da infraestrutura ferroviária afetada. O acidente também obrigou a substituição de 300 peças nos trilhos.
Falta de recursos
O relatório destaca que, caso houvesse recursos suficientes para aquisição de peças e execução das manutenções necessárias, o Metrô-DF poderia alcançar até 28 trens em condições operacionais. Nesse cenário, apenas os quatro veículos considerados irrecuperáveis permaneceriam fora de serviço.
Durante a visita, os gestores da companhia também relataram dificuldades para obtenção de componentes da Série 1000, devido à dependência tecnológica da fabricante francesa Alstom.
Segundo os técnicos, as negociações para fornecimento de peças e transferência de tecnologia não avançaram, o que compromete a recuperação e modernização das composições mais antigas.
Queda na qualidade do serviço
De acordo com o relatório, a escassez de trens tem provocado impacto direto nos indicadores do sistema. O índice de regularidade operacional ficou em 89,01%, abaixo da meta de 97%.
Além disso, aproximadamente 11% das viagens programadas deixaram de ser realizadas, e a indisponibilidade operacional aumentou de 0,74% para 0,84%, entre 2024 e 2025.
Segundo a direção do Metrô, a principal causa é justamente a falta de composições disponíveis.
Déficit de servidores
Além da falta de composições, a CMTU identificou um déficit de servidores que, segundo a própria direção do Metrô-DF, tem impactado diretamente a operação do sistema.
Durante a visita técnica, os gestores informaram que há carência de empregados em áreas operacionais e que o pedido de autorização para realização de concurso público, encaminhado à Secretaria de Economia em setembro de 2025, segue sem autorização.
O relatório aponta ainda que a insuficiência de pessoal tem provocado situações inusitadas, como a liberação manual de catracas em algumas estações por falta de funcionários para realizar o controle de acesso e a venda de passagens.
Segundo a direção do Metrô, o último levantamento estimou em aproximadamente R$ 3 milhões as perdas de arrecadação decorrentes dessas liberações.
Compra de novos trens
Como alternativa para ampliar a capacidade operacional, o Metrô-DF prepara uma licitação para a compra de 15 novos trens. O processo está em fase interna e prevê investimento estimado em R$ 48 milhões por composição.
A expectativa da diretoria é que os novos veículos ampliem a frota atual, permitindo retirar trens para manutenção sem comprometer a operação do sistema. Segundo a companhia, os primeiros trens poderão ser entregues cerca de dois anos após a assinatura do contrato.
O Metrópoles procurou o Metrô-DF para comentar o relatório elaborado pela CTMU, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

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