Cratera: Novacap aponta desvio irregular em tubulação da obra

Segundo companhia, empresa responsável por construção que desabou pediu autorização para ação, mas não solicitou vistoria

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 12/12/2019 14:29

A Novacap se pronunciou sobre o desastre na obra da 709/909 Sul, em que uma parte desabou e engoliu quatro carros na terça-feira (10/12/2019). De acordo com a companhia, houve irregularidades por parte da empresa responsável pela construção no que diz respeito à rede pluvial da área.

A princípio, o vazamento de um duto poderia ter encharcado o terreno e feito parte do local desabar. A informação inicial veio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF).

A Novacap afirma que a rede de água pluvial existe há mais de 30 anos e nunca havia apresentado problema. Antes do início da obra, a D&B, responsável pela construção, pediu à companhia autorização para que os engenheiros fizessem o desvio da tubulação. “A manifestação foi atendida pela área técnica mediante a apresentação do projeto executivo”, afirmou, em nota.

“O desvio foi executado de forma irregular, uma vez que a empresa não manifestou vistoria da Novacap para que a mesma recebesse a nova rede com desvio autorizado”, continua.

O órgão também aponta que “existem indícios de que as galerias pluviais podem ter sido rompidas na execução da obra em questão, situação que deveria ter sido encaminhada pela D&B imediatamente à Novacap, mas que não ocorreu”.

Por fim, a Novacap reafirma que não é possível determinar os responsáveis pelo acidente — a Polícia Civil (PCDF) abriu inquérito para investigar o caso — e lembra dos dados preliminares da Defesa Civil de que houve erros na execução da obra.

Na manhã desta quinta-feira (12/12/2019), um supervisor da D&B Construtora se referiu ao vazamento como responsável pelo desabamento.

“O que aconteceu foi um vazamento de águas pluviais, e a pressão no terreno aumentou. Aí, a obra não aguentou. É um risco que todo mundo corre”, apontou. Oficialmente, a empresa ainda não se pronunciou sobre o assunto e aguarda o laudo para falar.

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O que diz a Defesa Civil

O coronel Sérgio Bezerra, da Defesa Civil, afirmou, na quarta-feira (11/12/2019), que o acidente seria resultado de uma falha na execução do projeto. Disse também que o grande volume de água nas barreiras de proteção construídas pela empresa pode ter sido o motivo para o desabamento.

“Essa grande concentração acabou com o que chamamos de coesão do solo, ou seja, a terra que estava acomodada acabou cedendo”, explicou. No entanto, Bezerra argumenta que um acontecimento dessa magnitude não pode ser responsabilidade apenas da chuva.

“Não é possível imputar apenas às forças da natureza. Acionamos o Crea [Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF], a Administração Regional [de Brasília] e pedimos o projeto para entender o que aconteceu”, observou o subsecretário.

O que diz a Caesb

A Caesb também falou sobre o caso. E esclareceu que “o incidente não tem nenhuma relação com redes da água ou esgoto da companhia”. Em nota, o órgão afirmou que, em função do desmoronamento, a rede de esgoto se rompeu.

Agora, equipes de manutenção estão trabalhando no local no desvio do fluxo de esgoto “para executar um novo trecho de rede na outra extremidade da rua”, diz o texto.

Ao se aproximar da cratera, é possível notar a rede de esgoto exposta, de onde jorra água sem interrupção. De acordo com o coordenador de manutenção da Caesb, Luiz Amorim, esse problema será resolvido ainda nesta quinta-feira (12/12/2019).

“Vamos fazer uma bateria de fossa e ligar com um caminhão fossa”, explicou Amorim. Segundo ele, praticamente toda a rede foi remanejada e um novo sistema será feito na próxima semana.

Um inquérito foi instaurado na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) para investigar o desmoronamento. A perícia foi feita no local e o laudo ficará pronto no prazo de 30 dias. Os investigadores aguardam a conclusão da análise técnica para intimar os empresários responsáveis pela construção.

Sem perigo

De acordo com o supervisor da D&B, estão sendo feitas a proteção do local e a retirada da água que vazou. Ele disse ainda que não há mais riscos envolvendo a obra ou os prédios vizinhos.

“Vamos fazer um muro de arrimo para a água não cair lá embaixo. Os carros foram todos retirados. Dois deles intactos, apenas sujos”, comentou o supervisor.

Pessoas que frequentam ou trabalham nos estabelecimentos em volta da obra estão mais tranquilas após o aviso dos bombeiros de que não há riscos de novos deslizamentos.

Contudo, nem todos estão totalmente seguros com a situação. Francisco Martins Melo, 39 anos, dono de um restaurante ao lado da cratera, diz que tem medo de o prédio ser interditado.

“Cem por cento tranquilo, a gente não está. Graças a Deus, não está chovendo, o que poderia agravar os danos. Eu acompanho essa obra desde o começo e sabemos que tudo está dentro da norma e da lei, mas acontece um acidente assim e ficamos preocupados, querendo ou não”, comentou.

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