Covid: com 7 casos em investigação, UnB fala em subnotificação de reinfecções no DF

Até o momento, a Secretaria de Saúde só confirmou um caso de reinfecção na capital

atualizado

metropoles.com

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Pandemia - Coronavirus - Hospital - Com 18 mortes, DF chega a 772 óbitos por Covid-19. São 65.928 infectados
1 de 1 Pandemia - Coronavirus - Hospital - Com 18 mortes, DF chega a 772 óbitos por Covid-19. São 65.928 infectados - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Distrito Federal tem sete casos suspeitos de reinfecção pela Covid-19 em análise, segundo informou a Secretaria de Saúde. Os casos atendem aos critérios previstos pelo Ministério da Saúde para serem considerados suspeitos e foram enviados para o Instituo Adolfo Lutz, em São Paulo.

No último dia 2, a Secretaria de Saúde comunicou a confirmação do primeiro caso notificado de reinfecção pela Covid-19 no DF. Segundo informações oficiais, trata-se de um morador de Águas Claras com 33 anos. O Governo do Distrito Federal (GDF) notificou o episódio ao Ministério da Saúde.

Conforme a pasta distrital, “este caso em específico foi possível sequenciar no próprio Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal), graças à parceria com a UnB”.

Desde janeiro de 2021, pesquisadores da Universidade de Brasília e servidores do Lacen-DF mantêm uma parceria na pesquisa e execução de novos protocolos de sequenciamento de genomas, visando o monitoramento genômico do Sars-CoV-2 circulante na capital, subsidiando as ações de vigilância e combate à pandemia do novo coronavírus.

Durante os meses de março, abril e maio de 2021 foram selecionadas amostras de acordo com alguns critérios estabelecidos pela equipe. Ao todo, foram sequenciados 98 genomas com a plataforma MinION. Os dados gerados foram analisados com o objetivo de identificar mutações genômicas e linhagens dos vírus.

Subnotificação

Conforme explica o pesquisador da UnB que coordena o estudo na instituição, Bergmann Ribeiro, de fato existe uma subnotificação de casos de reinfecção pela Covid no DF. “Antes, o DF tinha que enviar tudo para o Adolfo Lutz, mas eles fazem o sequenciamento de (materiais de) vários estados, então demora mais. Como começamos a sequenciar aqui – estamos sequenciando 25 genomas por semana agora –, já é um processo mais rápido”, explica o virologista.

“Mas, para a confirmação de reinfecção, o caso deve seguir critérios do Ministério da Saúde. O paciente deve ter dois exames positivos de RT-PCR em um período de diferença de 90 dias. Aí, precisamos pegar as amostras e sequenciar os genomas. As subnotificações podem ocorrer porque há exames feitos ainda no ano passado, por exemplo, que são difíceis de rastrear as amostras em boa qualidade e, para confirmar, precisamos sequenciar os dois testes (antigo e recente)”, pontua Bergmann.

O Metrópoles questionou a Secretaria de Saúde sobre os protocolos do Lacen para chegar a suspeitas de reinfecção, bem como os motivos que podem levar à subnotificação de casos na capital do país.

Em nota, a pasta informou que o sequenciamento é feito dentro do próprio Laboratório Central com as amostras de RT-PCR recebidas na unidade, que são aquelas coletadas nas unidades de saúde pública do DF. Conforme a SES, “os laboratórios particulares geralmente não guardam as amostras dos seus exames e fazem o sequenciamento só se o paciente solicitar”, o que pode motivar essa subnotificação de casos de reinfecção.

Confira a nota completa:

“De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde são considerados casos suspeitos de reinfecção aqueles em que o paciente tenha dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real para o vírus SARS-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória, independente da condição clínica observada nos dois episódios. É necessário ainda que as duas amostras positivas sejam encaminhadas ao Lacen-DF.

O Lacen-DF encaminha as amostras suspeitas para o Instituto Adolfo Lutz para análise das amostras. Até o momento foram encaminhadas sete amostras ao Instituto que se enquadravam como possível reinfecção ocorridas no DF. No entanto, não houve nenhuma devolutiva pelo Instituto com qualquer caso positivo para reinfecção.

Desde janeiro, a equipe de Biologia Molecular do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), em parceria com pesquisadores da UnB, vem desenvolvendo novas estratégias de sequenciamento genômico do coronavírus. Desta forma, é possível identificar quais cepas estão circulando no DF. Os primeiros resultados saíram no início de fevereiro.

As amostras são selecionadas respeitando os critérios da Nota Técnica nº 1/2021, que trata da seleção de amostras para sequenciamento genômico do Sars-CoV-2. Dentre os critérios de seleção das amostras para testar se há novas cepas estão: casos de reinfecção; óbitos; pacientes muito graves.

O sequenciamento é feito dentro do próprio laboratório do Lacen com as amostras de RT-PCR recebidas na unidade, que são aquelas coletadas nas unidades de saúde pública do DF.

Os laboratórios particulares geralmente não guardam as amostras dos seus exames e fazem o sequenciamento só se o paciente solicitar. O sequenciamento não é feito também com base em teste rápido, é apenas por teste do tipo RT-PCR.”

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PCR Lamp ou Teste de antígeno: comumente encontrado em farmácias, o exame avalia a presença do vírus ativo coletando a secreção do nariz por meio de swab. O resultado leva apenas 30 minutos para ficar pronto, por isso, ele é indicado para situações em que o diagnóstico precisa ser rápido

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Primeiro caso confirmado

De acordo com a secretaria, a primeira infecção foi registrada em abril de 2020, pela variante B.1.1.28. No mês de março deste ano, contudo, o paciente apresentou nova infecção, desta vez pela variante P1 (variante de Manaus). Não houve registro de internação.

Segundo a nota encaminhada pela Secretaria de Saúde, o caso foi o primeiro do DF que atendeu aos critérios de reinfecção, com duas amostras em boa qualidade para análise.

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