Correios: agências da Rodoviária e de mais seis locais serão fechadas

Sindicato dos trabalhadores teme pela precarização das condições dos profissionais e a piora do atendimento

Felipe Menezes/MetrópolesFelipe Menezes/Metrópoles

atualizado 28/05/2019 10:33

O fechamento de 161 agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos por todo o país atingirá em cheio as atividades no Distrito Federal. Sete unidades em pontos movimentados da capital deixarão de existir até 5 de julho de 2019. As entidades trabalhistas dos carteiros e atendentes se preocupam com as consequências da medida aos profissionais e à população.

As agências na Rodoviária do Plano Piloto, no Palácio do Itamaraty, em Taguatinga Sul; no Aeroporto Juscelino Kubitschek, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT); em Sobradinho II; e a Central Filatélica serão encerradas. A empresa informou que um total de 31 funcionários deixarão seus postos atuais de trabalho, mas não divulgou o público atendido em cada local “por se tratar de informações estratégicas ao negócio”.

Todos são pontos bastante frequentados. A rodoviária, por exemplo, recebe em média 700 mil passageiros por dia, enquanto o aeroporto movimenta mais de 1 milhão de usuários ao mês. “O prejuízo vai ser grande, porque a rotatividade de pessoas nesses locais é enorme”, critica Amanda Gomes Corcino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Distrito Federal e Entorno (Sintect-DF).

Segundo a sindicalista, o fechamento das agências provocará aumento de demanda nas seis unidades remanescentes no DF, e mesmo o realocamento dos profissionais das unidades extintas não impedirá o aumento das filas. “Não adianta transferir gente se não houver espaço físico para realizar o atendimento. De que adianta ter dez pessoas a mais se só há um balcão?”, problematizou.

Amanda afirma também que a medida anunciada pela empresa afetará a qualidade de vida de centenas de profissionais. “O funcionário vai poder mudar de atividade, se transferir para outra unidade da federação ou, se não quiser nenhuma das duas, aderir ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) e ir embora”, pontuou.

Hugo Barreto/Metrópoles
Sindicato teme que o fechamento das agências afete o trabalho dos carteiros

A sindicalista acusa a empresa de caminhar em direção à privatização do serviço. Em abril, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), autorizou o início dos estudos para analisar a viabilidade da venda da estatal.

Antes de chegar a isso, porém, ela acredita que os fechamentos beneficiarão as 16 agências franqueadas dos Correios no DF, operadas por empresários que lucram com o negócio e repassam um percentual à empresa pública. “Tudo isso para favorecer essas pessoas. Já soubemos de denúncias de irregularidades nesse tipo de agência, em que não repassaram a receita devida e ficou por isso mesmo”, disparou.

Em virtude do futuro que se aproxima, o Sintect-DF convocou uma assembleia geral em frente ao edifício-sede dos Correios para 13 de junho. A ideia é decidir pela adesão à greve geral, marcada para o dia seguinte, convocada pelo braço nacional da entidade.

Resposta
Por meio da assessoria, os Correios informaram que todo o atendimento das unidades extintas será absorvido por agências próximas “sem prejuízo da continuidade e da oferta de serviços e produtos.”

Sobre uma eventual precarização do trabalho, a empresa assegurou que nenhum atendente deverá “retornar ao cargo de carteiro” e que os funcionários poderão ser transferidos dentro de Brasília. Na resposta, ainda foi assegurado que não houve qualquer irregularidade constatada nos contratos firmados com as agências franqueadas.

“A ação de readequação da rede está encerrando unidades que ocupam imóveis alugados e estão sombreadas por outras, sem impacto para a população atendida”, reafirmou a estatal. A respeito das ameaças de assembleia e greve geral, os Correios afirmaram que as informações deveriam ser consultadas “junto ao sindicato”.

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