Bagagens de mão terão de passar por triagem no Aeroporto de Brasília

Fiscalização da entidade que representa as companhias começará no acesso ao embarque a partir da próxima semana no DF

atualizado 18/04/2019 21:14

Eric Zambon/Metrópoles

A partir da próxima quinta-feira (25/04/19), os passageiros do Aeroporto Juscelino Kubitschek terão de se submeter a uma triagem da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) antes do acesso à área de embarque. A entidade vai fiscalizar as bagagens de mão de todas as pessoas. Quem estiver com uma mala fora dos padrões terá de retornar ao guichê da companhia aérea para despachá-la.

Na manhã desta quinta-feira (18/04/19), funcionários da Abear estiveram no aeroporto do Distrito Federal para uma campanha educativa. Identificados com coletes amarelos, eles usaram moldes de papelão para medir as bagagens de passageiros, como as primas Brenda Farias (foto em destaque), 28 anos, e Paloma Albuquerque, 27.

“Eu já tinha visto pela televisão. Então, até pesei a minha mala em casa”, contou Brenda, que, para passar esta sexta-feira (19/04/19) e o fim de semana no Rio de Janeiro, levou apenas a bolsa de mão. “É a minha primeira vez viajando com tão pouca coisa. Com certeza, se ainda fosse de graça o despacho, eu traria bem mais”, brincou.

Paloma reclamou dos padrões estabelecidos. Segundo ela, a justificativa da Abear, de reduzir os problemas antes da decolagem, não agrada. “Não acho que despachar uma bagagem seja algo demais. Entre o transtorno que isso pode causar e o dinheiro que eu pago, sobra para mim o transtorno.”

Regras
A Resolução 400/2016 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em vigor desde 2017, estabeleceu que a mala de mão pode ter no máximo 55 centímetros de altura, 35 centímetros de largura e 25 centímetros de profundidade, e também não pode pesar mais do que 10 quilos. Os parâmetros foram indicados pelas próprias companhias aéreas.

“Pelo preço cobrado das passagens, não acho nada justo”, reclamou o motorista Credinei Nunes, 39. Ele viajou com a família a São Paulo e teve de coordenar as bagagens dos três filhos. “Não fiquei muito preocupado, porque enchi as malas maiores para despachar e cada um fez a sua individual. Mas o tamanho permitido poderia ser maior”, reivindicou.

Filho de Nunes, Gustavo Nakandakari, 19, levou uma mochila e uma malinha de mão em que couberam até mais coisas do que ele pretendia levar inicialmente. “Eu fui informado pela companhia que poderia levar minha mochila e mais uma bagagem. Então, para mim, foi bom”, disse. A namorada dele, Aíssa Sampaio (na foto abaixo, à esquerda), 19, não compartilhou da opinião.

“Tive que enrolar roupa e sentar na mala para conseguir fechar. Se não precisasse pagar o despacho, eu poderia dividir tudo em dois lugares e seria muito mais confortável”, queixou-se.

Eric Zambon/Metrópoles


A jornalista Thaís Feitosa, 28, foi surpreendida pelas regras, mas não teve problemas. Ela mora na Irlanda e esteve nos últimos quatro meses em Goiânia (GO) para visitar a família. Nesta quinta, ela estava em trânsito no Aeroporto de Brasília para retornar ao país e se deparou com os funcionários da Abear.

“Na Europa, a gente só pode usar uma bagagem de até cinco quilos. Aqui, pelo menos, permitem 10”, elogiou. Ela não amenizou, contudo, a cobrança pelo despacho. Segundo Thaís, na chegada ao Brasil, ela teve de pagar R$ 200 por uma mala quando fez conexão em Campinas. “É mais caro do que na Europa, achei um absurdo.”

Abear
Em nota, a Abear informou que não possui estatísticas sobre a quantidade de pessoas abordadas na campanha educativa. “Estritamente em relação à atuação dos agentes desta campanha, não há registro de problema em nenhuma das bases participantes”, afirmou.

“Importante ressaltar que a cobrança das bagagens que estiverem fora dos padrões estabelecidos ficará a cargo da empresa, que definirá esse procedimento. Algumas companhias oferecem desconto para franquia nos canais digitais e cada uma delas definirá os processos que permitem, ou não, o uso do totem ou do aplicativo para a cobrança das bagagens selecionadas na triagem”, concluiu.

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