Contra privatização, trabalhadores dão abraço simbólico na CEB

Acionistas estão reunidos nesta quarta-feira (19/06/2019) para decidir venda, por parte do GDF, de 51% das ações da subsidiária da estatal

Eric Zambon/MetrópolesEric Zambon/Metrópoles

atualizado 19/06/2019 13:52

Trabalhadores da CEB Distribuidora fazem, na manhã desta quarta-feira (19/06/2019), ato de protesto contra a privatização. O grupo deu um abraço simbólico na sede da empresa no mesmo horário em que começava a 98ª Assembleia Geral Extraordinária, com integrantes do quadro societário da estatal, para apreciar proposta de venda de 51% das ações da subsidiária da Companhia Energética de Brasília.

Os funcionários defendem que a empresa não é deficitária e criticam a proposta de privatização do governador Ibaneis Rocha (MDB). Eles afirmam ter como comprovar que a CEB gerou lucro em 2016 e 2017 e só teve resultados ruins por uma pontualidade em 2018. “Foi com o mote de valorizar as empresas públicas que o Ibaneis ganhou as eleições e, agora, ele coloca o contrário”, cobrou João Carlos Dias Ferreira, diretor do STIU, sindicato que representa a categoria.

A única decisão tomada na assembleia do trabalhadores, que não teve caráter deliberativo, foi a marcação de novo encontro na próxima terça-feira (25/06/2019). Na mesma data, está agendada uma audiência pública no auditório da Câmara Legislativa. A ideia da categoria é encher as galerias da Casa para pressionar os parlamentares contra a proposta de privatização. O sindicato recorreu à Justiça para impedir a assembleia dos acionistas, mas não obteve sucesso no pedido.

Para o diretor-presidente da CEB, Edison Garcia, a validação da venda das ações da estatal pode significar o início de um novo modelo de gestão da empresa. “A CEB precisa de recursos. Nossa dívida supera R$ 1 bilhão. O GDF está sem recursos para aportar ele mesmo, então está chamando parceiros privados. O objetivo é montar uma gestão técnica, com profissionais de mercado e mais eficiência”, explicou.

Embora o resultado da companhia em geral tenha sido positivo e alcançado o valor de R$ 89,9 milhões em 2018, a distribuidora teve comportamento distinto e apresentou prejuízo de R$ 33,7 milhões no mesmo período.

A assembleia dos acionistas do grupo CEB começou às 9h na parte interna da sede e delibera sobre a abertura de capital da CEB-Distribuidora, hoje mantida 100% pelo GDF. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os governos poderão vender as subsidiárias de suas estatais sem a necessidade de aval do Poder Legislativo.

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