Consórcio da Arenaplex quer arrecadar R$ 3 bi e gerar 4 mil empregos

A concessão terá 35 anos de duração e pretende levar cinema, restaurantes e casas noturnas para a área central de Brasília

atualizado 09/06/2019 9:42

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O consórcio que fará a gestão do Estádio Nacional Mané Garrincha e do Centro Esportivo de Brasília (Arenaplex) pretende transformar a área em um espaço de convivência, com cinema, teatro, restaurantes, academia, quadras esportivas, lojas, clínicas, escritórios e casas noturnas. O BSB Boulevard Show de Bola investirá, nos primeiros cinco anos de concessão, R$ 500 milhões. Com essa verba, serão reformados o Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Cláudio Coutinho.

Em 35 anos de concessão, o consórcio estima arrecadar mais de R$ 3 bilhões, além de gerar 4 mil empregos diretos. No projeto, há um cronograma definido para cada fase da gestão. Baseado em uma declaração do urbanista Lúcio Costa – “Urbanizar consiste em criar condições para que a cidade aconteça” –, a gestora prevê a instalação de equipamentos de lazer acessíveis e integrados pela proximidade ao Eixo Monumental, além de um comércio de apoio na região próxima ao Palácio do Buriti.

A apresentação compara o novo complexo à Champs Élysées, em Paris. “Brasília ainda carece de um local onde a população e os turistas possam ter essa experiência, ao ar livre, desfrutando das mais diversas atividades, opções de entretenimento e cultura brasiliense, com segurança e infraestrutura adequados a essas necessidades”, expõe o documento.

A promessa é de respeitar a preservação da escala bucólica com espaços públicos, arborizados, destinados à proteção paisagística e ao lazer. Há ainda a expectativa de que pelo menos cinco grandes eventos internacionais e 10 nacionais sejam realizados por ano no local.

O Consórcio BSB Boulevard Show de Bola é formado pelas empresas RNGD Consultoria de Negócios Ltda-EPP e Arena do Brasil Gestão de Estádios e Arenas Ltda. Ele é o único interessado em assumir o espaço, hoje, com diversas áreas abandonadas ou inutilizadas. De acordo com a proposta, o governo local deve receber R$ 5 milhões por ano, além de 5% do faturamento.

Desafios

Antes de celebrar o contrato, a sociedade privada passou por uma prova de fogo. Como antecipou o Metrópoles, em 4 de abril, um parecer técnico da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) desqualificou de ponta a ponta o único licitante interessado no negócio.

Documento ao qual a coluna Grande Angular teve acesso demonstrava que o grupo — também chamado de Consórcio BSB — não havia atendido a cinco dos sete macrocritérios previstos no edital. Entre eles, o de não informar a contento o plano de execução das funções da concessionária e a descrição dos programas pretendidos. Também foi ignorada a exigência referente à preservação do conjunto urbanístico de Brasília e incoerência entre as planilhas e os valores apresentados.

Segundo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), todas as inconsistências apontadas pela Terracap foram sanadas pelo consórcio. “Tudo aquilo que foi solicitado à empresa, ela cumpriu. Fez todas as adequações que eram necessárias, pois, do contrário, corríamos o risco de não ter clareza necessária para que o processo andasse”, ressaltou Ibaneis.

Para o titular do Palácio do Buriti, o Mané Garrincha “foi um grande erro das gestões anteriores”, mas destacou já ter passado da hora de o local começar a ser utilizado sem onerar tanto os cofres públicos.

Histórico

A licitação da Arenaplex ficou suspensa por quase um ano pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que identificou irregularidades na concorrência. Em 14 de fevereiro de 2019, após modificações no edital, a continuidade do certame foi autorizada pelo órgão fiscalizador, sob a condição de que a concessão seja avaliada a cada cinco anos.

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